Antidoping: o que pode e o que não pode de acordo com a WADA
20 de janeiro de 2016
por Lucas Porfírio Em 1999, foi criada a WADA (sigla em inglês para Agência Mundial Antidoping) funcionando como uma agência internacional independente e órgão máximo de combate ao doping em todos os esportes, cuja visão é criar um mundo onde os atletas sejam capazes de competir em um ambiente livre de doping. Suas atividades principais incluem pesquisas científicas, educação e desenvolvimento de testes, além de monitorar o Código Antidoping Mundial, documento que organiza e rege as práticas e políticas em todos os esportes no mundo. A agência foi criada após a grande repercussão do escândalo do Caso Festina, que ocorreu no Tour de France 1998.
Anualmente, a WADA atualiza a sua chamada “Lista Proibida”. Para 2016, apenas algumas novas drogas foram adicionadas: Meldonium (medicamento novo para insuficiência cardíaca que nem foi liberado pelo FDA), Leuprorrelina (análogo do GnRH usado para tratamento de puberdade precoce central) e todos os insulinomiméticos (usados no tratamento de Diabetes). A Lista é dividida em: Substâncias e Métodos proibidos SEMPRE (dentro ou fora de competições); Proibidos EM COMPETIÇÕES; e Substâncias proibidas EM DETERMINADOS ESPORTES. Como a Lista é bastante extensa, citarei apenas os principais. 1 Substâncias proibidas sempre:
- Substâncias não aprovadas: Qualquer substância farmacológica não regulamentada para uso em humanos.
- Agentes Anabólicos: Nesta classe, estão inclusos os inúmeros esteroides androgênicos exógenos (e.g. Oxandrolona, Stanozolol); os Endógenos quando administrados exogenamente (e.g. Testosterona, DHEA); e todos os seus metabólitos.
- Hormônios Peptídeos, Fatores de Crescimento, Substâncias Relacionadas e Miméticos: Aqui estão inclusos as famosas Eritropoetinas e outros agentes estimuladores de eritropoiese; Hormônio do Crescimento (GH), dentre outros fatores de crescimento.
- Beta-2-Agonistas: Medicamentos bastante utilizados no tratamento da asma e DPOC. Todos estão proibidos, com algumas exceções que serão citadas mais abaixo.
- Moduladores Hormonais e Metabólicos: Incluem os Inibidores da enzima Aromatase e outros moduladores de Estrogênio; Moduladores de metabólitos.
- Diuréticos e Agentes Mascarantes.
2 Métodos proibidos
- Manipulação de sangue e componentes sanguíneos.
- Manipulação química e física das amostras.
- Doping Genético: Transferência de células modificadas, análogos ou polímeros de ácidos nucleicos.
3 Substâncias proibidas em Competições
- Estimulantes específicos e não-específicos: Incluem principalmente as Anfetaminas, Adrenalina, Efedrina, Cocaína, drogas para emagrecimento (Sibutramina, Femproporex), Metilfenidato (Ritalina®).
- Narcóticos: Morfina, Metadona, Fentanil...
-
- Glicocorticoides: Todos estão proibidos.
TRAMADOL
Esperava-se fortemente a entrada do Tramadol na lista, um potente analgésico opiáceo, mas por enquanto a droga continua apenas como "monitorado". O famoso Tramal® foi destaque em 2015 depois que divulgaram que mais de 600 amostras da WADA foram positivas para a droga. Náuseas, enjoos e vômitos são alguns dos efeitos colaterais do Tramadol, sendo uma possível causa das inúmeras quedas nos Tours.
ASMA
Outro dado interessante tem a ver com os medicamentos para asma. Segundo um artigo da Clinical Journal of Sports Medicine, 19% dos ciclistas e 17% dos nadadores olímpicos em Pequim 2008 tinham o diagnóstico de asma, sendo que estes atletas ganharam 19 e 23% das medalhas nos seus esportes respectivamente. O que representa um número altíssimo, uma vez que a prevalência de asma no mundo fica entre 0,7 e 18,4%, variando de acordo com a região. Os Beta-2-agonistas, usados no tratamento da asma, promovem uma broncodilatação e um possível ganho de performance. Por isso todas as drogas dessa classe entram na lista, exceto: Salbutamol inalatório (o conhecido Aerolin®) com dose máxima de 1600mcg/dia; Formoterol inalatório com dose máxima de 54mcg/dia e Salmeterol inalatório. Além disso, a presença de mais de 1000ng/ml de Salbutamol ou mais de 40ng/ml de Formoterol na urina será presumida como uso não terapêutico e considerado doping, a não ser que o atleta prove o tratamento através de um estudo farmacológico detalhado. A questão é que a indústria farmacêutica pró-doping sempre vai estar um passo à frente dos testes antidoping, já que demanda tempo até descobrir que uma certa droga ou método novo está sendo usado para melhora de performance e somente depois criar um teste para detectá-la. Daí a necessidade da WADA realizar continuamente pesquisas científicas para reduzir esse gap. Nota do editor: vale lembrar que o Ironman realiza exames antidoping também em atletas amadores, que devem seguir as mesmas regras. ________ Lucas Porfírio Estudante do 6º ano de Medicina na UFRJ Triatleta amador, 5x IRONMAN Criador do @hailesincero
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