Confira tudo o que aconteceu na Assembléia da CBTri e saiba como votou sua federação

02/05/2011 por Enviar por e-mail Imprimir
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Tritar Rio de Janeiro

Aconteceu nos últimos dias 28 e 29 de abril o Encontro da Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri) e suas filiadas, realizado em Vila Velha /ES.

No primeiro dia, notou-se que algumas filiadas não estavam representadas, eram elas: DF, BA, SC, MG e ES (sim, mesmo o Encontro sendo no estado). O presidente da CBTri, Carlos Froés apresentou os gastos da entidade em 2010.

Chama a atenção o tópico “Passagem, Hospedagem e Ajuda de Custo”, que recebeu a maior parte do orçamento da instituição. Foram gastos mais de 700 mil Reais com esse item, de um orçamento total de pouco mais de 1,2 milhões de Reais. Porém, o que mais impressiona é a divisão dos gastos, como mostrado no gráfico abaixo:

 

grafico 520x390 Confira tudo o que aconteceu na Assembléia da CBTri e saiba como votou sua federação

Distribuição dos recursos de viagens - clique para ampliar

Quase um terço dos recursos foram gastos com viagens nacionais e internacionais de membros da diretoria da própria CBTri.

Vejam como foi distribuído os valores entre os membros da CBTri:

Marco La Porta R$ 39.613,34

Sanderson Palma R$ 36.473,97

Roberto Menescal R$ 33.286,89

Carlos Fróes R$ 24.021,65

Rodrigo Milazzo R$ 16.743,18

José Menescal R$ 10.692,47

Sergio Santos R$ 10.244,70

Antonio Carlos Gomes R$ 7.962,60

Roberto Nahon R$ 6.815,28

José Renato R$ 6.667,37

Luciano Hostins R$ 2.190,92

Barbara Lima R$ 100,00

TOTAL R$ 194.812,37

Durante a exposição, as informações foram enviadas à nossa redação por Julio Alfaya, presidente da FETERJ (Federação de Triathlon do Estado do Rio de Janeiro), para que todos tomassem conhecimento da situação. Após a grande repercussão entre nossos leitores no Twitter e em nossa página do Facebook, o presidente da CBTri anunciou que vai disponibilizar o acompanhamento on-line das despesas, porém ainda não se sabe quando, uma vez que nem mesmo o estatuto da CBTri se encontra disponível em seu site.

Porém, a parte mais importante que é a execução do orçamento, ou seja, o detalhamento dos gatos, não foi exibido no Encontro, pois o responsável, José Renato, alegou que havia apagado, inadvertidamente, o conteúdo de seu pendrive. Infelizmente, também não havia nenhuma outra cópia da apresentação.

Houve ainda a palestra do Sr, La Porta sobre o planejamento de alto rendimento, a que pareceu mais coerente entre tantas contradições. Ficou claro o foco do trabalho em trazer medalhas para o Brasil, o que seria um pedido do COB. Um termo interessante usado foi o “custo de uma medalha”, significando o valor total que deve ser investido em um atleta de elite para se conseguir um lugar no pódio olímpico.

Pouca ou nenhuma menção foi dada a trabalhos de base, que fazem o esporte crescer como um todo e o leva muito além das Olimpíadas do Rio 2016. Tudo parece estar direcionado para impressionar o COB e as pessoas nas Olimpíadas de 2016, sem nenhuma preocupação com o que vem depois.

Segundo a CBTri, o custo para se conseguir uma medalha olímpica pode chegar a dois milhões de reais. O Professor Higino Vieira, presidente da Federação Alagoana, desenvolve um trabalho com 1.250 crianças, sem recursos da CBTri, com apenas 1 milhão por ano (menos de R$1.000,00 por criança por ano) com recursos da Petrobrás. Pode ser esse um dos caminhos para reduzir esse custo de dois milhões, ou seja, investir no atleta ainda em formação e não somente nas vésperas das competições importantes.

No segundo dia, com representantes de todas as federações, foram realizadas duas assembléias: a ordinária e a extraordinária.

A Assembléia ordinária é uma exigência estatutária e deve ser realizada anualmente até o mês de Abril, única e exclusivamente para a apreciação das contas da entidade, com o parecer do Conselho Fiscal e, consequentemente, é feito o julgamento das mesmas. Caso não sejam aprovadas, a instituição sofrerá sansões como o bloqueio dos recursos públicos recebidos, podendo chegar à destituição do presidente.

