Entrevista: um bate papo com Felipe Manente
Sempre presente nas provas, seja competindo ou torcendo pelos amigos, o triatleta e Educador FÃsico Felipe Manente é o tipo de pessoa que todos admiram pela gentileza e dedicação nos treinos. Este ano, o atleta estreou nas provas de Ironman e pretende encarar agora o Mundial de Longa Distância da ITU. Entre um treino e outro, Manente conversou com nosso editor, Wagner Araújo sobre os planos para sua carreira.
1. Manente, você começou muito novo no esporte. Conte-nos um pouco do inÃcio de sua carreira.
Felipe Manente: Comecei com 14 anos. Eu era estudante do ensino fundamental em uma Escola Pública aqui em São José-SC, quando a FETRISC foi oferecer em sala de aula, um projeto de iniciação esportiva de triathlon. Até então, eu não tinha nenhum contato e só sabia o que era triathlon porque tinha visto na TV, meses antes, algumas reportagens sobre o Ironman Brasil, que acontece aqui, e tinha achado o máximo. Mal sabia que começar a praticar triathlon iria mudar a minha vida completamente. De alguém como qualquer outro aluno de ensino fundamental, eu passei a ser um triatleta. Comecei a gostar, a treinar mais e mais, fui parar na equipe de treinamento de São José e, de repente, estava no CNTT da CBTri. Isso foi marcante para mim, pois aà que entrei de vez na Elite, e comecei a treinar cada vez mais, a ter algum reconhecimento das pessoas pelo meu trabalho.
2. Apesar de muito novo, você tem um histórico longo no Triathlon olÃmpico. Agora que está focando em provas de longa distância, como você vê as duas modalidades?
Felipe Manente: Eu considero Triathlon OlÃmpico uma coisa, e Triathlon Longa Distância outra coisa bem diferente. São provas diferentes, com caracterÃsticas e exigências completamente diferentes. A prova olÃmpica exige do atleta uma excelente natação para sair no pelotão, um ciclismo eficiente ao ponto de segurar o pelotão, para decidir na corrida, onde o atleta tem que ser muito bom, para poder ganhar alguma coisa. Já na prova longa, o atleta tem que ser um excelente ciclista, com uma boa corrida. A natação não interessa tanto como no OlÃmpico.
3. E o que mais lhe grada em cada distância?
Felipe Manente: O que mais me agrada nas provas longas é, com certeza, o ciclismo sem o vácuo. Isso é motivante para mim, que sempre tive como caracterÃstica o ciclismo mais forte que as outras modalidades, e uma natação mais fraca. Uma das coisas que não me agrada muito é o fato de competir poucas vezes. No OlÃmpico, competia quase que toda semana. Treinando para as provas longas, sinto muita falta disso. Tentei fazer algo assim agora nas últimas provas, e vi que não dá muito certo. Exatamente por isso não deixei nem vou deixar de correr as provas curtas. Gosto muito das provas OlÃmpicas e de Sprint. No futuro, pretendo me dedicar novamente à s provas curtas.

Foto: Adriano Ramos
4. Como foram seus treinos para o Ironman deste ano?
Felipe Manente: O que eu posso dizer com toda certeza é que eu realmente treinei muito para o Ironman Brasil. Acho que nunca havia treinado tanto assim antes. Eu queria mais do que nunca fazer uma boa prova, pegar a vaga e realizar o sonho de qualquer triatleta de ir para o Havaà (já que fui sorteado com a inscrição pela FETRISC e só poderia correr no Age Group), afinal, foi por causa do Ironman que eu comecei no triathlon. Sofri bastante, aprendi e amadureci bastante treinando pro Ironman. Eram treinos que me consumiam muito fÃsica, e psicologicamente, e a maior barreira foi, com certeza, o fato de treinar sempre sozinho. Ademais, tive que conciliar isso tudo com o último semestre da faculdade.
