Diário até o Ironman #14 – Ana Oliva, Guilherme Manocchio e Carol Militão
Ana Oliva
MAIO: CUSTOS DE OPORTUNIDADE
Não! Não vou falar sobre economia.
Coloquei este título apenas para lembrá-los que maio é o mês de tomadas de decisões diárias, de peso exponencial.
Mês que começo a sonhar que estou atrasada para a largada do Ironman Brasil.
O que quero dizer?
Vou relatar, como exemplo, o que ocorreu comigo na sexta-feira passada.
Tinha um casamento de uma grande amiga de infância (vocês podem me julgar ou me crucificar) e tive que analisar friamente a minha real situação:
Acordei cedo na sexta-feira e fui para o spinning! Saí da aula, tomei banho e fui para o trabalho. Na hora do almoço, sai para correr, depois banho, depois trabalho. À noite: a idéia era nadar e ir ao casamento. Xiii… Me enrolei no escritório… Não consegui sair cedo do trabalho!

Ana Oliva - Foto: Wagner Araújo
Conclusão: ou nadava ou iria para a cerimônia, programada para às 19h30.
Não deu nem tempo do Tico e Teco começarem a discutir. Chega nesta época, e eles ficam tão conectados, tão bitolados, que não sobra espaço para argumentação! Em maio eles chegam ao ápice do condicionamento. Economizam energia ao invés de discutir! São espertinhos…
Para completar, nos sábado teria que acordar super cedo para treinar, pois tinha reunião anual da empresa e arrumar todo a “parafernalha” para a prova de domingo (Taiáthlon), pois a idéia era sair de casa às 14h00.
Bom, não preciso nem falar né? Sim, deixei de ir ao casamento de uma grande amiga em função do que me propus a fazer!
Desejo… Objetivo… Determinação… Foco… Persistência… Abdicação!
Infelizmente não dá para fazer tudo na vida, principalmente quando se leva a sério as coisas que se propõe a fazer.
Estou correndo atrás de um sonho. Difícil? Sim. Impossível? Não!
Mas para poder chegar mais perto deste sonho, para tentar visualizá-lo, eu preciso trabalhar muito:
Trabalhar o corpo
Trabalhar a mente
Trabalhar as abdicações
Trabalhar o desapego
Trabalhar os custos de oportunidade!
Espero que minha amiga me entenda… Ela vai entender! Ou pelo menos aceitar… É difícil para quem não está inserido neste meio entender!
De qualquer forma, maio é um mês comercial. Temos o dia das mães, alem de ser considerado o mês das noivas etc.
Não quero desvalorizar essas datas, mas apenas gostaria que as mãe e noivas olhassem um pouquinho para os filhos e amigos que estão no esquema “rumo ao Iron” e tentassem ser um pouquinho mais tolerantes e mais compreensivas, no que diz respeito às comemorações. Seja almoço de dias das mães ou casamentos na véspera da prova!
Difícil, não? Mas não custa nada tentar!
Como diria uma pessoa que admiro demais:
“Todo dia é dia das mães, por isso cuidem delas diariamente, e não apenas apareçam no almoço do domingo com um presente caro!”
Mamy, você já incorporou que domingo é dia de treino longão, certo? Saio cedo e retorno tarde. Obrigada pela compreensão, apoio e carinho.
RESUMO DA SEMANA:
Natação: 15300m
Bike: 200km
Corrida: 69km
Boa semana!
Bons treinos!
TRI-Bjocas,
Aninha.
@oliva_aninha
Guilherme Manocchio
Pensamentos positivos e ações boas atraem coisas positivas e emoções boas. O contrário também é válido, porém prefiro falar do lado positivo. Muitos pensamentos bons passam pela minha mente enquanto treino e em outros assuntos diversos. Atenho-me firmemente a esse “lado positivo” para evoluir e isso é uma característica boa que possuo.
Qualquer pessoa pode obter essa motivação. Especificamente quanto ao Triathlon. Pense que só por ter saúde e poder fazer esse esporte já é motivo de satisfação. Lembre-se também que “poder fazer” é algo forte, contudo “realizar” é ainda mais intenso. E tem outra: com certeza há milhões de motivos dentro de você para viver com energias positivas. Apenas experimente.
