Diário até Kona #4: Topan e sua luta para se tornar um grande corredor
“If someone says: Hey I run 100 miles this eek. How far did you run? Ignore him! What the hell difference dois it make? The magic is in the man, not the miles” – Bill Bowerman
Muitos afirmam que a corrida é uma disciplina natural ao ser humano; o que é verdade, porém nossa biomecânica foi feita para andar e ocasionalmente correr, geralmente por necessidade (em tempos remotos para caçar a presa ou fugir do predador). Assim, é comum nos triatletas ser esta a atividade que gera mais lesões.
Pessoalmente, comecei a correr apenas com o Triathlon em 2003, porém, como a partir de 2004 já disputava colocações mais sérias, vivi a situação de minha capacidade aeróbia estar em 8, minha estrutura muscular em 6, meus tendões em 4 e meus ossos em 2. Diz a literatura que a musculatura se adapta rapidamente às novas demandas, mas os tendões levam cerca de 4 anos e os ossos até 6 anos. Com a demanda crescente dos treinos e sua necessidade de volume e intensidade para obter perfomance, desde 2005 sofro lesões seguidas nos membros inferiores, apesar de toda cautela de meu treinador; culminando em 2010 que fiquei 6 meses sem correr bursite coxo-femural direita e tendinite no fibular longo esquerdo) e em 2011 mais de 14 semanas offrun tratando uma periostite na canela direita.

Topan em Cozumel - foto: arquivo pessoal
“The Idea that the harder you work the better you’re going to be is just garbage. The greatest improvement is made by the man who works most intelligently.” – Bill Bowerman
Na natação, por exemplo, faço séries insanas e nunca tive nenhuma lesão, porém, nado desde os 6 anos. Por mais de 10 anos nadei competitivamente e em uma época que no infantil se nadava 15.000 por dia na base. Estruturalmente tive uma formação sólida desta modalidade.
A lição que tirei disso é que nesses períodos de “abstinência” se mantivermos a capacidade aeróbia com o ciclismo e a natação e paralelamente fizermos um trabalho curativo e preventivo de musculação (treinamento funcional) a perda é minimizada. Em 2010, fiquei 6 meses sem correr, porém com treinamento funcional pesado. Após 3 meses de treino de corrida fiz a melhor meia (21k) de minha vida no IMPenha70.3 para 1h21min.

Foto: arquivo pessoal
Para Kona2011, voltei a correr em junho em uma progressão bem conservadora e agora estou na última planilha onde temos o famoso longo em terreno mais plano (apenas 2 horas para não corrermos riscos de recidiva da lesão); um trabalho de força com série de 3 x 4 km progressivo em terreno ondulado; uma série de esteira no melhor estilo fartlek com cerca de 1h20’ de duração uns 17k com variações de velocidade de 13 a 16 km/h e por fim, depois do longo de bike, uma transição de 60’ correndo moderado.
No caminho, vou fazer o Ironman Penha70.3, no dia 27 de agosto, para disputar uma vaga para o Mundial 70.3 em Las Vegas 2012. Coach “V” permitiu que eu fizesse a prova (é muito próxima de Kona) com o compromisso de fazer os 21 km bem conservadores. Apenas o necessário para atingir o objetivo da slot para Vegas.
Minha expectativa para outubro é melhorar minha maratona no seletivo percurso da ilha (fiz 3h22min em 2007 e 3h19min em 2009) para manter meu objetivo de ser top10 e o sonho de mais um pódio na elite mundial do Ironman.
Paralelamente, espero ver, este ano, em Kona, corridas muito boas, como por exemplo, a de nosso campeão mundial Ciro Violin (que cravou incríveis 3h em 2010) e também de meu “irmão” e veterano no Hawaii, Leonardo Campos Moreira (bi-campeão em sua categoria no Ironman Brasil 2009 e 2011), que ao lado de Sebastian Castellano tem uma das corridas mais incríveis da 40/44 anos. Por sorte, só compartilho 1 ano de agegroup com esses dois “zatopeks”.

Foto: arquivo pessoal
Assim, sou consciente que estou reconstruindo minha “Road to Kona” na corrida, mas se minhas pernas acompanharem minha mente e os gringos derem mole…I GOING TO RUN TO HELL!
“A lot of people run a race to see who’s the fastest. I run to see who has the most guts!” – Steve Prefontaine
Aloha!
Topan














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