Diário até Kona #1: Rafael Brandão e Ana Oliva

13/07/2011 por Enviar por e-mail Imprimir
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Tritar Rio de Janeiro

Após nossa breve apresentação dos 4 atletas que participarão do Diário até Kona, começamos hoje nossa saga de 12 semanas até o grande dia, a prova mais importante da carreira esportiva de todos eles: o Mundial de Ironman 2011, em Kona/Havaí. Serão 12 longas e duras semanas que, com certeza, serão recompensadas no dia 8 de outubro.

Rafael Brandão

Olá a todos,

Primeiramente gostaria de me apresentar. Sou Rafael Brandão, 32 anos, advogado formado na PUC-GO. Trabalho em uma factoring e treino triathlon desde 2006. Fui nadador dos 10 aos 22 anos. Moro e treino em Goiânia.

Fiquei extremamente feliz com o convite do Wagner, editor do MundoTRI para escrever o Diário até Kona. Para mim será uma grande honra.

Comecei competindo em provas de short triathlon e progressivamente fui aumentando a distância (é assim que eu acho que deveria ser, não começar em um Ironman, como alguns fazem). Meus treinos foram aumentando de maneira progressiva e assim, em 2009, resolvi fazer meu primeiro Iron, no Arizona. Para minha surpresa, foi o melhor de todos que eu já fiz (8hs50min). Depois, fiz o Brasil ano passado e este ano novamente. Ano passado, apesar de ter conquistado a vaga no Arizona (melhor amador do dia) e no Brasil, resolvi não ir para Kona pois não me sentia preparado para fazer a prova, principalmente, porque para se fazer o Havaí tem que se pensar em várias coisas com antecedência como, por exemplo, se você realmente irá treinar para a prova. Se for, ótimo, se não for, acho melhor ficar fazendo provas em que se exigem menos tempo para o treinamento, pois afinal, todos nós trabalhamos e sabemos o quão difícil é conciliaras duas atividades.

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Rafael Brandão em Pirassununga

A VAGA PARA KONA

Meu IM Brasil desse ano tem um sinônimo: SUPERAÇÃO. Isto porque tive um problema na saída da água (tomei um “caldo” e fraturei a costela). Como se não bastasse a dor, metade da minha suplementação da bike caiu do meu bolso e eu tive que me reprogramar. De qualquer forma, tudo bem, em um IM a gente tem que estar preparado para tudo. Completei a prova em 9h05. Aquém do que eu queria e tinha possibilidade de fazer, mas saí de Floripa com a certeza que eu havia feito tudo o que eu podia naquele dia e também durante todas as 9 semanas que eu me preparei para a prova. Já aconteceu de eu ganhar uma prova e não ficar satisfeito, outras vezes não venci e fiquei extremamente feliz. O importante é fazer uma avaliação de sua prova e ser honesto com você, independente do resultado.

Não estava em meus planos fazer mais um IM esse ano, muito menos Kona. Primeiro porque definitivamente aquela ilha me “assusta”. Duas coisas que não combinam muito comigo : calor e umidade. Alguém sabe me dizer se lá é quente e úmido?!rs. Segundo, geralmente se tem um grupo grande treinando para Floripa, o que acaba tornando os treinos mais fáceis, pois todos tem o mesmo objetivo e a mesma prova ‘alvo’. Por último, e o mais relevante deles, minha mulher, Lara, está grávida de 7 meses.

Na verdade, não me sentia no direito de deixá-la aqui com um filho de 2 semanas e ficar uma semana fora. Entretanto, logo após a prova, ela que me acompanha na maioria das provas (principalmente em provas fora do país…rs) me disse, sem eu dizer nada a respeito: “vá para Kona, não se preocupe que eu cuido de nosso filho”. Para mim, relacionamento é isso aí, tem que haver cumplicidade. Ela sabe o tanto que eu gosto e me dedico ao triathlon, que é muito mais que um esporte, é um estilo de vida. “Pontos” para a Lara…rs

Às vezes me pergunto “o que vou fazer lá?!”. Tantos motivos para não ir. A resposta é simples: adoro um desafio. Ou eu espero uma frente fria chegar a Kona no dia da prova ou encaro o “monstro” de frente. Acho melhor encará-lo, não? Independente de tudo, acho que será uma grande experiência para mim, qualquer outra prova após Kona farei mais forte mentalmente. Sem contar o auto-conhecimento que terei (assim espero).

Assim, “KONA, HERE I COME”…auuuuu

COMO TREINAR PARA KONA?

