Entrevista: conheçam a triatleta Lícia Oliveira

19/08/2011 por Enviar por e-mail Imprimir
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Tritar Rio de Janeiro

Um das triatletas amadoras mais talentosas do Brasil, Lícia passou um tempo longe dos holofotes para tratamento de lesões, após uma breve participação como profissional. Com motivação renovada, a dentista paulista retorna às grandes competições este ano, visando retomar a fase quando se classificou sem dificuldades para o Ironman do Havaí.

DSC3449 520x390 Entrevista: conheçam a triatleta Lícia Oliveira

Foto: Wagner Araújo

1. Lícia, você veio da natação, correto? Como foi seu início no Triathlon?

Lícia: Sim, eu fazia maratona aquática e nadava todos os dias. O que foi me cansando, por isso busquei outras atividades. Meu irmão sempre pedalou e me incentivou a começar na bike. E, aos poucos, comecei a pedalar e correr. Conheci o Ronaldo Martinelli, dono da 5Ways e aos poucos fui me interando no Triathlon. Fiz minha primeira prova de mountain bike. Gostei da brincadeira e logo comprei minha primeira bike de estrada. Assim, comecei com provas de Short Triathlon.

2. A maioria dos triatletas tem dificuldade com a natação. Você acredita que o fator de ter um histórico na água ajudou seu rápido desenvolvimento no multiesporte?

Lícia: Tenho certeza que sim, já li até trabalhos e matérias que dizem que bons triatletas vieram da natação. Acredito que a natação nos dá um bom condicionamento cardiorrespiratório.

3. Que tipo de prova você mais gosta, as curtas, de alta explosão; ou as longas e mais cadenciadas?

Lícia: Gosto muito mais das provas longas, com certeza!

4. Por falar em provas longas, você já esteve no Mundial de Ironman no Havaí, feito que é um sonho para muitos triatletas. Como foi sua experiência em Kona?

Lícia: Kona é única… A energia daquele lugar, a vibração… Todos ali focados no Ironnan, é indescritível! Diferente de outros Ironmans, em Kona não existe aquela pressão da prova em correr pela vaga. Você já está no mundial! Estão todos em um ótimo astral, curtindo, sem um peso no ombro. Sem falar no lugar que é incrível.

Mas, nem tudo são flores. A prova é insana! Nós não temos condições climáticas nem parecidas para treinarmos para Kona. Aquelas rajadas de vento não existem aqui. Logo, sempre se chega lá completamente sem treinos para aquele tipo prova. Foi como me senti: “Não treinei para estar aqui!”

Na corrida carrega o peso do pedal, e ainda encara altas temperaturas. No meu ano, a sensação térmica chegou a 42ºC

Contudo, vale a pena. Eu costumo dizer a todos os meus amigos: pelo menos entrem na loteria, para de uma forma ou de outra, poderem estar lá.

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Foto: Wagner Araújo

5. Em 2009, depois de diversos resultados expressivos como amadora, você chegou a correr como profissional. Algum tempo depois, retornou para as faixas etárias. O que a levou a entrar e a sair das disputas na elite?

Lícia: Resolvi entrar na elite, pois, no Iron Brasil 2008 ainda no amador, achei que a vaga estava ganha e deixei uma gringa me passar sem ir atrás! Acabei a prova com o mesmo tempo do ano anterior. Entrei para a prova muito confiante, achei que estava ganha. Na verdade, não treinei o suficiente, pois estava sem estímulos… estava tudo muito fácil.

Foi então que resolvi entrar para o profissional, uma forma de me estimular a treinar mais forte e competir com meninas melhores que eu, forçando-me assim a melhorar minhas marcas.

Acabei o ano de 2009 com duas lesões sérias, uma em cada quadril. Tive que ficar o ano de 2010 só me recuperando, sem competir. Foi aí que resolvi voltar para o amador. Não era hora de me pressionar. Eu preciso voltar primeiro, depois volto a me cobrar resultado.

6. Sua atuação como dentista permite que você tenha horários flexíveis, o que facilita muito a conciliar os compromissos profissionais com o esporte. Você acredita que teria o mesmo nível de desempenho caso tivesse uma rotina mais rígida?

Lícia: Sou bem dedicada em relação aos treinos. Se tenho treino, faço! O fato de fazer meus horários facilita, e muito, a vida. Consigo me programar para tudo. Se eu tivesse um trabalho com horários, metas e chefes, acredito que minha vida seria mais estressante. Faria os treinos sim, mas a duras penas.

7. Por falar em rotina, como sua família e seus amigos lidam com seus treinos? Muitos deles também praticam esportes?

Lícia: Minha família me dá um mega apoio. Eles são incríveis! Meus pais estão sempre me assistindo, me acompanhando, querendo saber… muito legal.

Meu marido nem se fala, ele é um grande companheiro, além de um super atleta que me acompanha nos treinos, me entende quando não quero sair, quando quero dormir cedo… Costumo dizer que Ironman é um estilo de vida. Se a pessoa que está com você não está sintonizada, a vida vira um inferno. Dormir cedo, não sair, acordar cedo, comer direito, não beber…toda a rotina.

Meus amigos de anos – colégio, faculdade etc. – acham tudo muito legal. Hoje já entendem bem eu sair com eles, não beber e querer voltar cedo. Estão todos envolvidos. A maioria não pratica esporte algum, só academia.

Tenho muitos outros amigos que fazem parte do esporte, são triatletas e corredores que vivem o mesmo dia-a-dia.

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Foto: Wagner Araújo

8. As mulheres esportistas, em geral, acabam sacrificando um pouco dos cuidados pessoais considerados “normais” em prol de seu treinamento. Como você lida com a questão?

Lícia: Faço parte deste rótulo: mulheres esportistas. Não abandono tudo de vez, pois tenho minha mãe e irmã que são super vaidosas, mas me cuido o mínimo necessário.

9 – Lícia, quem são seus apoiadores atualmente?

Lícia: Meus apoiadores como treinadores: Marco Lóng (na China – periodizador e treinador), Luis Gustavo Cunha (da natação) e Ronaldo Martinelli (da 5ways – preparação física).

A Mynd, a marca de roupas esportivas, que a meu ver é a melhor que temos no mercado hoje. Eles me dão maior apoio, fazendo as roupas sob medida, com maior cuidado para fazer tudo ficar perfeito. E eles têm um conceito de apoio a atletas que eu nunca tinha visto antes, conseguindo formar uma grande equipe. E junto, com a Mynd, a Santa Constancia, que nem preciso falar muito, a marca fala por si. A Sta me fornece tudo o que é novo de tecnologia em tecidos esportivos.

Tenho ainda clínica Reactive, uma clínica completa para atletas, que permite que eu e o Ronaldo façamos uma adequada preparação física, que tem sido meu foco nesta fase.

10 – E quais seus planos para 2011 e o próximo ano?

Lícia: Meu foco neste ano é o Ironman Florida, que ocorre em novembro. O intuito é abaixar meu tempo de Ironman.

Farei o ironman Brasil 70.3 em Penha, mas não com gostaria. Não vou poder correr, estou me curando de um estiramento na panturrilha. Estarei lá para participar e fazer mais um treino para o Ironman.

11 – Por fim, como seria sua vida sem o Triathlon?

Lícia: Sem o Triathlon? Nem imagino!

 

 

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