Diário até o Ironman: Kleber Corrêa e Ana Oliva no duelo Tico e Teco
Kleber Corrêa
É, o Ironman está chegando, e com a proximidade da prova os treinos estão ganhando em volume, e essa semana foi realmente de longos treinos…
Com a proximidade da prova, a tensão aumenta, os medos começam a aparecer e ansiedade pela linha de chegada fica á flor da pele, e esses sentimentos acabam sendo obstáculos que precisamos superar junto com a longa rotina de treinos.
Em falando dos treinos, essa foi a semana das subidas, tanto no pedal como na corrida.
Na 2ª feira encaramos um treino na Estrada dos Romeiros, local com uma altimetria bem variada e com duras subidas. Esse treino teve a presença de dois nomes muito conhecidos dentro do triathlon profissional: Flávia Fernandes e Ariane Monticeli.
Continuando a falar das subidas que encarei essa semana, na 6ª feira parti para mais um “training camp” da minha equipe, a 5ways, e desta vez o local escolhido foi Campos do Jordão/SP.
Sábado partimos para um pedal de 120km pelas montanhas da cidade, chegando até um município vizinho chamado Monteiro Lobato, tudo bem que a ida foi tranquila, mas retornar para Campos do Jordão foi duro, finalizei o treino em 4:30hs.

Training Camp - Campos do Jordão
No domingo foi dia de queimar as pernas nos longos 24km de corrida, e como não podia ser diferente, o treino foi cheio de sobe e desce, mas como dizem por aí: “O que não mata, fortalece” e saí desse final de semana de treinos fortalecido e confiante em uma na sequência de treinos que estão por vir.
A complexidade da preparação para se participar de uma prova de Ironman, mesmo que eu já esteja caminhando para a o meu 4º, se mostra evidente em todos os detalhes que penso para a prova… Alimentação, suplementação, equipamentos, logística de treinos e hospedagem, viagens, esses são apenas alguns pontos que tornam o Ironman uma prova complexa, mas ao mesmo tempo faz com que cada km percorrido tenha um valor mágico, que nos faça refletir sobre todos os momentos que passamos para chegar a largada da prova.
As coisas estão caminhando, com certeza com mais dificuldades que em 2010, as dores pelo corpo estão cada vez mais evidentes, mas isso tem que ser superado, e por mais que às vezes seja necessário ouvir o corpo, eu sigo ouvindo o meu coração e a paixão que tenho por essa divertida distância maluca que só uma prova de Ironman tem.
Vamos com tudo que ainda há um longo caminho para seguir até o dia 29/05/2011, e antes disso ainda haverá muita diversão, em especial no GP Extreme.
Kleber Corrêa – Twitter: @klebercorrea - Equipe: 5ways - Apoio: Aqua Sphere – Mynd Sportswear
Ana Oliva
Todo triatleta tem suas próprias razões para praticar este esporte, traçar suas metas e objetivos para treinar… Treinar… E treinar em busca da tão almejada “linha de chegada”, seja ela real ou simplesmente mental!
E, todos nós sabemos que o caminho para isso é longo… Duro… Sacrificante… Como costumo dizer, “haja desejo, foco, força, disciplina e determinação!”.
Resolvi escrever algo diferente do que simplesmente relatar meus treinos da semana. Espero que agregue!

Ana Oliva - Foto: Wagner Araújo
Diante de um treino de transição – 3 km de natação + 18 km de corrida – me peguei pensando e argumentando comigo mesma: “O Tico e o Teco (meus dois neurônios) estavam se digladiando”. Enquanto o Tico defendia a importância do treinamento sofrido, o Teco argumentava desesperadamente sobre a possibilidade de abandonar aquele treino! Estava morrendo de vontade de parar… Mas, o Tico deixava muito claro que a probabilidade de não cumpri-lo era nula! Esse conflito entre os dois durou desde o km 8, quando minha casa caiu, até o km 18, quando finalizei o que tinha me proposto a fazer!
Que delícia terminar! E, mais ainda, constatar que apesar da terrível sensação de “estar me arrastando”, realizei um belo treino!
Nadei os 3.000m para 43’ e corri os 18km com média de 4’40 / km.
Sofri… Sofri… Sofri…
Porque estou contando este episódio para vocês?
Muito simples…
Porque quero deixar registrado que o prazer de conquistar algo que se propôs a fazer, realizar o planejado, atingir o objetivo em um determinado momento, desafiar o próprio corpo e a mente (de forma sensata, obviamente) é muito maior que qualquer dor!
Com certeza, seria muito mais fácil ouvir o Teco (meu neurônio mais preguiçoso) e parar, justificando para mim mesma que tive uma semana pesada de stress, que não comi direito, que meu estômago doía, pois devo estar com algum princípio de gastrite… Ou, ainda, fazer uma retrospectiva e falar: “Hummm… Não estou num bom dia, já acordei meio esquisita, devo estar com a resistência baixa…”
Não me faltavam motivos para parar. Porém, o Tico (meu neurônio de personalidade fortíssima, super ativo e determinado) tinha plena consciência de que os motivos para minha persistência, para eu terminar o treino que comecei e permanecer ali sofrendo km após km eram muito maiores.
Para quem está acostumado a me ver sorrindo, saibam que no sábado, terminei meu treino chorando!!!
Por quê? Por quê? Por quê?
Quem não é do meio, provavelmente diria que sou maluca, da ala do hospício “Eu me odeio!” (rs). Mas para vocês, pacientes leitores, que gostam de saber, de acompanhar nosso dia-a-dia e nossa rotina “triatlética”, com certeza sabem muito bem a resposta!
Porque sei muito bem o que quero… Tenho total consciência do quão duro é chegar onde desejo… Para conquistar meu sonho, tenho que fazer por merecer… Tenho que treinar (muito)… Tenho que dar o máximo de mim dia após dia!
No sábado fiz o meu melhor… O meu melhor naquele dia, naquela situação… E, ao finalizar mais um treino, a satisfação e o prazer da superação foram, com certeza, imensamente maior do que qualquer dor!
Que treino! Que treino!
Muito além do físico… Realizei um baita treinamento mental!
Resolvi relatar o ocorrido pois – para mim – o treinamento da cabeça, o treinar sofrido, o treinar em condições adversas, o treinar quando não se está disposto para isso… Fortalecem! Acho que todos já passaram por situações como esta… Cada um reage de uma maneira… A meu ver, a mente, a consciência, a capacidade de lidar com o sofrimento fazem toda diferença!
Em um Ironman, não basta apenas o condicionamento físico… É necessário o equilíbrio entre a mente, o corpo e a alma!
Sem falar no Amor… Amor pelo que se está fazendo!
E, como tudo na vida, é possível condicionar a cabeça… Condicioná-la para trabalhar a seu favor! Basta Treinar!
Bons treinos!
Boa semana!
TRI-BJOCAS,
Aninha.





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