No caso da CBTri, tudo já começou fora das regras, pois o respectivo Edital fora enviado com apenas 5 dias de antecedência, enquanto que o próprio Estatuto define como um mínimo de 15 dias para isso. Este Edital deixava claro que todas as filiadas deveriam trazer a documentação e procurações registradas em cartório.

Como de costume, o presidente da CBTri fez a indicação do Dr. Paulo Smith para presidir os trabalhos, mas desta vez, pela primeira vez, esta sugestão do presidente foi contestada e o bloco de oposição fez a indicação do Dr. Pádua (que representava SP). Mas o próprio Dr. Pádua esclareceu que antes de tudo, era necessário se conhecer as federações que efetivamente tinham direito de voto, conforme preconizava o Edital de convocação.

Para surpresa de todos, as federações de SC e BA não compareceram e deram procurações enviadas por fax para, respectivamente, os Drs. Paulo Smith e Luciano Hostings que, a esta altura, tinham como função principal a defesa da CBTri o que, por si só, colocava em dúvida a sua representatividade como procuradores de federações.

Percebeu-se uma movimentação no bloco da situação, dando conta que outras filiadas não haviam trazido sua documentação e, ato contínuo, o Dr. Paulo Smith evocou alguns artigos do Código Civil, dando a entender que o Edital estava errado e não poderia cassar o direito a voz e voto de quem quer que seja. Será que se as federações de oposição estivessem erradas, o Edital seria cumprido?

Assim, a indicação do presidente da mesa foi vencida pelo Dr. Paulo Smith.

O advogado da CBTri sugeriu que a reunião fosse transferida para a sede da CBTri onde se encontram todos os documentos, mas as federações de AL, GO, RJ, RN e SP não concordaram, então, foi proposto uma votação para decidir se seriam aceitos ou não os votos das federações sem documentação. Assim, as próprias federações aprovaram sua situação irregular, assumindo o risco legal de prosseguir com a Assembléia. Após a discussão, as Assembléias começaram. As contas da CBTri foram aprovadas pelas seguintes federações: AM, BA, CE, DF, MG, MT, PR, PB, SC, RS. Se abstiveram: SE e PA. Não aprovaram: AL, GO, RJ, RN e SP. Coincidentemente, as federações que aprovaram foram as mesmas que receberam provas na distribuição que já havíamos comentado em outro artigo (clique para acessar).

Foi tentado aprovar ainda o aumento da taxa de filiação na CBTri, a partir de junho de 2011, para o valor de R$20,00. Apesar do singelo aumento, esse é mais um exemplo de que a entidade ignora suas próprias regras. O superintendente da CBTri, o Sr. Roberto Menescal emitiu circular aumentando o valor da taxa de R$ 15 para R$ 20 ainda no início do ano, mas o tema só pode ser tratado em Assembléia, conforme o estatuto da CBTri. Após a proposta da presidência, solicitando este aumento, o RJ fez outra proposta, que era a de extinção total deste repasse. O presidente da CBTri disse que não poderia colocar esta proposta em julgamento, pois ela não constava do edital, e este dizia apenas sobre “aumento”. A proposta da FETERJ foi então reformulada, propondo um aumento de um valor de –R$ 15 reais (valor negativo). Para contornar a situação, o presidente da CBTri retirou sua proposta e a taxa de repasse permaneceu a mesma. Vale lembrar que esse repasse foi criado há cerca de 10 anos, quando a CBTri não tinha patrocinadores, e era perfeitamente coerente. Hoje, com recursos abundantes e a penúria das Federações, o mais cabível seria a sua extinção.

Após as Assembléias, o presidente da FETERJ desabafou: “É muito estranho que, ao longo de 12 meses, sejamos colocados totalmente à parte do processo financeiro e administrativo e, às vésperas das assembléias de julgamento das contas, sejamos obrigados a entender, em questão de horas, tudo o que foi gasto, com quem, para quê etc. Por uma questão de coerência, meu voto foi contrário à aprovação das contas. Não estou colocando em dúvida o aspecto matemático da coisa ou a honestidade dos gestores, mas o que deve estar em julgamento, é a essência das despesas: quantos atletas foram beneficiados, porque tantos representantes nas diversas provas internacionais, qual o percentual que está sendo investido na estrutura administrativa da CBTri etc.

Procuramos o presidente da CBTri para saber quando a proposta da transparência será implementada, mas não obtivemos resposta.

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