Opinião: Lance Armstrong retorna ao Triathlon, e em grande estilo
Por Wagner Araújo, editor do portal MundoTRI e da Revista MundoTRI
Logo após o término do Campeonato Americano de XTERRA, recebemos um e-mail na redação dizendo o seguinte: “Vocês não vão comentar o vexame de Lance Armstrong no XTERRA?! Eu esperava que ele ganhasse fácil, mas nem fez o melhor pedal da prova!”. O e-mail foi tão contundente que resolvi expressar minha opinião pessoal sobre o assunto publicamente.
“Apesar de eu querer pensar que eu possa ganhar ou que eu seja o favorito, eu acredito que seja irresponsabilidade pensar dessa forma. Eu não compito em um Triathlon há mais de 20 anos, eu não faço uma largada com tantas pessoas na natação desde essa época. Esse esporte é muito diferente do ciclismo.”-Lance Armstrong
A minha resposta começa com uma pergunta simples: o resultado de Lance Armstrong foi bom ou ruim?
O startlist da prova teve nomes de peso do XTERRA: os sul-africanos Conrad Stoltz, duas vezes atleta olímpico e campeão mundial de XTERRA, e Dan Hugo, uma lenda do triathlon off-road; Nico Lebron, o vencedor; e muitos outros.
Há mais de 20 anos, Lance disputava competições de Triathlon, no início de sua carreira. Seu potencial no pedal logo o levou a abandonar o multiesporte e a se dedicar ao ciclismo, esporte com retorno financeiro e de mídia mais atrativos. Todos os triatletas sabem que o pedal no Triathlon é muito diferente do pedal no ciclismo, independente se é um Triathlon com ou sem vácuo, ou uma prova off-road ou on-road. O motivo é simples: nós, triatletas, ao logo dos anos, adaptamos nosso pedal para podermos correr o melhor possível depois. Já os ciclistas, não têm essa preocupação. Dessa forma, Lance condicionou seu corpo a pedalar muito forte ao longo de 20 anos, mas sem nenhuma preocupação com uma posterior corrida. Agora imagine você, depois de duas décadas, voltar a correr depois de pedalar. Claro, Lance tem treinado corrida há alguns anos, mas ele correu com atletas que estão há anos no Triathlon.

Foto: XTERRA Media
Lance também não estava acostumado a pedalar depois de nadar. Uma coisa é subir na magrela com tudo em cima, outra é clipar seu pedal com o coração na boca após uma natação intensa. Assim, só considerando o tempo afastado do nadapedalacorre, o quinto lugar de Lance no meio das feras do Cross Triathlon já é um feito de impressionar. Se acrescentamos a isso o fato de Lance ter 40 anos de idade, sua 5ª colocação é, além de um ótimo resultado, é também muito promissora. O bicampeão mundial de Ironman, Tim de Boom, também competiu em Ogden (Utah). Sua colocação? Um 16º lugar, e muito comemorado, graças ás condições da prova: largada a mais de 1.700m de altitude e mais de 700m de subidas ao longo do percurso.
Lance tem uma capacidade extraordinária de chegar ao seu limite, o que ficou evidente após a prova. Ele foi o atleta da elite que mais demorou a se recompor após a chegada. Foram 10 minutos até poder contar aos microfones de todo o planeta suas impressões sobre seu desempenho na competição.
Antes de largar, Lance havia declarado: “Apesar de eu querer pensar que eu possa ganhar ou que eu seja o favorito, eu acredito que seja irresponsabilidade pensar dessa forma. Eu não compito em um Triathlon há mais de 20 anos, eu não faço uma largada com tantas pessoas na natação desde essa época. Esse esporte é muito diferente do ciclismo.”
Após cruz a linha e se recuperar do extremo cansaço, o americano disse à equipe de mídia do XTERRA: “Aos 40 anos, eu acho que poderia ter ido para casa, ter tomado algumas cervejas e jogado Golf o dia inteiro. Mas é muito bom vir aqui e testar os meus limites, além de apoiar um esporte que eu acho muito interessante.”

Foto: XTERRA Media
Lance pode, ironicamente, ser considerado uma “promessa” do Triathlon, especialmente nas provas de off-road e de longa distância com percursos mais duros no ciclismo.
O respeito por ele ficou claro nas declarações do vencedor, o francês Nico LeBrun: “Eu disse a mim mesmo: estou passando Lance na bike, isso é um sonho? Foi a minha primeira vitória do dia.”
Acima de tudo, a impressão maior é que Lance está se divertindo muito com os novos desafios, exatamente como alguém que está iniciando no Triathlon. E é exatamente isso que espero dele, realização pessoal no esporte, seja vencendo ou não, mas sempre “torcendo o cabo” até o final. Mais do que um novo ídolo, nosso esporte ganha um embaixador capaz de mostrar a todo o mundo leigo a beleza do nadapedalacorre. Quanto ao futuro de Lance, ele ainda não decidiu, mas não duvido que veremos uma nova horda de triatletas iniciando em nosso esporte com o legado de Armstrong.
Se você não viu os resultados da prova, aí estão:
Campeonato Americano de XTERRA
Ogden, Utah – 24 de setembro de 2011
1,5km de natação/30km mounain bike/10km corrida
Pos. Pos. Natação Bike Corrida Total
1 Nicolas Lebrun :24:00 01:21:59 :38:27 02:24:26
2 Dan Hugo :21:28 01:22:56 :40:26 02:24:50
3 Josiah Middaugh :23:36 01:24:03 :37:58 02:25:37
4 Conrad Stoltz :22:15 01:22:48 :42:27 02:27:30
5 Lance Armstrong :21:55 01:24:32 :42:58 02:29:25
6 Branden Rakita :21:23 01:27:32 :41:12 02:30:07
7 Ben Allen :20:46 01:31:55 :40:45 02:33:26
8 David Henestrosa :22:35 01:33:06 :37:47 02:33:28
9 Brad Zoller :21:40 01:32:19 :39:36 02:33:35
10 Cody Waite :25:28 01:28:20 :40:32 02:34:20
11 Will Kelsay :25:29 01:28:18 :41:04 02:34:51
12 Ryan Ignatz :25:52 01:31:21 :40:13 02:37:26
13 Seth Wealing :21:37 01:35:51 :40:34 02:38:02
14 Nick Fisher :31:32 01:26:49 :39:54 02:38:15
15 Jason Michalak :23:56 01:33:58 :40:38 02:38:32
16 Tim Deboom :23:01 01:37:19 :39:39 02:39:59





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