Diário até o Ironman – Marcão Gimenes: “Que exemplo eu seria se desistisse assim sem lutar até o fim?”

    Em 14 jun 2012

    E lá se foi mais um Ironman Brasil…

    Primeiramente, gostaria de me desculpar pela demora desse “último diário” do Ironman Brasil 2012. Muito trabalho acumulado, um pouco de falta de motivação, uma virose, bla bla bla, bla bla bla… Então chega de chororô e vamos ao que interessa.

    Semana do Ironman é semana do Ironman. Cheguei a Florianópolis na quarta-feira antes da prova, fui para o apartamento, coisas no lugar, almoço, descansar um pouco e trote à tarde para mexer as pernas e tirar a “nhaca” do avião. Beleza! Agora descansar e quinta de manhã nadar e um pedalzinho tranquilo na companhia dos amigos: Pedro, Hudson, Murilo e Aninha (Oliva). O Hudson, como era seu primeiro Iron, disse que ia colar em mim e no Pedro e repetir exatamente o que fizéssemos. Bem arriscada essa tática dele (risos). Bom, tudo transcorreu normalmente (dentro do possível) até domingo.

    Preocupações, perturbações e afins acontecem todos os anos, e o que devemos fazer e que nem sempre conseguimos é tentar deixar tudo de lado pelo menos por um tempo e concentrar naquilo que estamos ali pra fazer e fazer bem feito. Afinal de contas, ninguém vai fazer pra gente não é?!

    Domingo, 5 horas da manhã lá estava eu acordado tomando café. Alguns minutos e chegaram Pedro e Hudson para irmos numerar e organizar sacolas e bike na transição. Tudo muito tranqüilo. Voltamos ao apartamento, tomamos café, roupa de borracha e saímos para a largada. Junto a nós ainda estavam minha mãe, Brunna (esposa do Pedro), Hugo e Aline (não fizeram o Iron esse ano pra casar), André Villarinho (nosso técnico), Carlinhos, Sebastião, Yang, Lisandro e Danilo. Baita staff (risos).

    Já na área de largada, nos posicionamos para largar fora do tumulto. Acho que é melhor assim. Uma breve conversa com a Ana Paula (veterana de Ironmans, já fez 9 e ainda é esposa do Cisso, que também já fez 8 ou 9. Falar desse casal seria um capitulo, ou melhor, um livro a parte) e ali já se foi a primeira emoção do dia, ou melhor, a segunda. Em ambas fui abençoado. Primeiramente pela minha mãe. Despedi-me depressa para não chorar. Enquanto conversava com a Ana Paula, de novo o nó na garganta. Meu quarto Ironman Brasil e sempre largamos próximos. Senti que ela realmente estava me passando uma energia muito boa e que eu precisava muito. Um boa sorte a todos os amigos por ali… largamos!

    Consegui largar bem e nadei um pouco forte para me posicionar logo. Estava bem na natação. Ao fim da primeira volta,não tinha noção de como estava, mas me sentia bem. Saí da água com um tempo bom.dentro do que eu estava esperando. Nadei com uma roupa de borracha que nem era minha e estava usando ela pela primeira vez. Acabei saindo para pedalar na frente de alguns amigos que sempre saem na minha frente. Beleza! Agora era só pedalar e correr!

    No começo do pedal senti que não estava bem, mas não estava entendendo o que era. Pensei: “Daqui a pouco melhora.” Estou esperando melhorar até agora(risos). Foi estranho. Não consegui render de modo algum no pedal. Para piorar a situação, fiz a segunda volta toda praticamente fora do clip por conta de dor nos ombros e costas. Estava irritado já. Para piorar a situação, comecei a ver alguns “atletas” no vácuo e não via nenhum fiscal. Teve um que ficava na roda até achar uma subida. Aí ele passava e esperava depois pra pegar a roda de novo. Não aguentei e reduzi pra ele me passar. Quando ele foi passar disse a ele que se ele ficasse no vácuo da minha bicicleta novamente a chance de ele cair seria grande. Tudo bem. Ele procurou outros que aceitassem aquilo dessa vez. E eu ali sem conseguir render e com câimbras nas pernas. Graças a Deus, consegui entregar a bike e ai era só correr! Essa segunda transição foi engraçada. Cheguei, sentei na cadeira, coloquei os tênis e fiquei ali parado pensando na vida e se valia a pena sair para correr da maneira como eu estava. Levantei, fui ao banheiro, respirei fundo e …lá vamos nós!

