Um sonho a meio caminho: provas de 70.3 que classificam para o Ironman do Havaí
por Marcella Grecco
Uma das peculiaridades mais interessantes no Triathlon é a possibilidade de atletas amadores competirem junto com grandes ídolos e ícones do esporte. É algo que dá motivação aos treinos e que deixa o sonho de um título importante viável para todos os apaixonados pela modalidade, amadores ou profissionais. Qualquer atleta com disciplina, motivação e persistência pode chegar a disputar um mundial de Triathlon.
A ITU (International Triathlon Union) organiza um campeonato mundial de Triathlon olímpico sem fins lucrativos chamado de ITU World Championship Series que permite que todos tenham uma chance de disputar um mundial de aquathlon, duathlon, sprint ou de olímpico. Por não ser um campeonato de Triathlon particular contribui com o sonho de muitos oferecendo um preço mais acessível e a garantia de ingresso a todos os triatletas. Para participar, basta o atleta se filiar a alguma confederação de Triathlon no país e disputar as etapas seletivas.
Entretanto, o grande sonho de muitos que começam na modalidade é, sem dúvida, disputar uma prova do Ironman do Havaí super campeonato mundial de Triathlon organizado pela WTC (Word Triathlon Corporation). O Ironman é talvez a modalidade que exija mais preparo físico e mental de seus concorrentes. A prova possui uma extensão assustadora de 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida. Idealizada pelo comandante da marinha americana John Collins em 1978, surgiu como um desafio para descobrir qual seria o atleta mais resistente do momento. Quem conseguisse terminar a prova seria considerado um Ironman, ou seja, um homem de ferro.
Assim, deu-se início à primeira prova de Ironman da história. Em 18 de fevereiro de 1978 o próprio John Collins e mais 14 atletas participaram da primeira prova no Havaí. Dos 15 atletas que participaram apenas 12 conseguiram completar a prova, sendo Gordon Haller o primeiro homem de ferro.
Atualmente, o movimento Ironman envolve o mundo todo e diversas pessoas, seja durante a organização das provas ou mesmo através da participação dos triatletas. A WTC é hoje detentora dos direitos da marca Ironman e das provas de Ironman, Ironman 70.3 e também da série 5i50. O Campeonato Mundial de Ironman ainda é realizado como antigamente no Havaí, e ocorre durante o mês de outubro na Grande Ilha.
Chegar a competir na ilha de Kona é um sonho para muitos triatletas e o processo de seleção para o mundial ocorre durante o ano inteiro em diversos eventos oficiais espalhados pelo mundo. É um conjunto de eventos particular e pagos. Inclusive, pesa bastante no bolso de alguns, o que torna Kona ainda mais sedutora. São mais de 26 seletivas distribuídas em eventos oficiais pela Europa, Ásia, Oceania, África e Américas que garantirão a vaga de alguns triatletas no mundial em Kona. Em 2011, o número de vagas abertas a competidores em Kona foi de apenas 1.500 pessoas.

Largar em Kona é um sonho de muitos triatletas
Estima-se que no Brasil exista cerca de 15.000 atletas praticantes ativos da modalidade. O esporte que surgiu no país em 1982 cresceu vertiginosamente e as regiões com maior concentração de triatletas são o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Brasília, entre outros. O evento em Kona atrai mais de 30 mil visitantes à ilha todo o ano e cada vez mais recebe maior destaque na mídia.
A WTC anunciou algumas mudanças no esquema das seletivas da elite para o Campeonato Mundial de Ironman, a partir em junho de 2010. As modificações passariam a vigorar a partir de 1 de setembro de 2010, e, apesar de algumas delas favorecerem interesses comerciais da WTC acima de tudo, outras mudanças possibilitaram que o sonho de Kona ficasse muito mais próximo daqueles atletas não profissionais. No mundo inteiro existem etapas de Ironman que vão selecionando os futuros concorrentes do mundial. Há um total de vagas disponíveis no mundial que é dividido entre as etapas de Ironman de acordo com o evento e as faixas etárias disputantes.