Meus treinos nessa semana foram cheios dessa força interior positiva. Segue o resumo:
Segunda – Natação longa hoje. 6,2km. Caprichei na técnica durante todo treino, foco em melhorar. 30 km de bike para o trabalho.
Terça – 105 km com subida da Serra. Muito difícil esse treino. Precisei descansar à tarde. 15 km soltos de bike no fim do dia.
Quarta – A série de corrida foi 10x1km a 90%. Tudo bem. A natação após a corrida foi cansativa, porque não me alimentei direito entre os treinos. Comecei a ficar fraco e nadei com boa técnica, mas sem potência nenhuma. 30 km bike solto novamente.

Manocchio
Quinta – Ciclismo adiado pela chuva. Fiz 4 km natação (muita qualidade), corrida (8 km regenerativo) e musculação caprichada. 30 km à tarde de bike (agora sem chuva).
Sexta – Bike total hoje 77 km e natação também com boa qualidade 15x 200m a cada 3min, últimos cinco foram a cada 2min45 com pé de pato.
Sábado – 115 km bike com 20 km forte no fim do treino, transição de aproximadamente 10km com 2km iniciais fortes. Treino muito bom em boa companhia e boa média (pelotão de umas 10 a 15 pessoas).
Domingo – 50min trote de corrida.
O fato é que fiz esses treinos. Mas a forma como treinei foi o que mais me motivou. Estive aberto a novas sensações e novos sinais de evolução. Não me importei muito com outros detalhes a não ser o principal: fazer correto. Gestos corretos, pensamentos positivos e boa emoção. Simples e eficiente.
Boa vibração e uma ótima semana a todos os fãs do diário!
Guilherme Manocchio
Carolina Militão
* Diário da semana anterior
Falta pouco e como minha cabeça não está das melhores neste ultimo mês, estou apelando pra tudo: DVDs, youtube, fotos e textos. Uma das minhas motivações é ler os posts da Ariane e toda sua rotina. Para mim, é como ouvir: “Vamos! Falta pouco! “Tá chegando, segura!” “Bota pra cima que vc tá bem!” Ou até mesmo um “ Vai treinar preguiçosa, e dê o seu melhor!” Admiração a um milhão!
Vou a um dos meus favoritos:
“Trata-se, afinal, de um combate constante com os próprios limites e também contra adversários; de lutas interiores e batalhas exteriores; de lágrimas, suor e por vezes sangue; de vida e morte, porque durante os treinos, nos matamos cada dia um pouquinho (literal e figurativamente), para depois de cada prova renascer vitoriosos, ainda que seja apenas por haver tentado.
Uma vez aceita essa proposição, o triatleta, enquanto praticante de arte marcial, passa a ser um guerreiro. Tem seu uniforme, que o torna parte de uma tribo e lhe confere uma identidade perante o mundo ao seu redor; tem seu mestre, responsável por orientá-lo no caminho da natação, ciclismo e corrida; tem suas práticas diárias, que o tornam capaz de nadar, pedalar e correr mais rápido, ou mais longe, ou ainda, quando ele for um grande guerreiro, mais rápido e mais longe. Têm seus rituais, que lhe permitem ao longo do tempo nadar pedalar e correr, como se “nadarpedalarcorrer” fossem uma coisa só. Por fim, têm suas Grandes Provas – que mesmo pequenas aos olhos dos outros, para ele serão sempre grandes, porque envolvem superar a si e aos outros em 3 campos de batalha diferentes.
Assim eram também com os Samurais do Japão feudal, que além de dominar a arte do manejo da espada e do arco e flecha, deviam ser proficientes no combate corpo a corpo. Eram, de certa forma, triatletas sem saber. Só que além da prática diária nessas três modalidades, eles exercitavam com igual dedicação a Poesia, o Arranjo Floral e a Cerimônia do Chá. E é justamente nesse ponto que o Samurai-Triatleta de ontem e o Triatleta-Samurai de hoje começam a traçar caminhos divergentes. É nesse ponto que, no meu entender, temos a grande lição a aprender. O Samurai, na prática das artes marciais, desenvolvia a técnica e o preparo físico que tornavam seu corpo apto à luta com o inimigo externo, assim como faz o Triatleta hoje em dia sem seus treinos.