    Foto: Sandra Midlej

    Saí pra correr com mil pensamentos em minha cabeça. Sabia que conseguir uma boa colocação era extremamente difícil, mas eu tinha outros motivos pra correr… Muita gente acompanhou esses diários e acabou, de um jeito ou de outro, se inspirando para treinar e para competir. Que exemplo eu seria se desistisse assim sem lutar até o fim?! E eu sabia que ali ainda não era o fim. Também, minha mãe estava ali para me ver, só para me ver chegar. Tinha ainda uma promessa de conseguir a vaga pra Kona que fiz pra Sandra, esposa (só no civil) do André. Se eu classificasse, eles iriam para o Hawaii também para se casarem numa igreja lá. E assim fui acumulando motivos pra correr e não desistir. (Uma observação aqui: A Sandra ficou ligando para o André a tarde toda pra saber se eu já havia chegado e se ela podia comprar as passagens pra eles já – risos).

    Passando por todos que ali estavam assistindo a prova a motivação foi aumentando cada vez que ouvia meu nome ou que simplesmente me incentivavam com palmas ou gritos. Muitas vezes nem via quem estava gritando, mas sabia que era pra mim e aquilo ia renovando as energias. Diego e Mirela, vocês foram demais! Que energia! Indo pra Canasvieiras passei pelo Jorge Pacheco também que me deu uma baita força quando gritou que ali era comigo, que era eu e eu! Já em Canasvieiras, chegando no retorno, escuto alguém gritando: “Vai Alfenas!” Puxa vida! Tinha até gente de Alfenas, minha cidade do sul de Minas ali. Definitivamente parar não era uma opção pra mim. Mas cheguei a pensar que teria que chegar andando dessa vez. Não dá pra falar de todo mundo aqui, de todos os incentivos que recebi e tudo mais. Posso garantir a todos que torceram, enviaram mensagens, incentivaram de qualquer forma que retribuo a energia positiva de vocês e agradeço do fundo do meu coração. Corri o tempo todo com muitas dores nas pernas. Elas chegavam a travar em certos momentos que eu achava que ia cair. Mas busquei força e motivação em cada um que ali estava, em cada mensagem recebida, em cada momento que tive para chegar até ali.

    Quando entrei no funil de chegada, que emoção! Que energia! Aquele ali era o Ironman mais difícil pra mim até aquele momento. E completá-lo seria uma grande prova de superação para mim. Alguns ainda tentaram me incentivar a correr mais forte para ultrapassar dois atletas que estavam à minha frente. Minha reação foi perguntar se vinha alguém próximo atrás. Não vi quem foi, mas comecei a rir porque alguém com um megafone me disse para ir tranqüilo que não tinha ninguém. E se eu perdesse um troféu ou a vaga pra Kona por não acelerar só mais um pouquinho ali no final?! Naquela hora só uma coisa estava me importando: o beijo que eu queria dar na minha mãe antes de passar pela linha de chegada! Consegui! Cheguei até ela, beijei-lhe a testa e disse muito obrigado! Pronto! Agora posso chegar que já tenho meu prêmio!

    Parabéns a todos que estiveram nesse Ironman Brasil 2012! Aos que competiram e terminaram a prova cumprindo ou não seus objetivos. Aos que, por qualquer que seja o motivo, não conseguiram completar. Sempre haverá o próximo! Parabéns a todos que foram assistir e torcer. Essa energia é fundamental pra quem está ali! Parabéns Dalton, Priscilla e Aline, meus parceiros de diário. Parabéns Santiago! Dessa vez foi quase, mas todos vimos que você fez todo o possível e foi um guerreiro! Parabéns Ezequiel! E parabéns Soledad também! Que cumplicidade! Parabéns Vanessa (melhor brasileira)! Parabéns Aninha pelo bi no amador! Quero dar os parabéns pra dois caras também, dois amigos. Para o Luiz Henrique Rissato, que fez a prova nadando e pedalando usando apenas um braço devido a uma fratura na clavícula e ainda correu com o braço imobilizado. E parabéns Cisso! Foi ótimo ver sua felicidade quando soube que iria subir no pódio dessa vez. E, de quebra, ainda vai para Kona pela primeira vez depois de tantas vezes ter conseguido a classificação e não ter ido.

    Depois da sessão parabéns, a sessão agradecimento. Obrigado André por tudo! Obrigado aos amigos e parceiros de treinos! Obrigado MundoTRI pela oportunidade e parabéns pela cobertura e reportagens sempre prestigiando o triathlon nacional! Obrigado Mãe!!! Obrigado a todos que citei nesse e nos outros diários e a tantos que nem consegui citar. Queria agradecer aos patrocinadores e apoiadores dos outros atletas que acreditam e incentivam nosso esporte. Dos outros porque eu mesmo não possuo nenhum. Valeu moçada e “inté” Kona!

    Mahalo!

     

    Marcão!

     

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