5. O que você acha que poderia ter mudado na preparação ou na prova em Floripa?
Felipe Manente: Da prova eu não me arrependo de nada. Eu fiz o que fiz totalmente consciente do que era para ser feito e do que eu tinha treinado. Natação para 51 minutos e ciclismo para 4h47, quando saà para a corrida entre os 15 primeiros. Na corrida, eu abandonei a prova depois de sentir a minha lesão, e também não me arrependo disso. Infelizmente, eu estava lesionado, já larguei sabendo que poderia me incomodar em algum momento da prova, mas resolvi tentar, pois treinado, eu estava.
Cerca de 1 mês antes da prova, após competir na Copa Brasil de Sprint Triathlon em Cuiabá-MT, eu tive uma tendinite no joelho. Consegui levar os treinos, já que estava começando a descansar, sem pedalar praticamente nada até a prova, pois sentia muita dor pedalando. Infelizmente aconteceu. Acho que não era para ser!
6. Felipe, quais seus objetivos para o fim de 2011 e 2012? Vai tentar se classificar para o Mundial de 70.3 em Las Vegas?
Felipe Manente: Meus objetivos de 2011 eram, a princÃpio, vencer a categoria SUB 23 no Brasileiro de Longa Distância, pegar a vaga para o Pan-americano e Mundial de Longa Distância (ITU) na SUB 23, já que é meu último ano nessa categoria. Venci, peguei a vaga e também já competi no Pan-americano. Agora, o objetivo passa a ser o Mundial de Longa Distância da ITU, que acontece também em Las Vegas (assim como o Mundial de 70.3) dia 5 de novembro. Não sei se terei recursos financeiros suficientes para participar do Mundial, mas estou tentando. Passado o Mundial da ITU, o principal objetivo é, com toda certeza, classificar pro Mundial de Ironman 70.3 de 2012 em Las Vegas. Já conversei com meu treinador sobre isso, e já estamos montando o calendário de 2012.
7. O que você tem utilizado em termos de equipamento e vestuário? Como isso tem influenciado seu desempenho?
Felipe Manente: Uso roupas de treino e competição da 3T, confeccionadas com tecidos tecnológicos da Santaconstancia. Essas roupas realmente me dão todo o conforto necessário para a melhor performance. Acredito que uma boa roupa ajuda, e muito, a suportar os treinos com uma melhor qualidade. Utilizo uma bicicleta Gray Storm TT. Um bom quadro, nada de muito absurdo. Tenho um par de rodas Corima Carbon de perfil médio, e uma roda fechada Mavic. Uso sapatilhas Louis Garneau com solado de carbono, capacete Giro Atmos, e um Met de Time Trial. Uso os tênis K-Swiss K-ona para competição. Óculos de natação da Hammerhead, pois acho bem confortável.
8. Quais são seus grandes Ãdolos no esporte (não necessariamente no Triathlon), como eles o inspiram em sue dia-a-dia?
Felipe Manente: Tenho como grande Ãdolo no triathlon o Neozelandês Bevan Docherty. Eu o vi competir e vencer a Copa do Mundo de Edmonton- CAN, onde o grande Reinaldo Colucci foi quinto. Realmente um excelente atleta. Tem um vÃdeo de um Sprint final dele que serve de motivação para qualquer atleta.
9. Como você concilia sua vida social com o esporte, já que, na Faculdade, você deve ter inúmeros convites de festas e baladas?
Felipe Manente: Olha, para falar a verdade, isso é uma questão de escolha. Quem me conhece, sabe que não troco uma boa noite de sono e descanso por uma festa ou uma balada. Posso contar nos dedos as vezes em que saà para alguma coisa diferente de treino ou competição, ou algo relacionado ao Triathlon. Cuido-me bastante com relação a isso. Não tem jeito. Se você quer ser atleta de rendimento, tem que abrir mão de muita coisa.
10. Alguém que gostaria de agradecer?
Felipe Manente: Agradeço aos meus patrocinadores e apoiadores, são eles 3T Triathlon, FME de Florianópolis-SC, Bolsa Atleta, CBTri. Agradeço imensamente também ao meu treinador Marco Antônio La Porta Júnior, que topou junto comigo desde o inÃcio a treinar para as distâncias maiores e sempre me dá todo o apoio e atenção necessária. E Obrigado à redação do MundoTRI pela oportunidade. Vemos-nos em breve nas provas!





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