Diário até o Ironman #10: Ariane, Kléber e Rodrigo
Ariane Monticeli
Desculpem a demora em enviar meu diário desta semana, mas estou literalmente na correria por ter uma competição fora do país nesta semana.
Vamos falar de coisa boa! Minha vitória no GP Extreme.
Prova com formato de largada diferente para os profissionais, largando um de cada vez com 1 minuto de diferença. Tudo que eu não queria era ser a primeira a largar… Largadas definidas por sorteio, e o que eu tiro? Primeira a largar, claro! Brinquei com as meninas, disse que se alguém me passasse na água, eu entraria em depressão! Brincadeiras à parte, nadei bem. Segundo meu técnico, porque não me preocupei com ninguém, nenhum pé, nem ritmo diferente, simplesmente me preocupei em nadar forte e com boa navegação. Comecei o ciclismo com problemas, pois não conseguia calçar a sapatilha uma vez que não era possível segurar meu guidão com uma mão só. Isso porque minha caixa de direção estava travada. Fui devagar até conseguir… Começo do pedal tentando me entender com minha bike e tentando me entender aquele percurso duro.

Chegada de Ariane Monticeli
Nas primeiras duas voltas pedalei mal e vi a Sandra e a Silvinha bem perto nos retornos. Como se não bastasse, minha corrente escapou três vezes, me fazendo descer da bike. Desci e arrumei sempre com calma, sem bufar nem xingar! A partir da 3° volta passei a pedalar melhor porque o cérebro entendeu que tinha que pedalar no volantinho naquelas subidas. A partir daí, vi minha distância aumentar em relação às outras meninas. Saí pra correr e tentei correr o mais forte possível, ficava pensando: “já pensou se perco por alguns segundos? Bora correr mais rápido!” (Rs)
Cheguei bem, percebi que as meninas demoravam a chegar, e o foi suspense até o fim pra saber quem venceu!
Fiquei muito feliz pela vitória. É sempre uma grande injeção de ânimo, mas fiquei mais feliz em ver minha super amiga, Ana Lidia Borba, competir novamente e com saúde. Fiquei feliz também em conseguir superar os problemas durante a prova com tranquilidade.
Quero deixar bem claro que meus problemas com a bike não foram por má manutenção, tenho os melhores mecânicos cuidando da minha bike, inclusive fui avisada sobre o problema com o rolamento da minha caixa de direção e meu câmbio dianteiro, peças que não consegui a tempo para trocar. Para evitar esse problema, estarei competindo com outra bike esse final de semana aqui no Texas, mesmo não estando adaptada a mesma, não poderia arriscar uma prova importante como esta, valendo meus pontos para o Ironman do Havaí, com uma bike que não está boa.
Agradeço a todos pela super torcida de sempre. Vamos com tudo a mais uma batalha, 70.3 Texas.
Kleber Corrêa
Mais uma semana se passou e agora o Ironman Brasil 2011 já está batendo à nossa porta.
Embora esteja indo para o meu 4º Ironman, não sou um triatleta experiente, muito pelo contrário, tenho no meu histórico apenas 10 largadas de triathlon; com isso fico muito ansioso e acabo cometendo alguns erros durante as provas, e foi o que aconteceu mais uma vez.
No último domingo participei do GP Extreme, uma prova com distância diferenciada (1k, 100k e 10k) e em um percurso muito “duro, no estilo “trava pernas”. Com essa prova e as dificuldades que encontrei, pude perceber que ainda falta muito para eu chegar preparado a alcançar os meus objetivos no Ironman.

