Dário até Kona #1: Luiz Renato Topan e Thays dos Santos

13/07/2011 por Enviar por e-mail Imprimir
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Tritar Rio de Janeiro

Após nossa breve apresentação dos 4 atletas que participarão do Diário até Kona, começamos hoje nossa saga de 12 semanas até o grande dia, a prova mais importante da carreira esportiva de todos eles: o Mundial de Ironman 2011, em Kona/Havaí. Serão 12 longas e duras semanas que, com certeza, serão recompensadas no dia 8 de outubro.

Luiz Renato Topan

“TERRA A VISTA!” esta é a maravilhosa sensação que tenho quando, depois de voar 6 horas sobre o mar desde Los Angeles, vejo à esquerda do avião com o sol se pondo “the big island”, que trato, já com certa intimidade, de “IMDisneyland”. Lá vivo o privilégio de ir comprar pão e ficar na fila atrás do David Scott, bem como na missa pré-prova segurar a mão da Sister Madona rezando o Pai Nosso.

Desde o dia 6 de junho, voltei a treinar “sério” para Kona, pois antes me recuperava de uma periostite na tíbia direita que me deixou 14 longas semanas sem correr (lesão de ex-nadador que se mete a correr e esquece que nós do ambiente líquido somos frágeis ao impacto…concorda Rafael?.. ). Agora o foco é total na prova, me equilibrando entre as funções de pai de 3 meninas adolescentes; Promotor de Justiça e atleta amador, mas com sonhos de elite.

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Topan em Cozumel - arquivo pessoal

Apesar de ter aprendido desde meu primeiro triathlon em 2003 e meu primeiro IM em 2006 que o segredo é o equilíbrio entre as disciplinas, cada triatleta tem uma estratégia conforme suas características. A minha é clara: SwimmingBike Strong and RunToHell. Ou seja, me posicionar bem na natação e no ciclismo para poder correr com alguma folga e controle da prova. Esta é a meta, mas como diz o ditado: “todo pugilista tem um plano para derrubar o adversário até que toma o 1º golpe”. Não há Ironman sem plano B.

Em Kona, se você tem pretensões de pódio é importante estar na zona dos TOP10 da categoria, pois do 1º ao 10º é uma questão de dia ( quando fui pódio em 2009, do 1º ao 4º – no caso eu – foram menos de 5 seg, sendo que o 3º estava a 30” e, pasmem, na disputa do último lugar no KonaPodium o 5º ficou a 6” do 6º e a 32” do 7º ). Porém, esta situação é muito dinâmica se alterando a cada ano com o surgimento de novos nomes. Se fizermos uma pesquisa nos konapodiuns dos últimos 5 anos, menos de 20% dos nomes se repetem. Temos de um lado os “the beast” com vários títulos e recordes e do outro uma grande lista de diversos componentes da honraria máxima do IM que se alternam, surgem e desaparecem.

Em minha categoria “the man” é Bert Andersen, dinamarquês, que detém os recordes de Kona da 35-39 ( 8h47’ ), 40-44 ( 8h57’ ) e 45-49 ( 9h11’ ). Ele é muito consistente em todas as disciplinas. Bert sempre se classifica no IMLanzarote. Este ano, apesar de ter melhorado seu tempo, ele passou aperto e venceu com uma margem mínima do 2º e 3º, ou seja, a prova espanhola presenciou 3 candidatos fortes ao pódio.

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Chegada em Cozumel

Na ilha do parque nacional dos vulcões, só a natação é agradável e razoavelmente flat. No pedal e na corrida, as condições são causticantes, sob um sol, calor e umidade intensos e dignos da obra de Dante; somados a uma topografia dura em ambos os percursos.

Assim, apesar de voltarmos a viver em tempos de grandes corredores, não é suficiente uma corrida forte se estiver mal posicionado no final dos 180k (Craig sentiu isso em 2010, pois sua “mágica” na maratona não funcionou com um déficit de 9’ na T2 ). A ILHA NÃO PERDOA CICLISTAS FRACOS!

