Entrevista com Luisa Duarte, a revelação de 2011

26/01/2012 por Enviar por e-mail Imprimir
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Pan-american Cup João Pessoa

por Wagner Araújo – fundador e publisher do MundoTRI

Luísa Duarte é uma daquelas triatletas que tem brilhos nos olhos só de se falar no esporte. Nadadora desde 2003, Luísa já tem um background na água que falta a muitos triatletas, inclusive profissionais. No triathlon desde 2010, quando tinha 15 para 16 anos, Luísa já realizou feitos impressionantes: Em 2011, foi a primeira amadora geral na 1ª Etapa do Troféu Brasil de Triathlon; terceira colocada no GP Dahma (já entre as profissionais); Campeã da etapa e Cuiabá da Copa Brasil de Triathlon – categoria Júnior, que a classificou para o Mundial em Edmonton/CAN. Voltando ao Troféu Brasil, agora correndo na elite, Luísa foi quinta colocada na 2ª etapa, em São Paulo; e vice-campeã na 4ª etapa. Houve mais alguns grandes resultados em 2011, mas o que me chamou atenção foi o SESC Triathlon Tramandaí. Luísa foi terceira colocada na elite, vencendo nomes como Susana Festner (triatleta do ano MundoTRI 2011), Estefanie Bender, Thaty Porto e Sueli Baronto. Para ser sincero, desde que comecei a cobrir o Triathlon, nunca vi alguém com tanto orgulho de estar no pódio quanto Luísa em Tramandaí. Ela estava, realmente, muito feliz de ter podido competir ali, com muitas meninas nas quais ela se espelha. Mais do que uma promessa de desempenho (isso já é quase um fato), Luísa tem o espírito e o caráter que precisamos no esporte. Ela demonstra tudo isso nessa grande entrevista que me concedeu esta semana:

MundoTRI: Luísa, você veio da natação, como foi seu início no Triathlon?

Luísa Duarte: Além da natação, sempre pratiquei vários outros esportes que envolviam a corrida. Meu professor de tênis e um amigo me diziam para entrar no Triathlon, mas ainda era muito nova. Em 2010, o Marcelo emprestou sua bike, e fiz minha primeira prova, um mini Triathlon na Copa do Interior, em Piracicaba. Mesmo sofrendo muito, adorei a prova e peguei gosto pelo esporte. Decidi que queria arriscar, então, em janeiro de 2011, mudei-me para São Carlos, começando os treinos de ciclismo e corrida.

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Luísa, no SESC Triathlon Tramandaí

MundoTRI: Em menos de dois anos, você saiu do nada para alguns pódios na elite brasileira, isso tudo com apenas 17 anos. A que atribui essa evolução?

Luísa Duarte: Sempre fui muito focada e determinada, tanto na natação quantos nos estudos. Queria fazer o melhor que pudesse, o tempo todo, ultrapassando meus próprios limites. Levo isso em cada treino, tentando fazer o melhor treino possível a cada dia, melhorando de pouquinho em pouquinho.

MundoTRI: E, em sua breve mas intensa carreira, quais foram os melhores e piores momentos?

Luísa Duarte: Os melhores momentos foram em Edmonton, no Canadá, foi uma experiência enorme, tudo era muito diferente. E também na Quarta Etapa do Troféu Brasil. Ao cruzar a linha senti tudo aquilo que sonho em um dia fazer. É possível, basta acreditar e se esforçar. Além disso, foi muito bom viver aquele momento com meu irmão e meus pais! Os piores, posso dizer, que acontecem até hoje, ainda sinto muita falta da família, dos amigos e da vida que tinha antes do Triathlon. Apesar disso, vale muito a pena continuar.

MundoTRI: Acredito que você queira se tornar profissional (na verdade você está quase lá). Pretende fazer faculdade também ou se dedicar 100% ao esporte?

Luísa Duarte: Esse ano entrei na Universidade Federal de São Carlos, para o curso de bacharelado em Educação Física, que é noturno. Então, será possível treinar em dois períodos e nos finais de semana e estudar à noite. Será difícil no começo, mas é só até me adaptar à nova rotina.

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"Me vejo nas Olímpiadas do Rio! A meta é participar em 2016, e, em 2020, ir para tentar brigar por medalha!"

MundoTRI: E como sua família lida com essas questões? Teve algum problema durante o Ensino Médio?

Luísa Duarte: Minha família toda sempre me incentiva e dá todo o apoio necessário para continuar aqui. Nunca houve cobrança pela parte dos meus pais, sempre disseram para eu fazer o melhor de mim, nada mais que isso. Além disso, sempre fiz, praticamente, tudo com o meu irmão. Nós crescemos juntos, na escola e nos treinos. Hoje ele é o meu maior ponto de apoio.

Nunca tive problemas, o primeiro e segundo ano fiz na minha cidade natal, Araras, de manhã. Apenas o terceiro ano foi aqui em São Carlos, no período noturno.

MundoTRI: Por falar em Ensino Médio, como costuma lidar com as constantes festas desse período da vida?

Luísa Duarte: Na verdade, nunca fui muito chegada em festas, com muita gente, sempre preferi algo mais tranquilo, caseiro. Mas existem épocas para tudo, é só ter consciência e se divertir!

MundoTRI: Vamos falar um pouco do seu dia a dia. Quem é seu técnico? Quanto e como treina por semana?

Luísa Duarte: Atualmente, meu técnico é o Eduardo Braz, do SESI-SP. Treino todos os dias, em dois períodos, geralmente temos uma folga aos domingos à tarde. Tenho treinado muito a questão técnica, principalmente na natação e na corrida.

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Ainda a veremos muitas e muitas vezes no pódio

MundoTRI: Em quem você se espelha no esporte, quais seus ídolos?

Luísa Duarte: Dentro do Triathlon admiro o Reinaldo Colucci, pois acompanho grande parte dos seus treinos. Ele é um ótimo exemplo, como atleta e como pessoa. Fora, me espelho no Lance Armstrong e em toda sua história de superação.

MundoTRI: Nas horas vagas você tem algum hobby? Algum outro esporte que pratica fora de temporada?

Luísa Duarte: Durante as horas vagas gosto de ler, ver filmes e conversar com os amigos. Nas férias, aproveitei para rever toda a família (primos, tios, avós…), ir à praia, reencontrar os amigos da escola e da antiga equipe. Quanto a outro esporte, o que mais fiz foi jogar tênis de mesa!

MundoTRI: Onde você se vê daqui cinco anos? Qual sua grande meta?

Luísa Duarte: Me vejo nas Olímpiadas do Rio! A meta é participar em 2016, e, em 2020, ir para tentar brigar por medalha!

MundoTRI: Alguém que você queira agradecer?

Luísa Duarte: Gostaria de agradecer à minha equipe, o SESI-SP, mais uma vez ao Marcelo, que até hoje tem dado uma grande ajuda; aos técnicos: de tênis – Ivan; e de natação – Clauber e Fabiano. Além dos meus pais, irmão e amigos, que apesar de longe, sempre estão por perto!

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