Kleber na transição do GP
No GP, como sempre, tive uma largada ruim, pois escolhi a posição errada e acabei indo parar na parte rasa do lago, o que me fez andar durante a natação. Era impossível dar braçadas sem bater as mãos nas pedras e raízes e para quem acha que andar fez eu me mover mais rápido enganou-se, pois eu estava mais lento que os colegas que estavam nadando.
Saí da água totalmente perdido, mas procurei me concentrar no que estava por vir, os longos 100 km de pedal em um percurso cheio de subidas. O início do pedal mostrou que ali estava começando um longo dia, e realmente foi assim, mas aos poucos consegui encaixar um bom ritmo e aproveitei para testar a minha nova bike nas subidas do Parque Damha. Já no km 60 comecei a sentir duras cãibras, que me preocuparam muito. Fiquei tentando descobrir o que fiz de errado para sentir tanta dor, mas enfim, eu estava pedalando bem e assim fui até a T2. Na minha marcação fechei o percurso em 02h42min, e pela classificação constou o tempo de 02h49min, o que significa que perdi absurdos 7 minutos nas transições.
Ao entrar na T2, sofrendo com as duríssimas cãibras, me senti totalmente desorientado e não encontrava o meu material, mas passado esse problema parti para aqueles que certamente seriam os 10 km mais longos da minha curta experiência no triathlon, e assim foi. Precisei caminhar por 7 vezes, e ainda assim segui até a linha de chegada sofrendo com as cãibras e dores musculares.
Cruzar o pórtico de chegada é sempre uma experiência maravilhosa, e dessa vez também foi algo que causou uma sensação de alívio, pois eu não estava mais aguentando tantas dores.
Depois dessa experiência, percebi que esses próximos dias serão de muito trabalho, afinal tive um resultado que me decepcionou e preciso colocar as coisas em ordem para reverter essa sensação no Ironman.
Há muito que ser feito, mas o importante é não perder o foco e manter a cabeça para o alto…
Vamos com tudo.
Kleber Corrêa – Twitter: @klebercorrea – Equipe: 5ways – Apoio: Aqua Sphere – Mynd Sportswear
Rodrigo Cantal
PRESSÃO E AMIZADE!
Depois do Campeonato Brasileiro de Longa Distância, me veio à cabeça uma coisa que estava na minha cara e eu não via. Acho que muitas pessoas vão se identificar com isso. Meu resultado pífio nessa prova me fez matutar para descobrir o que eu tinha errado, já que estava super treinado e confiante em um bom resultado. A resposta que me veio foi: PRESSÃO.
Relembrando as minhas provas desde o meu início do triathlon, fui percebendo que em todas que fui sem pressão, acabei me dando bem, e acontecia justamente o contrário quando me pressionava demais. Senão vejamos: Em meu primeiro ano de olímpico eu consegui um terceiro, um segundo, e um quarto lugar na minha categoria no campeonato cearense e me tornei o campeão de 2009, isso sem pressão nenhuma, pois era um novato e achava que não tinha que provar nada a ninguém. Mesma coisa aconteceu no meu primeiro 70.3 em 2009, 05:18 não deixa de ser um bom tempo para um estreante. Em Pirassununga naquele mesmo ano, viajei com ótimos triatletas aqui do Ceará e eu era somente um novato sem nenhuma pressão, acabei fazendo em 04:58 com a melhor corrida entre os cearenses naquele dia. Sobre o Ironman 2010 não preciso comentar, a pressão era somente para completar e me veio a grata surpresa de terminar em 11h07min.
Na contramão disso, vêm os longas distancias de 2010 e 2011, o meu primeiro olímpico de 2010 e o 70.3 de 2010. No longa de 2010 e no olímpico, eu vinha de um resultado excelente em Pira, e por isso acabei me pressionando muito. Quebrei! 06:18 no longa e desistência na corrida do olímpico. No longa de 2011 vinha super treinado e mais uma vez pressionado por mim mesmo, quebrei! Fiz em 05:53. Já no 70.3, a pressão veio em função do ótimo resultado no IRON. Forcei muito no pedal e na corrida sofri com uma dor nas costas que fez eu me arrastar por alguns Kms. Terminei com 05:29, pra quem queria um sub-5.
Sendo assim, resolvi me blindar contra essa pressão no Ironman Brasil 2011. Farei minha prova deixando acontecer naturalmente. Toda e qualquer pressão interna ou externa será devidamente rechaçada. Aprender isso fez eu me sentir mais pleno no triathlon, afinal a luta contra o relógio é legal, mas não é o essencial desse esporte de superação.
A segunda parte do título fala em amizade, mas como já me alonguei bastante, vou apenas agradecer a força que recebi dos meus amigos de equipe e do meu treinador Rafael Leitão para que eu reerguesse a cabeça e voltasse com força total aos treinos. Na próxima falo mais sobre esse importante tópico do triathlon e do esporte em geral: A amizade.

A esperada bike de Rodrigo
Treinos da semana.
Segunda (28/03) – Eram 50 minutos leves de natação pra recuperar da prova, mas como as pernas, braços e minha cabeça não estavam bem, resolvi me dar mais um dia de OFF.
Terça (29/03) – 1 hora e 30 minutos de pedal leve na PAT. Ainda desmotivado pela prova, fiz esse pedal me arrastando e acho que se tivesse uma tartaruga rodando lá naquele dia ela teria me ultrapassado. Mas ainda assim, completei o treino. Na hora do almoço nadei 50 minutos no mar com o professor Breno Leal.
Quarta (30/03) – Corrida de 12 Km com muitas subidas, sendo metade moderado e metade forte. Pace de 04:49min/km já melhorando a cabeça.
Quinta (31/03) – Pedal de 45 Km na CE-040 pra média de 35Km/h.
Sexta (01/04) – O dia da chegada da minha nova bike. Não é mentira, depois de 8 meses que fiz a compra, ela finalmente chegou. Não comentarei o atraso da Scott. A foto vai anexa, do jeito que ela veio ao mundo, com rodas de competição customizadas para ela. Ah sim! o treino… 2000 metros de natação no mar.
Sábado (02/04) – Eram pra ser 30 Km de corrida com muitas subidas, foram só 25 Km com muita chuva e uma cãibra inexplicável a partir do Km 20. Arrastei-me pra conseguir os 25 Km. A 1 mês mais ou menos fiz o mesmo percurso pra 04:53 de pace, nesse dia foi 05:20 bem sofrido. Treino a ser apagado da mente.
Domingo (03/04) – 90 km de pedal e só uma frase: A BIKE É SHOW! KKKK Repeti isso acho que umas 90 vezes durante o treino, ninguém aguentava mais. KKKK
Abraço a todos e bons treinos.
Rodrigo Cantal














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