Uma análise dos amadores favoritos no Ironman Brasil 2011 – por Ciro Violin
Por estes dias, eu estava lendo a entrevista do Cristiano Santos aqui no MundoTRI e vi que ele colocou uma grande responsabilidade em mim, quando disse que ele apostava todas as suas fichas no “Ciro” para vencer o geral amador dia 29/05/2011.
Primeiro, logo após a leitura da entrevista, mandei um e-mail xingando-o, (na brincadeira é claro!). Mal sabe ele, o quanto estou preocupado!
- Sim Cristiano, estou preocupado com você me pegar na maratona.
Segundo, o Ironman como competição é tão complicado, mas tão complicado, que a gente treina, treina, treina e treina mais um pouco, para que nada dê errado. Mas errado alguma coisa sempre vai dar. Temos que estar bem treinados e condicionados para que se algo sair do controle, isso possa ser corrigido a tempo.
Lógico que em um evento de mais de 10 horas não tem como tudo sair certo, perfeito e bonitinho dentro do vidrinho. É incrível como este esporte “Ironman” pode ser comparado a uma escada.
Como fazemos para subir uma escada?
Degrau por degrau.
No Ironman, também é assim. Não tem como voar ou saltar como pulgas. Os degraus devem ser conquistados e valorizados um de cada vez, passo por passo. Existem os atletas que sobem de dois em dois degraus? Sim, mas de qualquer maneira, esse atleta já deve ter uma bagagem e uma experiência significativa em provas de Triathlon, mesmo que em Shorts ou Olímpicos.
Quanto mais anos de treinos homogêneos o atleta tiver, melhor ele vai se sair no Ironman e uma prova será melhor que a outra, sempre! Não necessariamente em tempos melhores, pois existem provas com diferentes dificuldades, mas no desempenho de você contra você mesmo. O atleta sempre se sairá melhor, Ironman após Ironman, desde que nunca pare, e sempre busque a homogeneidade ano após ano nos treinos.
Ganhar experiência com o corpo bem condicionado é muito bom, mas ao mesmo tempo pode ser ruim, pois você se sente mais confiante para “atacar”. Como consequência, isso pode te dar um bom ou um mal resultado.
Eu estou em uma fase de corpo bem treinado, bem condicionado, bem experiente em provas de triathlon com meus 17 anos de estrada e 4 Ironmans nas costas e por isso fico na corda bamba e no limite do acertar e errar.
Resumindo: quanto mais “forte” o atleta, mais força ele pode querer fazer, e com isso, há mais probabilidade de errar e quebrar.
Estou bem treinado! Muito bem treinado! Mas isso pode ser ruim, pois se eu não souber quando e como atacar, posso quebrar feio.

Toni ferreira é um dos favoritos
Dia 29, mesmo eu fazendo tudo certo e estando em um bom dia, poderei ser “ATROPELADO” por triatletas amadores excepcionais como Rafael Brandão, Cristiano Santos, Luis Topan, Toni Ferreira, Cris Solack, Samuel Araújo, Arthur Marcondes, Marcão Gimenes, LODD, Tiago Vinhal, Tiago Menucci, Marcelo Moreno, Marcos C. Branco etc, etc, etc (me desculpa se esqueci de alguém) fora algum gringo que a gente não conhece, como o argentino Half Gabriel ano passado.
Sabendo disso, mesmo eu já tendo a vaga garantida para o Havaí, treinei como se não a tivesse. Treinei pra valer, e treinei como se eu estivesse correndo em busca dela. Cada dia correndo, nadando e pedalando desde 12 de dezembro de 2010 foi pensando em cada um dos caras que citei acima, como referência. Pensava em como eles são bons e pensava em como eles estariam se preparando para esse objetivo.
No dia “D”, vou correr como sempre, dando meu melhor sendo justo, honesto e parceiro com cada um deles e com cada um dos demais atletas no evento. Na hora da largada, eu vou tentar achá-los e cumprimentá-los. Espero não me atrasar (como sempre me atraso) e espero conseguir dizer um a um as seguintes palavras: “boa prova!”
Se qualquer um deles ganhar de mim, ficarei feliz e saberei que é merecido, por que sua dedicação foi maior que a minha. Mais do que adversários, eu gosto deles como amigos. Admiro-os como pessoas. Esses caras, serem os melhores amadores do Ironman Brasil, é apenas uma consequência de como eles levam suas vidas por inteiro. Só por isso, eles já têm o meu respeito e admiração.
Nos vemos em Floripa galera!
Por Ciro Violin





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