Artur do lago, o menino prodígio do Triathlon brasileiro

21/10/2011 por Enviar por e-mail Imprimir
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Tritar Rio de Janeiro

Uma das jovens promessas do Triathlon brasileiro, o triatleta Artur do Lago, de apenas 16 anos, já coleciona conquistas em sua carreira. Dono de uma notória maturidade para sua faixa etária, Artur conversou com o editor do MundoTRI, Wagner Araújo, sobe o que espera do futuro e a importância de trilhar seu caminho esportivo com apoiadores como a Mynd Sportswear e a Santaconstancia, que acreditam no constante desenvolvimento do atleta.

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Artur do Lago

Artur, você tem apenas 16 anos. Fale um pouco sobre seu começo no Triathlon, como foi seu desenvolvimento no esporte?

Artur do Lago: Eu comecei no Triathlon com 9 anos. Fazia natação no clube, muito por obrigação dos meus pais, pois tinha problemas de asma. Assim, eu ia mais por obrigação, só para cumprir tabela mesmo. Uma vez, fui nadar e vi uma bicicleta de estrada. Eu já tinha visto antes. Elas eram do meu tamanho, eu fiquei encantado com as bicicletas. Informei-me o que era e procurei uma escolinha de Triathlon. Na semana seguinte eu já estava inscrito, ainda usando a minha mountain bike, mas já estava naquele meio, e de lá eu nunca mais parei.

Como foi sua evolução? Você começou a trabalhar primeiro na natação, depois ciclismo, corrida… Qual disciplina você considera sua melhor?

Artur do Lago: Eu fiquei nessa história da escolhinha até os 12 anos, quando eu era o único atleta remanescente. Meu técnico, Gustavo, disse que a escolinha acabaria, mas eu retruquei dizendo que queria continuar. Disse que queria continuar no Triathlon, levar mais a sério. Os treinos aumentaram, se intensificaram. E foi a partir daquele momento que eu comecei a investir mais na natação, para conseguir ficar tranquilo no primeiro pelotão nas provas. Desde lá, meu foco tem sido natação. Este ano foquei o ciclismo também. Assim, estou caminhando de acordo com as modalidades, para eu começar uma prova saindo na frente e permanecer na frente. Então, hoje em dia, as minhas modalidades mais fortes são natação e ciclismo.

Você é notoriamente um ciclista muito forte. Isso é meio um dom natural, dado ao pouco tempo de treinamento que você tem na sua carreira?

Artur do Lago: Para todo triatleta, o ciclismo é o esporte que mais chama a atenção. As bicicletas, o entretenimento em cima disso, competições internacionais, grandes voltas…então o atleta fica mais fascinado pelo ciclismo. Comigo não é diferente, eu tenho um fascínio um pouco maior pelas bikes de estrada, mais do que as de contrarrelógio. Lá em Santa Catarina, eu corro pela equipe do Havaí de Ciclismo. Isso me dá não só motivação, mas muita experiência também. Eu aprendo muito, os meus companheiros de treino andam no pelotão de elite do Brasil. Em Florianópolis, os locais para pedalar são propícios para você adquirir um bom preparo no ciclismo: muita subida e muito vento. Então, isso tudo ajuda.

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Quais foram os momentos mais importantes em sua breve carreira, que já é recheada de conquistas?

Artur do Lago: Por incrível que pareça, quando você se prepara muito e tem um mau resultado, o momento fica marcado. A partir desse resultado, nas semanas que se seguem, pelo menos comigo, tenho uma motivação extraordinária e cresço mais. Então, após as competições, independente do resultado bom ou ruim, vejo onde estou e onde quero chegar. Então, sempre forço mais nos treinos, faço os treinos como tem que ser feitos e aí é a minha maior evolução. Por eu ser novo ainda e fazer um trabalho de corrida intenso, mas ainda com pouco volume, tenho um pouco de dificuldade nas provas de Triathlon para encaixar uma corrida boa. Para mim, os melhores resultados são sempre provas de Aquathlon, porque tenho uma corrida que é razoável, mas depois do ciclismo fica muito afetada. Nas provas do Catarinense de Aquathlon, eu consigo nadar bem e correr bem. Sempre me destaco. Este ano, fui vice-campeão geral, melhorando minha colocação a cada prova.

Você, provavelmente, deve pensar em um dia correr na elite, buscar uma vaga olímpica ou algo desse gênero. O que você tem de programação, ou até mesmo sonho, pra sua carreira nos próximos anos?

