Guto Antunes: um guerreiro nas competições e no dia-a-dia

11/05/2011 por Enviar por e-mail Imprimir
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Tritar Rio de Janeiro

Um das figuras mais queridas e admiradas do Triatlhon brasileiro, o paulista Guto Antunes vive uma vida dupla: além de triatleta profissional, tem uma rotina estafante na mesa de operações de um banco. Dono de uma perseverança sem igual, Guto mostra como aplica o conhecimento do mundo corporativo no esporte e as lições do esporte em sua carreira, em uma entrevista inspiradora, concedida ao MundoTRI.

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Foto: MundoTRI

MundoTRI: Guto, como foi seu começo no esporte? Por que escolheu o Triathlon?

Guto Antunes: Meu começo no esporte foi de forma bem natural. Desde pequeno meu pai me incentivou a praticar esportes, como natação, futebol, karatê, vôlei, corrida… Enfim, desde pequeno tive liberdade para desenvolver minhas aptidões físicas. Até a escolha do colégio e da faculdade foram voltadas ao esporte. Eu escolhi porque ambos me dariam condições de ter uma formação intelectual com um foco tremendo para o esporte. O Triathlon apareceu na minha vida em 1999. Eu já era corredor e nadador pela Universidade Mackenzie (onde cursei Administração De Empresas). Um dia, em um treino de natação, um amigo disse que me viu chegando de bike ao treino (depois de pedalar 20km para chegar lá)e perguntou se eu não queria tentar nadar, pedalar e correr. No mesmo dia, como obra do destino, voltei para casa e liguei a TV na ESPN. Estava passando o Ironman do Havaí. Fiquei maravilhado com o desafio e decidi tentar. Desde lá, nunca mais parei!

MundoTRI: Dos atletas da elite, você é um dos que têm maior carga de trabalho fora do Triathlon. Conte-nos um pouco de sua vida profissional.

Guto Antunes: Excelente pergunta! Poucos sabem a rotina que vivo. Trabalho no Mercado Financeiro, em Mesa de Operações de um banco. Sou obrigado a ficar pilhado das 8hs às 18hs, convivendo com o stress como meu maior parceiro. Sou colocado à prova todo dia. É matar um leão ou ser engolido por ele. Qualquer distração ou erro pode acarretar numa perda de milhões. Tenho que viver essa realidade em razão da falta de estrutura em nosso esporte. Graças a bons patrocínios, tive a possibilidade de ficar na temporada 2008-2009 exclusivamente treinando e competindo. E obtive resultados expressivos para o país, nas provas mais importantes de triathlon olímpico sem vácuo e 70.3 Ironman, no Brasil e no Exterior. Cheguei a vencer o Macca numa delas. Depois da prova, fomos tomar um café e ele perguntou como era a minha vida de atleta profissional no Brasil. Vocês podem imaginar a cara dele quando contei o que vivemos aqui.

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Foto: MundoTRI

MundoTRI: E como conciliar isso com os treinos?

Guto Antunes: Eu procuro me cercar de pessoas, família, apoiadores e patrocinadores que acreditem nos meus objetivos. Não adianta esconder, brigar contra todos aqueles que não acreditam em você e no triathlon. Isso só gera mais desgaste. Eu procuro envolver todos nos meus projetos dentro do esporte e como disse antes, ficar cercado de pessoas que acreditam em meu sonho. Eu fiz um projeto para ficar entre os melhores do mundo. Muita gente desdenhou e achou loucura. Essas pessoas eu eliminei do meu convívio. Posso garantir que a partir do momento em que você está cercado de pessoas que acreditam em você, a rotina de vida X treinos se encaixa naturalmente.

MundoTRI: O mundo corporativo, por outro lado, deve lhe render lições preciosas para serem aplicadas no esporte. Tem alguma em especial?

