Essa semana fizemos um raio X do pódio masculino no triathlon em Tóquio. Agora chegou a vez de mergulharmos no histórico das 3 primeiras colocadas da prova feminina. Será que tivemos alguma surpresa entre as medalhistas? Aqui vai um spoiler: nem um pouco. Dá uma olhada no que essas três atletas já aprontaram em suas carreiras.
Bronze | Katie Zaferes (EUA)

A atleta dos Estados Unidos sai de Tóquio com não apenas uma medalha na bagagem. Katie Zaferes largou junto com o time estadunidense que conquistou a prata na estreia do revezamento misto do triathlon nas Olimpíadas. Por isso, volta para a casa com um bronze e com uma prata. E a pergunta que fica é: surpresa total ou já podíamos esperar algo parecido?
Com o incrível feito de ter subido ao pódio de metade das largadas da ITU em sua carreira, não há dúvidas de que Zaferes já se destacava antes mesmo destes Jogos Olímpicos. A experiente triatleta de 32 anos coleciona 62 provas da ITU no currículo, e foi pódio em 31 delas. Detalhe: venceu 12 destas 62 competições. Quer mais? Ela foi campeã do mundo em 2019. Naquele ano, ela venceu nada mais nada menos que 5 das 8 provas que largou no circuito mundial.
O mais interessante é notar como Zaferes subiu degrau por degrau desde 2015. Em 2015, ela fechou a temporada com a 5ª colocação geral no circuito mundial. A partir daí, ela subiu de degrau em degrau, ano após ano. Assim, em 2014, ela já era 4º lugar. Na sequência, em 2017, ela também subiu uma posição, fechando com o bronze entre as melhores triatletas do mundo. Em 2018, prata para ela. E, em 2019, o título mundial. Um belíssimo exemplo de consistência e evolução.
A mesma coisa com relação às Olímpiadas. Desde 2016, Katie Zaferes fez um ciclo muito redondo, e subiu de 18ª no Rio em 2016 para a medalha de bronze em Tóquio, agora em 2021.
Veja alguns dos resultados recentes desta baita triatleta:

Prata | Georgia Taylor-Brown (Grã Bretanha)
A mais jovem a subir no pódio feminino em Tóquio já tem muita bagagem em sua carreira. Consistência? Temos, e muita! Se a relação largada / pódios de Zaferes já impressiona, Georgia consegue ir ainda além. Ela já largou em 40 provas do circuito ITU. E acabou em cima do pódio em 22 delas, levando a melhor 9 vezes em cima de todas as adversárias.
Assim como a estadunidense, Taylor-Brown também é prova viva de que estar no topo do ranking ao fim das temporadas pode render não só holofotes, mas também medalha olímpica. Analisando seu retrospecto, dá para notar que logo em seu ano de estreia no circuito WTS ela já fechou o ano com a terceira melhor colocação no geral. E repetiu a dose no ano seguinte. Aliás, em 2019 ela deu aula de consistência, terminando no top10 em absolutamente todas as provas que largou. De quebra, venceu a etapa de Leeds, praticamente em casa.
Pegando um gancho nesse histórico de top10 em todas as provas em 2019, vale a pena explorar mais esse lado de Taylor-Brown de não estar acostumada e ficar em qualquer lugar que não seja na ponta de cima da tabela de classificação. Desde que estreou no circuito, o pior resultado da britânica em provas da ITU foi um 14º lugar, na etapa de Bermudas em 2018. Tirando um 11º lugar no mesmo ano na etapa de Hamburgo, de lá para cá ela não sabe o que é estar fora do top10 em provas do circuito mundial. São números de tirar o chapéu e, analisando todos eles, não dá para falar que esta prata em Tóquio é uma surpresa. Aliás, a prata não é a única medalha que Taylor-Brown conquistou na Olimpíada: ela também levou o ouro com o time do revezamento misto da Grã Bretanha, prova em que disputou a 3ª bateria e “passou o bastão” para seu companheiro de equipe Alex Yee fechar com chave de ouro – literalmente.
Ouro | Flora Duffy (Bermudas)

Se tivermos que escolher alguém que tenha feito história no triathlon nesta Olimpíadas, nosso voto certamente vai para Flora Duffy. Ela conseguiu um feito inédito e importantíssimo para seu país, conquistando a primeira medalha de ouro de Bermudas na história das Olimpíadas. O país, que desde 1936 só não participou da edição de 1980 dos Jogos Olímpicos, tinha só uma medalha até então. Um bronze que veio do boxe em 1976. Hoje, graças a Flora Duffy, Bermudas não apenas tem um ouro olímpico para chamar de seu, mas também é o país com o menor número de habitantes a ter a medalha dourada.
Bom, chega de história e voltamos para o nada-pedala-corre. Como a carreira desta brilhante atleta se desenhou até o lugar mais alto do pódio? Para começar, impossível falar de Flora Duffy sem pensar no universo off-road. Antes mesmo de entrar para a história com o ouro olímpico, Flora já era rainha absoluta no Havaí, onde acontece anualmente a grande final do circuito XTERRA – já falamos aqui antes sobre esta, que é a maior competição de triathlon off-road do mundo. Duffy é pentacampeã mundial do XTERRA, e ídola absoluta de quem se amarra em triathlon off-road.
Mas no asfalto a atleta de Bermudas também já tem muita história boa para contar, já que suas trajetórias no asfalto e na terra se misturaram ao longo do tempo. Por isso, ela é uma das atletas mais versáteis em ação atualmente. Falando sobre ITU, ela já largou em 84 provas do circuito, conseguindo 36 pódios e impressionantes 21 vitórias. Ela já ganhou duas vezes o título mundial (2016 e 2017), e ficou em segundo em 2020. Além disso, Duffy soma ainda no currículo um bronze no Pan Americano de Toronto, em 2015. E ainda tem mais: é bicampeã do campeonato mundial de Cross Triathlon da ITU (2015 e 2016) e segunda colocada em 2014.
A triatleta de 33 anos dominou a prova feminina em Tóquio, e mostra que ainda tem muita história para construir no triathlon. Nós, amantes do esporte, estamos ansiosos para ver qual vai ser a próxima que Flora Duffy (que domina tanto asfalto quanto terra) vai aprontar! Enquanto isso, fique com uma retrospectiva de alguns de seus mais recentes resultados:

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