Complicado, mudanças tem que ser feitas. O treino longo de corrida que fazia habitualmente às 6 da manhã de sexta-feira, tem que ser mudado para o meio dia. Aquele pedal que a gente faz de tudo para chegar até o meio dia para ficar o máximo de tempo com a família, tem que ser ajustado. É necessário treinar mais tempo possível no calor. A umidade vou deixar para “conhecer” lá mesmo, porque aqui em Goiânia é, digamos, improvável que eu a veja.

Algumas mudanças em relação ao Ironman Brasil também estão na programação. Treinos mais intensos (talvez menos volume), evitando ao máximo os famosos “junk miles”. Suplementação também deverá ser reavaliada, pois Kona é uma prova completamente diferente. Assim, já procurei uma especialista. Tenho uma perda de sal durante os treinos e provas além da média, então preciso ver exatamente a quantidade de sódio, potássio, água, gel, isotônicos que irei utilizar durante a prova. Kona não aceita esse tipo de erro. Outra coisa importante é melhorar a parte psicológica, pois só de se falar em calor, já fico apreensivo.

DSC5805 Diário até Kona #1: Rafael Brandão e Ana Oliva

Foto: Wagner Araújo

TREINOS

Merecidas e necessárias férias após um IM. Fiquei 4 dias em Maimi com a Lara, fazendo o enxoval do Thomaz, nosso filho. Como compensa! Ao todo foram 10 dias onde o máximo de esforço que eu fiz foi carregar as malas de 32kg cada na volta!

Graças a Deus, esses dias passaram (quase não gosto de treinar ) e tive mais 2 semanas e meia de treinos onde o principal objetivo era treinar, mas apenas um trabalho de readaptação.

Dia 4 de julho, inspirado na independência dos EUA (rs), foi o dia oficial do retorno.

Considero-me um atleta extremamente dedicado. Raramente deixo de fazer um treino previamente programado. Se quiser me ver mal-humorado, é só me deixar sem treinar. Nadar então, nem se fala. Meus amigos sabem disso melhor do que eu. Costumo dizer que a metade dos meus problemas eu “resolvo” nadando.

Dessa vez os treinos serão um pouco diferente porque meu principal companheiro de treino e “técnico”, Santiago, não irá treinar comigo. Ele vai sentir muita minha falta, mas irá sobreviver (rs). Uma hora dessas ele deve estar em Boulder treinando com o Dave Scott, Chrissie Wellington, Craig Alexander e cia. que estão por lá. Mas, treinar comigo e agüentar o meu mal- humor quando faço um treino ruim, deve ser bem mais divertido… Dessa vez terei a companhia do Leonidas Júnior (o cara que não cansa) e às vezes do Marcao “Cancellara”.

Procuro nadar, pedalar e correr 5x por semana. Aos poucos vou passando a rotina de treino para vocês. O principal problema, não só para mim, mas acredito que para a maioria de vocês, é a recuperação pós-treino. Não dá para dormir a quantidade necessária. Tenho que trabalhar. Geralmente faço o treino especifico de corrida na quarta das 19 às 20 30hs. Chego em casa e é impossível dormir antes das 11 30 (adrenalina). Na quinta, às 5:15 o “maldito”despertador toca. Sem chances de eu não ir treinar. Prefiro ir cansado a ficar de mal-humor.

Semana passada já começou assim:

Segunda: natação às 6 da matina e à tarde/noite um fartleck.

Terca: Série de pedal pela manhã (3x10k). À noite, natação (série de 8x300m) e trotre na sequência. Geralmente terça é o dia mais puxado, mas é o que eu mais gosto.

Quarta: 2hs giro pela manhã, série de corrida à tarde (3x3k) e 3 mil na água para soltar.

Quinta: Série curta e rápida de bike pela manhã (6×2’30”). À tarde, série de natação (6×400).

Sexta: Era para ter começado a correr ao meio dia, mas minha garganta não estava nada boa (muito frio pela manha no pedal). Decidi começar na próxima semana. Assim, corri às 18hs, 20km.

Sábado: Duathlon, meio ruim da garganta ainda, mas deixar de treinar? NO WAY. (3x 20/5)

Domingo: Pedal longo. 125k para começar a brincadeira.

No total, algo em torno de 20k natação, 370 bike e 70 corrida. Estou muito aquém da minha melhor forma, mas também acho que não é a hora de estar 100%.

