Dia após dia: Triathlon na incrível poesia de Arthur Alvim

    Em 19 set 2012

    por Arthur Alvim

    Dia após dia
    Dias tristes e dias de alegria
    Dias bons dias malucos e dias de louco
    Dias de lembrar-se de um degrau e depois o outro
    Dias quentes dias frios
    Dias de nadar no mar ou em rios
    Dias de foco
    Dias de jogar na loto
    Dias de pizza e merda o dia inteiro
    Dias apenas de sorvetes e brigadeiros
    Dias de treinos fortes
    Dias de treinos para morte
    Dias de treinos fracos
    Dias de repensar e juntar os cacos
    Dias de humildade
    Dias de bater no peito e dizer eu sou foda de verdade
    Por que tudo isso e para quem?
    Será que mandarei isso para alguém?
    Mandar para quem ou para os quais
    Se com certeza todos pensam assim e são iguais
    No interior ou nas capitais
    Ou em todos os circuitos mundiais
    Todos choram e dão risada
    Todos ajudam e fazem cagada
    Todos se empolgam e ficam entusiasmados
    Todos ficam tristes e desanimados
    Todos querem ir e sair
    Todos querem ficar em casa e dormir
    Todos querem correr, nadar
    Todos querem pedalar
    Todos querem apavorar
    Todos querem se dedicar
    Todos querem ralar
    Todos querem falar
    Todos querem criticar
    Todos querem opinar
    Em frações de minutos ou segundos
    Nossas cabeças e mentes querem mudar o mundo
    Mas bastam mais alguns segundos
    E caímos no sono profundo
    Toda aquela empolgação
    Some e se espalha pela multidão
    Querer tudo, ou querer nada
    Querer apenas viver e curtia a parada
    Querer dividir e dar risada
    Querer ajudar sem cobrar nada
    Nossa cabeça pensa e viaja, vai alem
    Apenas um piscar de olhos está em Londres ou Belém
    Posso estar tentando ficar bem agora
    Mas daqui a alguns segundos posso querer sumir e ir embora
    A vida é realmente muito louca
    E não é coisa pouca
    A vida pode não ser escrita só por mim
    Muito menos por Arthur Alvim
    A vida é isso
    E viver é um grande compromisso
    É cada minuto, cada segundo
    Que temos que desvendar situações e enfrentar o mundo
    Vamos vivendo, sempre correndo
    Literalmente sobrevivendo
    Vamos indo
    Vamos reagindo
    Queremos treinar, queremos viajar
    Queremos aproveitar, queremos namorar
    Duvido que em todas as casas e lares não sejam assim
    O que pode mudar é ter um cachorro, gato e não um Arthur Alvim
    Qual a chave de toda esta situação
    Motivação?
    Sim esta pode ser a responsável por esta continuação
    Mas aonde acharmos tanta animação?
    É foda o cansaço bate ele vem
    Atropela-te como um trem
    Derruba-te, fode
    Mas não pode
    Aí você desanda, chuta tudo
    Age como um burro um cabeçudo
    Viver é mais do que a verdade
    E conseguir libertar-se da vaidade
    Da ganância da vergonha
    E às vezes acreditar e confiar na história da dona cegonha
    A rima flui, mas o bagulho é mais louco
    Como se manter bem e feliz sempre no topo
    Não é ser o campeão, o bonzão
    Mas sim o mano o irmão
    Contas, dinheiro, problema
    A vida é bem diferente das novelas e cinema
    A idade a doença a perda de entes queridos
    A perda de verdadeiros amigos
    A violência, a inocência
    A sabedoria e a paciência
    O pior é que eu to numa pegada
    Que ficaria escrevendo e rimando por nada
    Se estou mega empolgado?
    Ou inspirado?
    Bem louco ou drogado?
    Não to normal apenas na frente do teclado
    Refletindo minha semana, minha rotina, minha vida
    Pensando nos amigos ou na família querida
    Todo dia é isso e vou vivendo
    A diferença é que hoje estou escrevendo
    Poderia estar pensando
    Apenas refletindo tudo isso e caminhando
    Durante a natação, bike ou trotando
    Ou até mesmo caminhando ou trabalhando
    E se querem saber até no banheiro cagando
    Passando mal ou vomitando
    Podia até apagar tudo isso
    Será que seria um desperdício?
    Mudaria algo você perder tempo e ler tudo isso?
    Tempo é dinheiro lembre-se disso
    Ou será que isto servirá para alguém?
    Mas quem?
    Se eu já disse anteriormente
    Isto que está relatado é o que acontece em toda casa e mente
    Se mandei bem
    Se foi nota dez ou cem?
    Não é isso que espero
    Mas também seria foda levar uma nota zero
    Mas sem timidez
    Até eu fiquei surpreso com a rapidez
    A rapidez que só eu sei
    A rapidez que rimei
    A rapidez que pensei
    A rapidez que salvei e não apaguei
    Tipo repente, tipo poeta
    Na rapidez de Bolt um grande atleta
    Será que terei que escrever um livro de poesia?
    Ou parar com toda esta fantasia
    Será que o sonho de cantor de rap não acabou
    Eu mano Brow, Dr. Dre, Snoop dando um show
    Burro não, esperto
    Será que estou no lugar certo?
    Nossa que pegada louca, tensa
    Ele escreveu o que realmente acontece e agente pensa
    Espero ter acertado
    Imagina se só minha vida for assim de atrapalhado
    O pior é daqui a pouco isso circular pela rede
    Com um título do tipo: Viver, com fome ou com sede?
    Viver feliz, no campo ou na praia e dormir na rede?
    Nesta vida todos nós temos medo e sede
    E a arainha que subiu pela parede?
    Vida? Nossas florestas estão sem o verde
    Poderia falar dos tempos de criança da infância de polícia e ladrão
    Mas juro que agora não
    Deixarei para outra ocasião
    Mil coisas eu me lembro
    Espero não esquecer esta rima de dois de setembro
    Desculpem se falei de mais ou muito alto
    Deixe-me ir, pois já estão me chamando lá no palco

    Arthur treinando

    _________

    Arthur Alvim é treinador da A. Giglioli Assessoria Esportiva e uma das figuras mais queridas do Triatlhon em São Paulo. Ele também detém o recorde de 250km na “Bolinha”, rotatória de 500m na USP, local preferido de treino de muitos triatletas paulistanos.

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