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A natação ocupa, em geral, por volta de 10% do tempo das provas de Triathlon. Por isso, e por ser a primeira etapa da prova, poucos dão a devida importância a esta modalidade, concentrando-se seus esforços na bike e na corrida, como se os resultados finais dependessem apenas destas etapas.

Se observarmos as provas, muitas vezes a natação não foi decisiva para o ranking final. Mas lembrando que o Triathlon não é uma soma de esportes e sim um único nadapedalacorre, o resultado da dedicação ao nado não se resume apenas a alguns minutos à frente dos outros competidores. Mais do que isso, nadar bem reduz o peso sobre os ombros e os braços durante a sequência da prova e coloca o atleta à frente do tráfego na T1, reduz a sensação de travamento das pernas na bike e a fadiga durante a corrida.

Além dos treinos específicos para melhorar as técnicas de natação, veja algumas dicas importantes para a largada e a saída desta etapa.

Enfrentando o tumulto da largada

As largadas das provas são sempre tumultuadas devido à quantidade de atletas com os mais variados níveis técnicos, tornando o momento bastante tenso. Procure se familiarizar com o local de largada, o percurso, a chegada e o caminho para a T1. E, antes de tudo, seja realista com relação ao seu nível técnico: se não tiver preparo suficiente, será atropelado pelos outros atletas, e se a natação for o seu forte, perderá tempo desviando dos menos preparados. Por isso, tente ficar próximo daqueles que possuem preparo semelhante ao seu.

Sair de um sono profundo e relaxante para um início de prova muito tumultuado pode ser um choque para todo o sistema corporal. Nesse sentido, o aquecimento também é uma forma de ambientação. Não desperdice esta oportunidade. Vista-se para manter elevada a sua temperatura corporal e guardar este calor até chegar ao local da prova, organizar a transição, começar o aquecimento e vestir a roupa para natação.

Foto: Ivan Padovani/MundoTRI

Se for possível nadar antes da prova, aproveite a chance de sentir a temperatura, a correnteza e as características da água naquele dia. Também é o momento de visualizar o percurso de dentro da água, de onde temos uma visão diferente, e marcar pontos estratégicos para a largada e para a chegada, como as boias de marcação, árvores, prédios ou outros pontos de referência que ajudem a não sair do curso, além de ajustar os óculos e a roupa. Você também pode aproveitar para observar os outros atletas. Se eles estiverem sendo “puxados” pela correnteza para um determinado lado, repense sua estratégia e posição de largada.

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Se não for permitido entrar na água antes do início, faça uma sequência de aquecimento com movimentos amplos para aquecer o corpo, soltar o tronco e os braços. Evite cair na água de supetão ou sair nadando com toda a carga. O ideal é uma soltura leve ou um trote seguido de algumas braçadas.

Geralmente, as provas são realizadas em águas abertas e, por isso, muitos ficam receosos em função de ondas e a correnteza no mar, ou ainda com as condições turvas da água. Na maioria das vezes, as águas são calmas e propícias para o nado, mas não podemos esquecer que a natureza tem múltiplas personalidades e as condições climáticas podem virar e interferir na prova. Muitos limitam seu treinamento à piscina, que é um excelente local para construir a sua resistência e trabalhar a técnica, mas testar outras possibilidades é uma vantagem, pois quanto menos intimidado você estiver quanto entrar na natação, mais fácil fica enfrentar esta etapa. Quanto mais condições aquáticas o atleta conhecer, menos será surpreendido, especialmente se houver alguma turbulência, condição que a piscina de treinos não oferece. Obviamente, por questão de segurança, nunca realize treinos sozinho em águas abertas e, quando estiver nessa situação, respeite a força da natureza.

Os primeiros metros da prova também costumam manter o nível de tensão da largada, devido ao tumulto dos atletas. Na piscina, você está em uma raia sozinho. No Triathlon, você tem muitas pessoas à sua volta se movimentando e esbarrando em você, o que torna difícil manter uma linha em direção ao objetivo de chegada. É preciso encontrar e conquistar o seu espaço no meio deles. Tente se manter concentrado, controle a respiração, execute sua estratégia de prova e encontre o seu ritmo.

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Voltando para a terra firme

A primeira transição é considerada a mais complicada. Quando o atleta está saindo da água e indo buscar sua bike, ocorre um “ajuste” circulatório que pode gerar queda de pressão, tonturas e outros desconfortos. Isso porque, durante a natação, o fluxo sanguíneo se concentra na parte superior do corpo, que está sendo mais exigida. Ao sair da posição horizontal, o fluxo precisa se reorganizar para atender às pernas, que serão exigidas nas próximas etapas, o que traz de início uma sensação de travamento quando se começa a pedalar.

Os treinadores recomendam que, ao final da natação, perto dos últimos 150 a 200 metros, se intensifique o ritmo de batida de pernas para aumentar o volume do fluxo sanguíneo nos membros inferiores, equilibrando o conjunto todo antes de levantar da água e sair correndo para a T1.

 

Foto: Ivan Padovani/MundoTRI

Também na parte final da natação, é importante olhar para onde está indo, ativando seus pontos de referência para ir na direção certa e evitar perder tempo em zigue-zague. Olhe para frente, vire a cabeça para o lado, respire e volte para a água. Continue nadando até “encalhar” na água rasa o suficiente para se levantar, sentindo os dedos bem próximos da areia. Fique de pé e levante os óculos para a testa, o que vai clarear a sua visão para qualquer perigo ou obstáculo à frente assim que começar a correr em direção à T1. Só retire os óculos e a touca quando visualizar sua bike, evitando deixá-los cair na correria, o que resulta em penalidade por abandono de equipamento. A partir daí, retire sua roupa de natação e esteja preparado, porque ainda tem duas etapas pela frente!

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