Queria escrever mais, mas o Wagner não deixa…rs

Brincadeiras à parte, quero deixar meus contatos para as críticas e sugestões. Vocês podem me encontrar no rbrandao10@hotmail.com e no twitter: rbrandao10.

Beijo para quem é de beijo, abraço para que é de abraço,

Rafael Brandão

Ana Oliva

ANINHA… O RETORNO! (RS)

Quando a equipe do Mundo Tri me convidou para dar continuidade ao Diário até Kona, imediatamente me veio a mente “Vixi! Será que os leitores já não estão cansados de ler meu blá-blá-bla?”

Me disseram que não…

De qualquer forma, cá estou! Aceitei o convite (obrigada pela oportunidade!) e prometo tentar ser mais objetiva nos meus relatos e duelos entre o Tico e o Teço (para quem não acompanhou os relatos até Florianópolis e não os conhece, são meus dois neurônios… Até Kona, vocês presenciarão muitas discussões entre eles; ficarão praticamente íntimos destes dois personagens que fazem parte do meu dia-a-dia).

Vou fazer uma breve descrição da atleta 1908, a Aninha… Que largou no dia 29/05/2011 no Ironman Brasil, como a maior parte dos 1800 inscritos, em busca da realização de um sonho.

A Aninha, no primeiro semestre, desejou, desejou, desejou, desejou e desejou. Desejou demais chegar onde chegou. Literalmente, nadou, pedalou e correu atrás do seu sonho: voltar a largar na “Meca”dos Ironman, onde tudo começou.

DSC6033 Diário até Kona #1: Rafael Brandão e Ana Oliva

Foto: Wagner Araújo

Sonho, desejo, foco, determinação, persistência, superação, abdicação, treino, treino, treino, treino, e mais treino… Somados a uma evolução como pessoa e como atleta em função dos treinos e espírito Ironman, aliados a sorte… Sorte por acordar bem e disposta no dia 29 de maio e por ter conseguido realizar uma excelente prova, sem grandes surpresas desagradáveis (as conhecidas variáveis incontroláveis, como por exemplo, problemas mecânicos com a bike ou algum pneu furado)… Levaram a Aninha a conquista da tão sonhada vaga. O resultado foi apenas uma consequência.

A tendência natural do ser humano, conscientemente ou não, ao se conquistar um objetivo, é “relaxar”. Mas, para mim, a conquista de um sonho me faz continuar sonhando… Desejando… Buscando superação, evolução, auto-conhecimento, crescimento. Sempre temos muito a aprender, muito a melhorar.

A partir do momento que conquistei a vaga para o Mundial, minha responsabilidade aumentou, meu “piano nas costas ficou mais pesado”. O que quero dizer com isso? Muito simples: preciso e vou fazer por merecer! Ter a oportunidade de voltar para a Big Island é algo único, mágico, indescritível. É muita emoção!

A realização de uma boa prova em Florianópolis não significa nada se eu não der continuidade aos meus treinos, a minha dedicação. Sucesso passado, não garante sucesso futuro. Sem contar que o Hawaii é o Hawaii. As condições de prova são extremamente difíceis, cruéis. O fato de ter realizado a prova no ano passado, apenas me deixa um pouquinho – mas bem pouquinho mesmo – mais experiente. Posso dizer apenas que conheci o percurso e experimentei algumas das difíceis condições climáticas e de prova. Mas, estou muito longe de me conhecer, de conhecer meus limites. O MEDO permanece! Sim, continuo morrendo de medo do Ironman do Hawai.

Ironman é Ironman…

Ironman no Hawaii é Ironman no Hawaii… Outra prova!!

Tenho MEDO…

Mas este MEDO é BOM…

É BOM porque RESPEITO…

RESPEITO demais a prova…

E isso é ÓTIMO…

MEDO… RESPEITO…. significam:

TREINAR! TREINAR! TREINAR! TREINAR! TREINAR e… CONTINUAR TREINANDO!

Com certeza, no dia 08 de outubro, estarei alinhada, segurando na prancha de algum dos surfistas, tentando não me afogar, esperando o tiro do canhão, pronta para fazer o meu melhor, para superar os limites do corpo, da mente, da dor, na busca incessante de algo muito maior… Algo que vai muito alem de simplesmente nadar, pedalar e correr!

É espiritual… Mental… Sou eu comigo mesma… E o mais legal disso tudo… Como diria meu mestre: “só depende de você!”

Mahalo! Boa semana! Bons treinos!

TRI-Bjocas,

Aninha!

@oliva_aninha

www.aninhaoliva.com.br

 

 

 

 

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