Diário até Kona: Ana Oliva e seu casamento com o esporte
CASAMENTO…
Apesar de sempre ter praticado esportes, ter vivenciado e experimentado modalidades completamente diferentes, chegando a conciliar 3 ou 4 delas durante a semana em algumas fases da minha vida, eu nunca senti o que sinto por este esporte que me dedico hoje.
Realmente gosto muito do Ironman, e é nele que eu quero permanecer. Diria que encontrei “um parceiro” para minha vida, e esse parceiro se chama Ironman. Ele me “fisgou“ e quero levá-lo integrado em minha vida por muito tempo ainda.
Eu o escolhi como um “casamento”; por isso tenho que zelar por tudo o que está à nossa volta… Se realmente desejo que esta relação seja longínqua, saudável, recíproca e, consequentemente, feliz, preciso cuidar de toda a minha vida em conjunto com o meu parceiro Ironman.
EQUILÍBRIO!
Eu preciso aprender não levar tudo tão a sério, tão a “ferro e fogo”. Meu perfil extremamente perfeccionista acaba me levando ao desequilíbrio. Durante o percurso, isso pode causar problemas e imprevistos que saiam do controle, aumentando minha exposição ao risco de fracasso desta relação de LONGO PRAZO.
Exatamente como um CASAMENTO. É preciso somar as partes inteiras, e não apenas duas metades. Complexo, não?
Em minha vida, resolvi encarar o Ironman como, praticamente, um segundo emprego. Levo a sério. Incorporei o espírito e o conceito. Eu decidi assim e, para mim, isso faz sentido. E, na verdade, isso não é um sacrifício, é da minha natureza! Sou assim com tudo em minha vida. Não sei fazer as coisas “mais ou menos”… E quero continuar fazendo por muito tempo, mas, para isso, preciso aprender a simplificar… Facilitar… Tentar organizar meu dia-a-dia de forma um pouco diferente e me permiti falhar… Errar… Aprender… Parar… Pensar… Refletir…
Ao repensar meu histórico esportivo, vi gostava de tudo! Mas, tive fases que só fazia ginástica olímpica, ou só jogava Handball, ou só nadava, ou só surfava (bem mal), ou só jogava queimada, ou só jogava basquete, ou só jogava capoeira, porém a dedicação e o foco maior era para apenas em um único esporte.
Eu não entendia como o Ironman é muito mais do que simplesmente “nadar-pedalar-correr.” Envolve alimentação rigorosa, descanso, doutrina, equilíbrio, paciência, aceitação, garra, raça, um pouco de charme feminino, tapas na cara (dados e recebidos) e, principalmente, homogeneidade.
Sim, ser homogêneo e constante.
Trabalhar no escritório, ir nadar, nadar, nadar, sair, voltar, responder e-mails, trabalhar, mais e-mails, sair e ir pedalar, pedalar, pedalar, pedalar, voltar e responder mais e mais e-mails, trabalhar, trabalhar e trabalhar de novo, sair e ir correr, correr, correr, correr, voltar a trabalhar… E esquecer-se de dormir, sair pra um café, ir ao cinema, almoçar com a família, e VIVER BEM, ENQUANTO VIVER . . . Esse é o conceito! Incorporei a primeira parte e me esqueci desta segunda parte – vital – diga-se de passagem!
Eu quero ser competitiva no Ironman? SIM!
No Hawaí, a situação é outra. Eu diria que bem complicada. O nível é altíssimo: fui apenas a quadragésima colocada no geral AGE GROUP feminino em 2010. Vocês percebem a distância do caminho que tenho pela frente?
É longo, muito longo, e por isso não adianta eu sair correndo como uma “louca desvairada” que quer abraçar o mundo com meus bracinhos curtos!
É preciso ter cadência… Ser homogêneo… Linear…
Eu preciso ser homogênea… E paciente!
Às vezes, temos alguns acidentes de percurso. Surgem algumas adversidades… Alguns sinais que nos fazem parar e refletir.
Passei por isso recentemente, vi o quanto sou insignificante e que tenho muito – mas muito mesmo – a aprender!
Não podemos ser imediatistas e pensar apenas no agora.
Devemos pensar na longevidade visando preservar o corpo, a mente e uma performance linear na vida útil no esporte.
Por AMOR… Amor pelo “muito mais que um simples nadar-pedalar-correr”… Amor pela vida!!!
O mais legal é saber que neste esporte chamado Ironman, que tem princípios e conceitos diferentes dos outros esportes, a vitória não é apenas chegar em primeiro lugar.
A vitória é chegar.
E, chegar inteiro… Sentindo-se bem e lúcido, já pensando no ano seguinte.
Como em um casamento, não tem segredo:
PACIÊNCIA! PACIÊNCIA! PACIÊNCIA!
E MAIS UM POUCO DE PACIÊNCIA!
Para finalizar, acho que vale a reflexão…
“Saúde se tem de graça, no ar que se respira, nos bons sentimentos e pensamentos que se mantêm, na atividade sábia (ginástica e esporte), no repouso (sono ou relax), no chá de ervas, na boa mastigação, e principalmente, na consciência livre de culpa.” (Hermógenes
Boa semana! Bons treinos!
Aninha.
@oliva_aninha
www.aninhaoliva.com.br
















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