Diário até o Ironman: Kleber Corrêa e Rodrigo Cantal
Kleber Corrêa
E lá se foi mais uma semana de preparação rumo ao Ironman Brasil 2011…
Essa não foi uma boa semana de treinos, infelizmente venho sentindo algumas dores no quadril que por segurança me fizeram deixar um pouco os treinos de lado para tentar uma melhor recuperação para os longos treinos que estão por vir, mas de qualquer forma, treinei um pouco durante a semana e fechei mais essa jornada participando da 20ª edição do Triathlon Internacional de Santos.
De qualquer forma, mesmo tendo que encarar um pouco as dores que venho sentindo, fiz alguns treinos, bom, na verdade apenas quatro…
3ª feira – 60km de ciclismo em ritmo de rodagem, e para finalizar o dia, mais uma ótima sessão de treinamento funcional;
5ª feira – 50km de ciclismo em ritmo leve;
6ª feira – Treinamento funcional.
Mas a preparação para o Ironman é algo que vai muito além dos treinos que executamos, é um projeto complexo que deve ser pensado e repensado até a hora que cruzamos a linha de chegada, e como passei essa semana com poucos treinos, aproveitei para pensar, muito, na execução da prova, na minha alimentação e suplementação, equipamentos que utilizarei durante o ciclismo, e, principalmente, no tênis que usarei durante a maratona, essa hoje é a minha maior preocupação.Partindo para o final de semana, esse foi bem diferentes dos últimos, afinal os treinos longos ficaram de lado para dar lugar ao Internacional de Santos, essa que foi a minha 4ª prova em distância olímpica, e a primeira largada de triathlon após a do Ironman Brasil 2010, isso mesmo, fique quase 9 meses sem participar de uma prova, e confesso que isso me deixou com um frio enorme na barriga.
Falando um pouco do dia da prova, as coisas não começaram muito bem, resolvi pela primeira vez usar uma roda fechada, o que já é um erro, pois fazer testes em provas não é muito aconselhável, mas o erro não parou por aí, ao tentar encher o pneu pouco antes de sair para o café da manhã, tive a ingrata surpresa de um vazamento no bico, problema esse que demorou cerca de 20 minutos para ser resolvido, e esse era o tempo exato que eu teria para o café da manhã, e por conta disso a minha alimentação antes da prova se resumiu em meio copo de iogurte e uma banana, prática essa nada recomendada pelo meu nutricionista.

Kleber no Triathlon Internacional de Santos - Foto: Vinícius Nunes (arquivo pessoal do atleta)
Quando eu vou para a largada de uma prova, tenho um “ritual” meio egoísta, procuro me isolar um pouco das pessoas conhecidas para poder bater um papo comigo mesmo, sei lá, isso parece que me acalma, e nesse domingo não foi diferente, me isolei no mar e só subi para assistir o fim da natação dos profissionais, para então seguir para a largada.
Passado o nervosismo inicial, recebi, já dentro da área de largada, as últimas orientações do meu treinador, e parti para a prova.
Como já é normal para mim, fiz uma natação tranqüila, fechando os 1.500m para 25’51”.
Já no pedal, e fazendo um teste com roda fechada, acabei sofrendo um pouco, não me entendi com o equipamento e não consegui desenvolver o ciclismo da forma planejada, eu esperava fechar em 55 minutos, mas acabei fechando com 59 minutos, embora o resultado aponte 01:03:12 (nesse tempo está a demora com T1 e T2).
Desde o início, a minha idéia era fazer uma corrida um pouco mais tranquila, afinal tenho que focar os treinos que estão por vir, e para a minha satisfação, logo nos primeiros metros aviste o amigo Flávio José(Tri), e percebi que correr ao lado desse grande triatleta poderia ser uma ótima experiência dentro da distância olímpica, e foi isso o que aconteceu, durante os 10km da corrida estivemos um ao lado do outro, com um grande respeito de ambas as partes, o cara além de um grande atleta é um ser humano muito do bem. Valeu Flávio.
E assim foi a minha semana, sem muitos treinos físicos, mas com um trabalho mental intenso, pois como dizem por aí, o Ironman é 80% cabeça e 20% físico.
Força galera, vamos em frente que a chegada nos espera.
