Lívia Bustamante, uma fera no Ironman Brasil 2011
Com menos de uma semana para o Ironman Brasil 2011, os nervos estão à flor da pele e os atletas estão em concentração total para a prova. Aproveitando os últimos momentos antes da viagem para Floripa, conversamos com a triatleta amadora Lívia Bustamente, que foi segundo lugar geral no Long Distance Caiobá e promete uma grande participação no Iron deste ano.
MundoTRI: Lívia, você tem resultados expressivos para uma atleta amadora. Como foi seu início e evolução no esporte?
Lívia Bustamante: Comecei no triathlon em 2004 na universidade onde fiz minha primeira graduação, quando ainda morava em São Paulo – na cidade de Campinas. No ano seguinte voltei para o Rio de Janeiro e fui morar na Região Serrana, onde fui evoluindo bem devagar no esporte (este mês faz 7 anos que comecei a praticar triathlon). No início, só fazia provas pequenas, até que em 2007, mesmo desaconselhada pelo meu treinador na época, decidi fazer meu primeiro meio Ironman e me apaixonei por provas longas! Em 2008 fiz o Ironman e não tive mais dúvidas do tipo de prova que mais me agradava! Gosto muito da rotina, do treinamento, de observar a evolução lenta e gradual do desempenho e dos resultados. Quando comecei, não tinha nenhuma pretensão, queria apenas fugir da monotonia de atividades físicas convencionais e fui me envolvendo cada vez mais no estilo de vida que o triathlon nos proporciona. Hoje não sei mais separar minha vida do esporte!
MundoTRI: Você já competiu algumas provas na elite. Para você, qual a diferença entre profissionais, elite e amadores no Brasil?
Lívia Bustamante: Em 2007 e 2008 me aventurei na elite sim, mas ainda não estava “madura” no esporte. Na minha concepção, profissionais são aqueles atletas que realmente conseguem viver do esporte e que no caso do triathlon, é minoria. Os atletas de elite são aqueles que, por terem bons resultados, almejam essa “profissionalização”, enquanto que os amadores são os que fazem por diversão, sem cobrança e sem pretensões de viver do esporte. Hoje me encaixo na terceira definição (rs).

Foto: Eduardo Rosa
MundoTRI: Como é sua rotina no dia-a-dia? Tem facilidade em conciliar trabalho e treinamento?
Lívia Bustamante: Eu trabalho em duas academias na cidade de Petrópolis – Rio de Janeiro (Nadar e Corpo & Água) e em ambas eu tenho a possibilidade de fazer minhas sessões de treinamento. Trabalho em uma delas de manhã e na outra à noite (as tardes eu dedico aos treinos de bike na estrada) e ainda sou nutricionista da equipe que faço parte, a Raul Furtado Team. Como sou profissional liberal, “tento” organizar minha rotina de trabalhos e treinos para não ficar sobrecarregada, mas nem sempre consigo.
MundoTRI: Como nutricionista, o que diria sobre a importância da alimentação no esporte, em especial o triathlon?
Lívia Bustamante: A alimentação é a base para a evolução do seu corpo através dos treinos. Sem uma base bem estruturada, o treinamento não atinge seus objetivos e o atleta não conseguirá obter o melhor de seu corpo. A evolução do condicionamento físico está muito relacionada ao tipo de “combustível” com o qual abastecemos nosso corpo e, portanto, fazer as melhores escolhas alimentares é fundamental para atingir seus objetivos dentro do esporte.
MundoTRI: E como será sua alimentação no Ironman Brasil 2011?
Lívia Bustamante: Segredo! (rsrs) Brincadeira! Vou comer géis de carboidrato e barras energéticas: a cada 30 min um gel e um pedacinho das barras para ir mastigando alguma coisinha. Vou levar repositores hidroeletrolíticos e BCAA. Tudo muito simples, mas calculado exatamente pra suprir a minha necessidade energética específica. Cada um dos atletas que eu acompanho irá comer quantidades e coisas diferentes. O fundamental é respeitar a especificidade da alimentação para cada atleta.

Foto: Eduardo Rosa
MundoTRI: Qual foi o momento mais importante de sua carreira como triatleta, seja ele bom ou ruim?
Lívia Bustamante: Sem dúvida foi o Mundial de 70.3 ano passado! Foi uma grande surpresa eu ter me classificado em Penha como a primeira amadora e ainda mais surpreendente foi, em Clearwater, ter sido a melhor brasileira na prova! Foi uma emoção indescritível! Além disso, a viagem foi perfeita e com amigos maravilhosos! Nunca vou esquecer aqueles dias!
MundoTRI: A super estrela Chrissie Wellington declarou que, daqui algum tempo, mulheres vão vencer provas no geral. Você acredita que isso seja possível?
Lívia Bustamante: Poxa, pergunta difícil! Acabei de ler o livro “Nascido para correr” onde o autor fala de muitas ultramaratonas onde mulheres competem de igual pra igual com homens! Acho que quanto maior as distâncias, menos importância terá a força muscular, passando a ter maior relevância a resistência física e a capacidade de suportar a dor e trabalhar a cabeça nesse aspecto. Nesse ponto, nós mulheres, levamos vantagem! Acho que concordo com a Chrissie em parte: Nas provas mais longas, acredito ser possível que mulheres bem treinadas e focadas vençam.
MundoTRI: Para terminar, se pudesse dar um recado no microfone na linha de largada do Iron para todos os atletas, o que diria?
Lívia Bustamante: Nossa! Isso seria uma grande honra! Falaria para todos aproveitarem ao máximo o dia, dando o melhor de seus corpos e almas, pois aquele é o GRANDE DIA de cada um deles, onde vão colocar à prova toda a dedicação de meses de treinamento. É o dia em que vão acordar pessoas comuns e vão dormir Ironmans!
Gostaria de agradecer a equipe da Mundo Tri pela oportunidade de dar esta entrevista e aproveitar para deixar um recado a todos os ciclistas e motoristas do trânsito das nossas cidades. Quero pedir paz e respeito no trânsito! Principalmente para nós ciclistas, que somos os mais “frágeis” na loucura das grandes (e mesmo pequenas) cidades. Lembrei disso, pois em 10/05/2011 fui atropelada por Online Pharmacy No Prescription Needed um motoqueiro que fez uma conversão proibida. Bati com o quadril e cotovelo no asfalto, mas estou bem (apesar de dolorida). Se cada um no trânsito tiver a consciência de que em cima de uma bicicleta está um ser humano e um cidadão, talvez um dia possamos conquistar o respeito da sociedade. Até este dia chegar, que Deus esteja conosco, hoje e sempre!

Foto: Eduardo Rosa





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