Artur do Lago: Acho que você já falou tudo. Meu foco, meu sonho, são as Olimpíadas. Eu já pratiquei muitos esportes e eu sempre assistia às Olimpíadas, de todos os esportes, sempre que podia. Tenho um fascínio enorme por essa competição. Gosto das outras competições de Triathlon, as competições de longa distância, das provas de Ironman etc. Mas sou apaixonado mesmo pelo Triathlon olímpico. O circuito ITU, as WCS (World Championship Series), as WC (Wolrd Cups), são os que mais me fascinam e é aonde eu quero chegar. Faço um trabalho todo voltando a isso: focando a natação, que é muito importante para sair no grupo da frente ter chances na prova; trabalhando o ciclismo para me manter no grupo da frente e sair para correr com os líderes; e, mais para frente, intensificar a corrida, para um dia chegar às Olimpíadas. Agora, com os Jogos de 2016 no Brasil, as Olimpíadas estão em voga e todos estão prestando muita atenção nisto.

Interessante que você falou em longa distância. Algum dia você pretende fazer um Ironman, ir para o Havaí também? Talvez mais para o final da carreira?

Artur do Lago: Claro que sim! Com certeza, acho que não seja nem questão de final de carreira, mas quando alguém alcança o objetivo, tem que se manter motivado. O Ironman do Havaí, e qualquer tipo de prova de longa distância, é interessante e eu admiro muito. Admiro outros atletas e acompanho as provas quando posso. Há também questões de mercado. O atleta que não se sustenta mais em uma prova olímpica acaba migrando para uma prova de Ironman. Hoje em dia há atletas ganhando o Ironman do Havaí com 38/39 anos. O Triathlon é um esporte que cada vez mais proporciona ao atleta uma vida profissional mais extensa.

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Algo que deve ser difícil na sua idade é o fato de todos de sua turma na escola, seus amigos, estarem sempre saindo para balada. Há muita curtição, muita farra e isso é um pouco incompatível com a rotina de treinos de um atleta. Como você lida com isso, como você passa para os seus amigos e como eles recebem isso de você também?

Artur do Lago: Acaba que, por eu ter essa dedicação ao Triathlon, as pessoas às vezes interpretam que eu tenho poucos amigos, mas eu costumo dizer que os amigos que tenho são pra valer. Esses amigos entendem que eu não posso estar sempre presente, como em um programa de última hora. Eu também saio e me divirto, mas são coisas planejadas, conversadas com meu técnico para ter o dia seguinte sem treinos ou o dia seguinte com um treino leve. É tudo uma questão de planejamento. Eu não posso dizer que eu me privo de tudo. Eu consigo, e todos os atletas conseguem, ter diversão e lazer com os amigos também. Só é necessário ser algo planejado e pensado, a casualidade acaba não ocorrendo muito. Não faço aquele programa de última hora, a oportunidade do momento acaba ficando para trás. Uma competição, uma prova, um treino importante… uma festa perto nem pensar. Mas faço o que gosto e não me sinto mal por isso, pois sei que faz parte da escolha que fiz.

É interessante ver que há empresas que acreditam nesse trabalho de longo prazo, como a Santaconstancia e a Mynd Sportswear. Como começou essa parceria?

Artur do Lago: No começo deste, ano eu estava em busca de patrocinadores para poder ter uma estrutura melhor para poder competir durante o ano, para poder me sentir motivado. Quando alguém confia em seu trabalho, você se sente motivado. A Mynd é uma empresa nova, e eu fui até o seu fundador, Cláudio Cordiolli, e logo nós firmamos um contrato. O investimento que eles fazem em mim é algo que me motiva muito. É igual ao que fazem com os atletas de elite, então eu me sinto muito bem amparado. Como a Mynd utiliza 100% dos tecidos da Santaconstancia, daí surgiu o apoio também.

O que você vê de diferencial nos produtos da Mynd e nos tecidos da Santa, principalmente em relação aos produtos de fora?

Artur do Lago: Eu acredito que não eles não têm nada a perder em relação aos produtos de fora. Essa relação da Mynd com a Santa acabou gerando produtos que, se você trocar a etiqueta, acredita ser igual aos importados, como um bretele italiano ou uma camisa americana. Eles não perdem em nada, realmente. A Mynd é pioneira no Brasil. Nenhuma outra empresa fez um produto dessa qualidade, voltado a um público que vai deixar de trazer produto de fora e comprar um produto nacional da mesma qualidade ou até superior. E Isso tufo é muito importante para o crescimento do mercado no Brasil.

Por fim, alguma mensagem que você queira dar aos nossos leitores, principalmente a molecada da sua idade que está começando ou querendo começar no Triathlon?

Artur do Lago: Gostaria de dizer para todos se manterem motivados e treinando, pois é isso que gera resultados. Prestem atenção em mim, pois eu vou fazer o máximo para aparecer cada vez mais no cenário nacional (risos)! Obrigado.

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