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    Por que muitos triatletas não sabem subir e descer da bike com segurança e velocidade?

    Em 23 fev 2016

      por Wagner Araújo, editor

      No último domingo, durante o Triathlon Internacional de Santos, um fato chamou a atenção de nossa equipe: a extrema dificuldade dos triatletas subirem e descerem da bike com segurança e velocidade. Cerca de 10 minutos observando a transição nos deu a dimensão do problema: pouquíssimos atletas dominavam a técnica correta, muitos caíram e teve até quem derrubasse ou atrapalhasse outros atletas.

      Já abordamos em detalhes, inclusive com vídeo, como subir e descer corretamente da bicicleta (link a seguir). Para saber o que você está fazendo errado e qual o perigo de cada abordagem, vamos ver os erros mais comuns que vimos no Internacional:

      1 – Muitos triatletas calçam a sapatilha na transição e saem correndo com ela. Isso traz alguns problemas, como o enorme risco de escorregar e cair, além da possibilidade, não muito remota, de quebrar o taquinho da sapatilha e você não conseguir encaixa-la no pedal. Essa é a opção mais insegura e perigosa de todas e você deve evitá-la a qualquer custo.

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      Atleta que correu com a sapatilha até a linha de monte

      2 – Atletas que levam a sapatilha na mão e a calçam depois da linha de monte. Neste caso, não a há o risco de escorregar e cair, mas pense bem. Depois que você passar a linha de monte/desmonte, você precisa parar para colocar a sapatilha. Onde colocará sua bike? E se ela cair no chão e atrapalhar outros atletas? E se não houver local para apoia-la? Além disso, a perda de tempo nesse caso é enorme, o que faz muita diferença em qualquer prova, mais nas curtas, claro, mas também nas longas.

      3 – O atleta até deixa a sapatilha presa na bike, mas não sabe a hora de coloca-la. Muitos atletas já tentam encaixar a sapatilha que está presa antes mesmo se subirem na bike! Outros querem calçar nos primeiros 5 metros de pedal. O resultado é um zigue-zague que, invariavelmente, leva a acidentes. Já cobrimos centenas de provas em todo o mundo, em quase todas elas há um acidente assim.

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      Atleta que deixou a sapatilha presa, mas já quer calça-la logo após a transição.

      Mas, como deve ser a maneira correta de subir na bike? Muito simples: deixe as sapatilhas presas na bike, de preferência prendendo o calcanhar ao quadro com elásticos, assim eles não batem no chão quando estiver correndo com a magrela. Já vi diversas vezes a sapatilha se desprender do pedal após bater no chão, aí o atleta tenta voltar, mas há um exército atrás dele e a confusão está armada.

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      Após passar a linha de monte, pule na bike e saia pedalando. Se ainda não conseguir pular, passe uma perna sobre a bike e comece a pedalar COM O PÉ EM CIMA DA SAPATILHA. Saia da confusão dos primeiros metros, pedale um pouco e, quando estiver em um terreno um pouco mais tranquilo, faça um Sprint para ganhar embalo e calce UM ÚNICO PÉ DA SAPATILHA. Depois que tiver certeza que este pé está bem preso, com o velcro fechado, pedale mais um pouco, faço um novo Sprint e calce o outro pé. Verifique o velcro e voilà, você está pronto para seguir. Dessa forma, você evita acidentes, faz uma transição mais rápida e sai mais concentrado para o ciclismo. Não acredita que essa seja a melhor forma? Veja os atletas da distância olímpica da ITU, os triatletas mais rápidos do mundo. Todos eles fazem assim. Além disso, as regras de segurança da entidade exigem que a sapatilha seja calçada depois do monte.

      Atleta que ainda não consegue pular na bike, mas sai corretamente, pedalando com os pés por cima das sapatilhas.

      Atleta que ainda não consegue pular na bike, mas sai corretamente, pedalando com os pés por cima das sapatilhas.

      Atleta fazendo a transição corretamente, correndo até a linha de monte, depois saltando na bike e pedalando com os pés em cima da sapatilha inicialmente.

      Atleta fazendo a transição corretamente, correndo até a linha de monte, depois saltando na bike e pedalando com os pés em cima da sapatilha inicialmente.

      É extremamente importante que você treine essa técnica antes de aplica-la em provas. Comece treinando na grama, assim, se cair não se machucará. Com pouco tempo, o movimento se torna natural. Cuidado também com acessórios atrás do banco (caramanholas, pneus, comida etc.), se você os atingir com o pé, provavelmente, cairá. Como tudo no Triathlon, e até mesmo na vida, a questão aqui é treino.

      Um lembrete importante: nunca monte na bike antes da linha de monte e nunca desça depois da linha de desmonte. Na grande maioria das provas, inclusive todas as oficiais da ITU, essa violação gera desclassificação. Trata-se de uma das regras mais importantes e simples em nosso esporte: jamais pedalar na área de transição (é como jogar futebol e não saber que não se pode tocar a bola intencionalmente com a mão). Outra regra fundamental: jamais encoste na bike antes de afivelar o capacete!

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      Por fim, um ponto que atletas que competem fora já notaram, é a questão do respeito aos demais atletas. Todas têm suas metas, objetivos, etc., mas o mais importante é a segurança de todos. Já fiz provas nas quais mal consegui sair da transição porque havia uma fila de triatletas despreparados bloqueando o tráfego ao tentar calçar a sapatilha e subir na bike. Mesmo após pedir educadamente, muitos responderam de forma ríspida, o que é completamente antiesportivo e desnecessário. Assim como também é desnecessário gritar com alguém mais lento, desajeitado ou inexperiente que está à sua frente.

      Descer na bike é ainda mais fácil, assistindo o vídeo sobre transição aqui você entenderá facilmente, além de tirar as dúvidas sobre o monte.

      Lembre-se: faça Triathlon, não Teatro.

      Bons treinos e provas!

      Veja também > Vídeo: aprenda a fazer transições eficientes no Triathlon

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