Voltar pela 3ª vez ao IMWORDCHAMPIONSHIP é uma graça e, apesar de ter meus objetivos esportivos, quero aproveitar a ilha e a prova e, independentemente do resultado, cruzar a finishline na Ali Drive com o coração em festa, pois meus mais de 10 anos de escalador de gelo e alta montanha me ensinaram a sobreviver ( fiz 9 cumes de mais de 6.000 m.s.n.m. sem sofrer nenhuma lesão ou acidente ) com a máxima “a montanha continuará lá”.

Com menos de 100 dias para o sol nascer em 8 de outubro, mal posso esperar para estar entre os 2000 atletas que se acotovelam nas águas profundas e cristalinas do Kailua Kona Pier e novamente viver o sonho e o pesadelo do LAVA FIELD, pois IM é IM e KONA é KONA.

Luiz Renato TOPAN

Thays dos Santos

Olá Galera!

Primeiramente, vou começar me apresentando, pois sei que não sou conhecida no meio do Triathlon.

Meu nome é Thays, tenho 23anos, e sou novata nessa área de Ironman.

O Ironman Brasil foi minha primeira prova e para minha surpresa fiz um provão e conquistei a vaga de Kona. Como muitos de vocês, trabalho quase o dia todo, tendo que conciliar o treino e trabalho. É difícil? Sim, é muito difícil. Por várias vezes penso em desistir, pois o trabalho me toma toda energia, disposição e vontade que seria destinada aos treinos, mas apesar de tudo, quero que saibam que VALE A PENA!

Depois que fiz o Ironman Brasil, tirei 15dias de férias total, aposentei tênis, bicicleta, touca e óculos. Logo em seguida, descobri um problema de saúde que quase me tirou do triathlon. Mas, graças a Deus, o médico me liberou para treinar novamente e há uma semana já voltei com força total!

Meus treinos serão exatamente como fiz no Iron Brasil, vou abusar da natação e ciclismo, pois quero deixar essas duas modalidades mais fortes para ganhar vantagem em Kona. A corrida está melhorando naturalmente porque venho treinando muitos longos desde março e por isso já começou a ficar mais fácil.

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Foto: Wagner Araújo

Pensando em Kona, meu maior desafio por lá vai ser o calor, nunca consegui lidar com o calor excessivo, acredito que vou ter que fazer um mês de treinos intensivos em algum lugar onde haja muito calor.

Uma parte importante de minha preparação para o Iron Brasil foi a alimentação. Sou chata para comer e por isso abusei de frutas, saladas, almoço e jantar. Atletas, isso é fundamental para que vocês tenham disposição e força para treinar. Você vai perceber isso nos treinos, então procure um profissional de nutrição e vá fundo nessa área, pois acredito que a alimentação é tudo e fez toda diferença.

O descanso também é muito importante. O ideal é conseguir descansar depois do treino e colocar bastante gelo, pois ele auxilia na recuperação para o próximo treino. No começo do ano, coloquei como meta a vaga para o Ironman de Kona desse ano e me exclui do mundo. Era comer, dormir, trabalhar, treinar, treinar, comer e dormir. Existem atletas que praticam o esporte apenas por praticar, esses não precisam fazer loucuras e nem colocar os treinos acima de tudo, mas aos que almejam um resultado, uma vaga ou alcançar um sonho, fica aqui a minha dica: Nada cai do céu… Temos que abrir mão de muitas coisas, como festas, bagunças e até amigos, mas, no final, valerá a pena! Se eu tivesse que fazer tudo novamente, com certeza eu faria.

Como estou voltando a treinar essa semana, não posso falar muito dos meus treinos… Mas, no próximo diário darei detalhes e quem quiser me dar dicas e fazer perguntas, por favor fiquem à vontade, pois estou aqui para isso. Aliás, estou aqui para aprender e para compartilhar a vida de atletas com vocês.

Boa semana e bons treinos para todos!

ALOHA!!!

Thays

 

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