Já no exercício da Poesia, do Arranjo Floral e da Cerimônia do Chá, o guerreiro japonês buscava o equilíbrio e fortalecimento do seu espírito, que o permitia melhor enfrentar e vencer seus inimigos internos. E porque ele sabia, como também nós sabemos, que o inimigo interno (materializado no medo, na insegurança e na arrogância, dentre outros) nos derrota antes, e com mais facilidade, que o inimigo externo. O Samurai confiava menos no poder da técnica e do preparo que na força da vontade e do espírito. Nesse ponto, me parece que nós, Triatletas-guerreiros de hoje, temos um vazio a preencher.
Algumas vezes, ganhamos (i.e. compramos) nossa faixa preta antes de aprender a lutar , e pior, acreditamos que ela detém o segredo da vitória. Com isso, corremos o risco de virar guerreiros de desfile, preocupados em mostrar nosso equipamento, uniforme e porte físico, mas desprovidos de ética, coragem, e humildade. Corremos o risco de, na pressa de buscar a vitória, desprezar outras faces da luta – como a técnica, o tempo de aprendizado e as derrotas – que são pré-requisitos da vitória sadia. E, levados pela crença cega e dependência exagerada nos equipamentos e na tecnologia, podemos até vencer os outros, mas continuaremos sempre perdendo para nós mesmos.
Talvez a nossa chance de resgatar em nós a essência do esporte esteja em voltar um pouco às origens, e nadar bastante em águas abertas (somente de sunga) pedalar muito na estrada (com um “caroção” de ferro), e correr sob sol, vento ou chuva (de calção e camisa de algodão, e um tênis qualquer). Deixar de lado, ainda que em alguns treinos somente, a crença nas promessas da alta tecnologia, e recuperar a confiança no que somos capazes de produzir sem carbono, sem vitaminas, sem hormônios, sem GPS e sem EPO. Esgotar as nossas possibilidades de melhorar sem recursos externos. E, porque não, trocar algumas horas de musculação por alguma atividade que acalme e fortaleça o espírito. Como conseqüência, imagino que voltaríamos a nos aproximar daquele caminho trilhado pelo Samurai – o caminho que leva o Guerreiro(a).” (texto de Max – Kona Bikes)

Carol Militão
Vou dar destaque ao meu fi de semana de treino que foi sensacional!
Sábado:
Comecei a treinar logo quando abrir a planilha e vi que o treino chave era 180 km pedal + 45min de corrida.
Na sexta, já que era feriado, tive um treino leve logo pela manhã e depois de cancelar todos os meus ‘diabinhos’ (não posso fazer essas coisas!) resolvi descansar, me alimentar e hidratar bastante. Suplementação feita por minha conta e modéstia à parte, muito bem feita (pronta pro Ironman).
Fizemos o nosso pelotão: Nat, George e Betão (todos Ironmans) e no início um imprevisto de muita chuva, mas parou, ficou nublado e depois abriu sol durante os 160 km.
Duas paradas, apenas um pneu furado e treino finalizado. Terminei com força e super inteira, só muito enfadada, como sempre. Mas agora vem o melhor de tudo: o meu pós treino em L10: Uma confraternização de Páscoa das meninas da Zona alvo assessoria.
Mesmo cansada e ainda me tremendo de tanto treinar, fui marcar presença. Tive uma recepção maravilhosa! Elas nem imaginam o quanto foi bom pra mim! O engraçado é que quando cheguei, elas não acreditaram, pois fui direto do treino. Eram elogios por toda parte e vi a admiração que aquelas meninas sentiam por mim. Elas não sabem o quanto foi importante, pois eram coisas que qualquer pessoa que está preste a fazer um Ironman precisava ouvir e isso me motivou demais.
Para quem havia acabado de fazer um enorme treino, não foi preciso muita cerveja pra afetar o juízo e aí sim, aproveitei a festa como realmente gosto de fazer. Muitíssimo obrigada meninas! Não basta ser apenas Ironwoman, tem que participar não é? (rs)!
Domingo:
Mesmo com um sábado altamente produtivo, umas cervejas de carboidrato, adrenalina a mil e indo dormir à meia-noite, acordei às 6:00 da manhã e corri em 01:20 os 14 km que tinha na planilha. Depois disso GAME OVER!
Resumo semanal:
Swim – 8 km
Bike – 270 km
Run – 45 km
Boa semana para vocês e bons treinos!
Carolina Militão.
‘It’s a line you have to cross to understand.’














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