Diário até Kona: Luiz Renato Topan e sua preparação na água
Como um dos melhores nadadores amadores do Triathlon mundial se prepara para um Ironman
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Treinador é que nem médico, ou você confia ou abandona.
Meu treinador é o Vinnie (Vinícius Santana, ex-pro que em 2007 foi o mais jovem atleta da elite a largar em Kona) que estrutura a base de meus treinos.
Porém, em minha natação tenho um pouco de liberdade, pois, além de minha experiência de ex-nadador, tenho a supervisão fundamental de meu swimmingcoach, Marcus Mattioli (medalhista olímpico em Moscou) e os palpites preciosos de um “irmão” – Marcelo Vaccari (nadamos juntos por 10 anos e, em 1980 fomos campeões brasileiros juntos no 4×200 ) – headcoach da equipe do Minas Tenis Clube e inúmeras vezes técnico da seleção brasileira
Sem dúvida, a natação é a mais técnica das 3 modalidades e por isso permite uma “sobrevida” maior a atletas mais velhos. Porém, ela exige um eterno cuidado com a técnica, sendo fundamental séries de educativos, bloqueio, submerso etc.
Noto nos triatletas que muitos fazem treinos insanos de ciclismo, séries impensáveis de corrida e poucos “fazem força” na piscina. Se você quer nadar rápido tem de “treinar rápido”; se você quer ser resistente na água tem fazer volume e treinar resistência. Muitos acham que é bastante “girar” os braços.

Topan no 70.3 Texas 2011 - Foto: arquivo pessoal
Neste mesmo sentido, vivemos fazendo provas de corrida e perseguindo recordes pessoais dos famosos 10k a maratona, mas quase ninguém participa de competições de águas abertas. Só se aprende a nadar forte no mar nadando forte no mar. Além de tudo, nessas provas, como o ritmo é sempre alucinante, aprende-se a fazer muita força na água.
Os Treinos
Muitos me perguntam sobre os “míticos” 100×100. Está série, na verdade, eu só faço no offseason, pois quando estou em preparação séria para um objetivo ela não se adapta às planilhas por seu volume exagerado. Nas férias de verão gosto de fazê-la toda segunda-feira, e geralmente a estruturo assim: 12×4 de craw e 1 de costas A1 + 20 de braço A2 + 20 de braço 50 A3 50 A1 (craw a 1’30”, costas a 1’45” e braço a 1’25”).
Na temporada geralmente faço cerca de 5 treinos semanais de água: um bem aeróbio (estilo 60×100 A1/A2); um ritmado de braço (algo como 15×300 A2 a cada 4’ ); uns 2 de velocidade (ou séries longas de tiros curtos – 60×25 – ou séries curtas com tiros maiores – 8 x 100 AN por 100 A0 ) e 1 regenerativo com muito educativo, borboleta, perna, bloqueio etc.
Quando a prova se aproxima, apesar de manter o volume e a intensidade, procuro nos treinos de velocidade trabalhar explosão com tiros anaeróbios aláticos (tiros de 12,5!!!!!! de craw e borboleta com intervalos bem grandes). Acho esses fundamentais pela dinâmica da natação no IronMan. Se você quer ficar bem posicionado, o dia começa com um tiro de 400m até que a “pipoca” se esfarele. Se sua pretensão é ficar em pelotões fortes (1º ou 2º) deve ser veloz, pois, nesae nível, qualquer vacilo (contorno de bóia; quebras de pelotão etc ) pode significar perder o pé da frente e ficar nadando sozinho.
A Prova
Durante a prova, mantenha o foco sempre na técnica (costumo nadar repetindo mentalmente: técnica…técnica…técnica…), pois quando o acido lático atacar é ela que vai lhe salvar. Quando for contornar bóias, “ataque” elas, pois essa é a hora de acelerar para não perder o pelote. Por fim, o final da prova é sempre rápido, principalmente na ponta, onde está em jogo a vaidade de sair na frente. Assim, cuidado para não fazer força 3400 metros e sobrar no final. Em suma, NADE RÁPIDO!
Meu maior orgulho como nadador de triathlon foi no IMCozumel2010 que após sair em #1geral amador e #7overall na natação ganhei um autógrafo do Andy Potts com a frase “LUIZ, KEEP SWIMMING FAST”.

O recado de Potts para Topan
Topan














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