Diário até o Ironman: Priscilla Dutra #1

20/02/2012 por Enviar por e-mail Imprimir
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Tritar Rio de Janeiro

Conheça a 3ª integrante de nossa saga, Priscilla Dutra, médica de Brasília e colunista da Revista MundoTRI:

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Começo esse meu primeiro diário agradecendo a toda equipe MundoTRI pela oportunidade e privilégio por ter sido uma das escolhidas a fazer parte desse projeto.

Acompanhei os diários anteriores e aprendi, emocionei-me, torci e sonhei em um dia também estar ali dividindo um pouco da minha história. Não demorou muito e hoje estou aqui, mostrando um pouquinho sobre mim e sobre os motivos que fizeram eu me apaixonar por esse esporte maravilhoso que é o Triathlon.

Vou começar me apresentando: Meu nome é Priscilla, tenho 27 anos recém-completados, nasci em Goiânia, cresci em Anápolis e moro em Brasília há cerca de 7 anos. Vim para fazer faculdade, me formei no ano passado e como já havia criado boas raízes por aqui, resolvi ficar e ver o que me esperava.

Durante 4 anos, conciliei a faculdade e o Triathlon. Não foi fácil e devido a esse ritmo intenso que vivi nesse período, hoje considero minha rotina um luxo, mesmo com três empregos. No período da tarde, sou médica do SEBRAE. Das 18:00 às 22:00, trabalho em uma clínica particular e nas noites de domingo, estou de plantão no Pronto Socorro em um cidade no interior de Goiás. Falando assim, parece muito! Mas consegui reservar minhas manhãs somente para os treinos, estudos e projetos pessoais. Estou muito satisfeita com esse feito! Antes, eu treinava nos pequenos intervalos que tinha e sempre naquela correria louca! Ufaaa… Agora, isso já não me pertence mais!

Comecei no Triathlon no fim de 2007 e em 2009 já fiz meu primeiro Meio Ironman. Gostei muito da sensação de superação da prova de meio Iron e de cara já comecei a pensar na possibilidade de um dia fazer um Ironman. Mas antes disso, encarei outros desafios, participei de umas corridas de aventuras, outras provas distância 70.3 e em 2011, para comemorar minha formatura, o fim de uma jornada, de um ciclo, decidi me inscrever no meu primeiro Ironman. Eu queria encerrar essa fase da minha vida me superando mais uma vez e em total clima de festa!

 

Fisicamente, cheguei preparada para a prova. Estava feliz por estar prestes a realizar um sonho, porém muito nervosa, com medo e cheia dos “E SE”: E se meu pneu furar? E se eu não aguentar correr os 42 km? E se eu passar mal durante a prova? E se eu fracassar e não conseguir completar? Vários pontinhos de interrogações que perseguiam a minha mente, mas uma coisa que eu sempre fazia durante os treinos para afastar tudo isso era me visualizar cruzando a linha de chegada. Às vezes, pegava fotos de outros atletas e ficava imaginando-me naquele pórtico de chegada. Levava isso comigo sempre! E quando as interrogações surgiam, eu me via comemorando, vencendo todos esses medos e finalmente chegando à reta final. O sorriso surgia involuntariamente junto com aquele friozinho na barriga e assim eu ia embora dos treinos feliz da vida e ansiosa para o grande dia chegar logo.

WGN17931 Diário até o Ironman: Priscilla Dutra #1

No ano passado, meus pais, meus amigos e irmão foram me prestigiar marcando presença do início ao fim! Montaram uma torcida organizada de tamanho considerável e até blusa personalizada eles fizeram. Recordo-me que no quilômetro 32 da corrida, eu estava sentindo o peso da prova com um pouco de câimbra na barriga e resolvi pegar água, sal e andar um pouco. Às vezes pensava que ainda faltavam mais 10 km, outras vezes pensava que só faltavam 10 km, então eu não sabia se ria ou se chorava. Quando olho para frente, vejo meu irmão correndo em minha direção, em seguida meu pai e atrás dele estava minha mãe. Meu irmão começou a cantar uma música que adoro, a correr do meu lado e me dar força. Meu pai falou: “Filha, você está muito bem, vai embora que está acabando”. E minha mãe só levantou os braços para cima e gritou: “Vai, vai, não pare, está quase!”. Recebi aquela injeção de ânimo e emoção. Esqueci todas as dores e fui embora sem olhar para trás. Lembrei-me da mentalização de cruzar a linha de chegada, faltava pouco, muito pouco para aquele momento.

E nem preciso dizer como foi não é? Quando entrei no funil estavam todos me esperando. Entraram junto comigo. E quando olhei para eles, a emoção tomou conta! Foi uma sensação de alegria, alívio, dever cumprido e superação! Quando vejo as fotos ainda me emociono.

Esse ano, eu vou para a prova mais preparada, ciente dos pontos onde posso melhorar e claro, muito mais confiante. Iniciei os treinos na segunda semana de janeiro com baixo volume. Em dezembro do ano passado, resolvi tirar umas férias. Dediquei-me a projetos pessoais e treinava uma das modalidades quando sentia vontade. Por isso, em janeiro voltei bem animada, empolgada e principalmente com saudade dos treinos, aquela vontade boa de fazer força. E o legal de tudo isso é que essa vontade só vem crescendo. A cada treino vejo um pouquinho de melhora e sinto que é uma superação. Isso me motiva, me faz ir em busca de mais, tanto na vida esportiva, quanto na vida pessoal. Chego dos treinos com aquele sorriso no rosto, aquela sensação deliciosa do pós-treino e já pensando nos próximos.

O bom é que raramente meus colegas de trabalho me vêem de mal humor. Estou sempre elétrica, feliz e passando essa positividade para todos a minha volta, principalmente para os meus pacientes. Isso é algo que só o esporte pode fazer, pelo menos no meu caso. Nos dias em que não consigo treinar, fico chateada, parece que falta uma parte de mim. O esporte, o Triathlon me traz disciplina, organização, vontade de traçar e encarar minhas metas, meus sonhos, objetivos! Simplesmente sensacional!

Atualmente, treino ciclismo e corrida com o Santiago Ascenço, de Goiânia e a natação com o treinador Marcel Huthmacher, de Brasília. Juntos temos feito um excelente trabalho e para esse primeiro semestre meu principal foco é o Ironman Brasil. Para o segundo, será o Mundial 70.3 em Las Vegas.

Nessas primeiras semanas de fevereiro o volume aumentou pouco e venho trabalhando bastante a intensidade nas 3 modalidades. Minha rotina durante a semana é composta por treinos de natação de segunda à sexta de 11 às 13h; ciclismo terça e quinta de manhã e corrida segunda, quarta e sexta. Já o fim de semana é sempre uma surpresa. Duathlon, transições, simulados ou os famosos longos.

Durante este diário, quero compartilhar meus treinos, os locais onde mais gosto de treinar, minhas dificuldades, dúvidas e incertezas. Tenho certeza que tanto eu quanto vocês, iremos aprender e crescer bastante até o dia 26 de maio.

É isso aí galera! Apesar de ainda ter muito a dizer, vou me controlar e guardar para os meus próximos diários.

Beijos a todos!!!! E muito obrigada pelo o carinho e atenção de vocês

Veremos-nos novamente em breve!

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