Antigamente, os profissionais disputavam também estas vagas de acordo com a faixa etária e o evento, entretanto, a WTC estipulou que a partir da data mencionada acima seria criado um ranking de pontuação por etapas para estes atletas profissionais. Este ranking é o atual KPR (Kona Pro Ranking) e é ele quem elegerá os atletas profissionais que participarão do próximo evento mundial. Basicamente, estes triatletas terão que participar de eventos Ironman durante todo o ano e irão pontuando conforme o desempenho nas provas. Para a classificação no mundial será levado em conta as 5 provas de maior pontuação.
Além das provas Ironman as provas Ironman 70.3 também atuarão como classificatórias. Entretanto, para atletas profissionais, apenas três provas Ironman 70.3 poderão entrar na somatória das 5 provas de melhor pontuação. Elas recebem este complemento 70.3, pois, têm um percurso mais curto que o Ironman. Na verdade, possui exatamente a metade das distâncias normais em cada prova, e, o número 70.3 é a somatória das distâncias em milhas. A etapa de natação tem 1,9km (1,2 milhas), a de ciclismo 90km (56 milhas) e a de corrida 21km (13,1 milhas). As provas Ironman 70.3 foram criadas a partir de 2005 e logo atraíram muitos adeptos devido ao percurso menor.
De acordo com as regras da WTC, os atletas amadores terão acesso ao Ironman do Havaí de acordo com seu desempenho em sua faixa etária em provas de Ironman. O total de vagas em cada evento será então distribuído entre os grupos de faixas etárias, de acordo com as regras da WTC e os números reais de inscritos em cada faixa. Em cada uma das faixas etárias deverá existir pelo menos uma vaga em Kona para amadores. As faixas etárias são: 18-24, 25-29, 30-34, 35-39, 40-44, 45-49, 50-54, 55-59, 60-64, 65-69, 70-74, 75-79, 80+. A distribuição das vagas em cada faixa etária só será realizada na data do evento, para tomar como base o número real de participantes.
Portanto, para um amador se qualificar para o campeonato mundial em Kona, é necessário que ele conclua uma das provas de Ironman e fique classificado entre o número “x” de vagas que estarão sendo distribuídas para Kona em sua faixa etária.
O Ironman Brasil, por exemplo, é um dos eventos que distribuí 50 vagas entre os amadores para o campeonato mundial de Triathlon em Kona.
No entanto, para os amadores, ainda há a possibilidade de se classificar para Kona por meio de algumas provas de 70.3. A grande vantagem dessas provas é que o desgaste é bem menor do que se fazer dois Ironmans em um ano (o classificatório + Kona).
A WTC escolheu seis provas do circuito 70.3 com vagas para Kona entre os amadores. São elas:
> Ironman 70.3 Phuket / Tailândia – 30 vagas
> Ironman 70.3 Buffalo Spring / EUA – 30 vagas
> Ironman 70.3 Havaí / EUA – 28 vagas
> Ironman 70.3 St. Croix / Ilhas Virgens EUA – 30 vagas
> Ironman 70.3 Japão / Japão – 30 vagas
> Ironman 70.3 Eagleman / EUA – 30 vagas
> Ironman 70.3 Antuérpia / BEL – 3 vagas para cadeirantes somente
Essa é uma opção interessante para quem pretende ir a Kona pela primeira vez e, também, para quem pretende ter uma boa performance no Havaí, já que a recuperação pós-prova e o retorno aos treinos serão mais rápidos.
Contudo, não espere provas fáceis, já que os atletas mais rápidos se dão melhor em provas de meio ironman. se este é o seu caso, pode ser a chance que procurava para ir a Kona, afinal, todo triatleta, ao menos uma vez na vida, deve largar na Grande Ilha.














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