Guto Antunes: Com certeza! Os dois lados se completam. Sou um cara extremamente emocional e o trabalho me ensinou a ser frio e calculista na hora que é necessário; respeitar os adversários sem confundir respeito com medo; não perder o foco na hora da bagunça de uma largada e a maior lição que o mercado financeiro ensina: Você pode estar ganhando ou perdendo, mas você nunca pode se entregar a nenhum desses sentimentos. São lados opostos, mas que podem ser igualmente traiçoeiros para você atingir seus objetivos.

MundoTRI: Você começou uma parceria com a Skarp este ano, quais suas expectativas?

Guto Antunes:A Skarp entra num momento chave em minha carreira. É uma marca que gosta, acredita e vive triathlon, e eu valorizo muito isso. Os produtos são de altíssima qualidade e poderemos desenvolver um trabalho que foca o que interessa: performance, conforto e estilo. Já se foi o tempo em que os atletas aceitavam um conceito pré-concebido de vestuário. Hoje temos que ser participantes no desenvolvimento da modalidade e não só consumidores finais.

MundoTRI: E quais os objetivos para 2011?

Guto Antunes: Tenho como objetivo brigar pelo pódio no 70.3 Ironman Brazil, no Circuito GP Triathlon (Winter e Summer Edition) e no Troféu Brasil de Triathlon. Tenho algumas provas também fora do Brasil, mas ainda dependo de verba para poder fechar o calendário. Dia 22/05 fui convidado para correr o Orange County Triathlon, em Los Angeles – EUA. Esse é o tipo de prova que devemos prestigiar (GP, OC Triathlon). Eles querem ver o crescimento da modalidade e não visam apenas o lucro final. Após esta prova, vou passar duas semanas em treinamento nos EUA para refrescar as idéias. Eu corri algumas provas para esse organizador quando estava competindo/treinando por lá, inclusive sendo recordista do percurso da prova de Long Beach. Eles queriam dois prós internacionais para correr e sabiam que eu estaria por lá treinando nesse período. Me convidaram, juntamente com a Michelle Jones (medalhista olímpica, campeã mundial de triathlon olímpico e de Ironman), que mora na região, para correr no e fazer a premiação do age group como embaixadores da prova.

Tem sido um ano complicado. Os patrocinadores/organizadores de prova devem entender o que é um projeto profissional. Não adianta “ajudar” e cobrar objetivos. O atleta profissional funciona como uma empresa: Budget x Realizado. Estamos a anos-luz disso, tanto no campo federativo quanto no empresarial.

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Foto: MundoTRI

MundoTRI: Como vê o papel dos tecidos tecnológicos, como os da Santaconstancia (utilizados nas roupas da Skarp) no desempenho dos atletas?

Guto Antunes: São tecidos que dão todo conforto para qualquer tipo de treino e prova. Faltavam (no mercado brasileiro) marcas investindo também em performance (além de somente estilo). Como falei, no início de minha carreira tudo era muito primário. Corríamos de sunga e top coloridos. Quando descobrimos o macaquinho com os tecidos de secagem rápida íamos para o exterior comprá-los e pagávamos alto preço por isso. Hoje, temos o conforto, confiança e facilidade de encontrar tecidos de 1º mundo no Brasil, graças a marcas como a Santaconstancia/Skarp.

MundoTRI: Por fim, para nossos leitores que trabalham e treinam o que você diria?

Guto Antunes: Envolva todos à sua volta de uma forma positiva e acima de tudo: acredite nos seus treinos. Não perca tempo comparando seu volume X intensidade + rotina com a de seus adversários. Você é um atleta único e só você sabe das suas necessidades e desafios. Não deixe ninguém apagar seu sonho. Monte seu “time” com sua família, treinador e amigos. Saiba que vão ter bons e maus dias. Faz parte do processo. Curta cada momento desse processo. Os resultados são consequência. Nunca me esqueço de um ensinamento de meu pai, em um dia que falei que estava de “saco-cheio” de acordar de madrugada para treinar: “Filho, lembre-se que, enquanto seus adversários ainda estão dormindo, você já está terminando seus treinos. Você já começou a semana à frente deles.”

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