Kleber Corrêa - Twitter: @klebercorrea – Equipe: 5ways - Apoio: Aqua Sphere – Mynd Sportswear
Rodrigo Cantal
Tudo bem pessoal? Já que o relato da semana passada foi bem elogiado, vou manter o mesmo modelo de descrever os treinos por dia.
Segunda-feira (14/02) – O Sofrimento de treinar a noite.
O domingo a noite é o dia escolhido pela minha família (pais, irmã e sobrinha) para nos reunirmos em um jantar. Sempre saio com minha mulher e filhas para encontrar o restante da família, e sendo assim o treino de segunda pela manhã quase sempre sai prejudicado. Ás vezes por um atraso, às vezes por um baixo rendimento (resultado de muita comida na noite anterior) e às vezes por adiamento para o turno da noite mesmo. Nesta segunda ainda tivemos mais uma desculpa para o treino ficar para noite, amanheceu chovendo muito em Fortal e a corrida foi cancelada por nosso treinador. Sendo assim, para o meu sofrimento, tive que fazer os 15Kms de corrida às 19:20. A corrida era para ser em um ritmo forte, mas como na terça o treino seria muito forte, o Rafael orientou para segurar 10Km e só fazer força nos últimos 5Km. O problema foi só o seguinte, os 10 primeiros até que foi segurando a 05:10/km, mas os 5 últimos desceu para 04:20min/km devido a desobediência de meus companheiros de corrida Pablo e Rinaldo. Fui dormir bem cansado e preocupado com o rendimento do dia seguinte.
Terça-feira (15/02) – Dança da chuva.
Devido à minha preocupação com o rendimento do treino da terça, fui dormir rezando por uma chuvinha logo cedo para que pudesse ter um descanso. O resultado deu certo, só não esperava que mesmo com muita chuva alguns amigos resolvessem treinar e eu, por ser rato de treino, fosse atrás. O treino seria 1 hora e 10 minutos de pedal na temida “PAT” em ritmo muito forte + 20 minutos de corrida também em ritmo muito forte. Com o pedal cancelado, fomos eu, Nestor, Marcelo e Rommel para uma aula de spinning, que se não foi muito de muita força como seria na PAT, acabou sendo de muita resistência para segurar o giro. Depois da aula resolvi encarar a chuva e ainda corri os 20 minutos muito forte na avenida junto com meu amigo Nestor, que está treinando para o Cape Epic 2011. Quando pensei que iria deixá-lo, por ele estar só pedalando, ele resolveu mostrar que não esqueceu a corrida e quase foi ele quem me deixou (rs). A noite fiz 2000 metros de natação na piscina com direito a teste de 1000m, que para variar não gostei, para 19:56. Tenho muito que melhorar minha natação, principalmente na piscina.
Quarta-feira (16/02) – Tiros lonnnngooooooosssss!
Quarta geralmente é dia de treino de velocidade para nossa equipe. Todos na Beira-Mar a postos para 10 minutos de aquecimento + 3 tiros de 3Km com intervalo de 1 minuto em ritmo moderado para forte + 10 minutos leve. Fiz o treino com o Rinaldo exatamente no ritmo orientado pelo coach, forte mas sem ser para morte. O primeiro para 04:29 de pace, o segundo para 04:22 e o terceiro para 04:21. Só tinha um problema, mais uma vez era dia de corrida em dois períodos. Pela explicação do Rafael, treinos assim são para dar volume sem muita possibilidade de lesão. À noite, mas uma vez saindo lá de casa, lá estávamos eu, Pedro, Pablo, Rommel, Marcelo e Pedro mentirinha, foram 40 minutos em ritmo moderado segurando o ritmo para 05:20min/km.

Treino da Equipe
Quinta-feira (17/02) – Pelotão forte e seguro.
Dia de 55Km de pedal no coroão, mais uma vez em ritmo forte mas não para morte. Liderado pelo nosso amigo Pedrão, nosso pelote saiu bem organizado e forte com duplas revezando a frente e com nosso amigo Paulo Vidal (um dos monstros do triathlon cearense) sozinho mais atrás somente no vácuo visual. Formamos dupla eu e Pedro mentirinha, Pedro Mau e Rinaldo, Pablo e Germano, Alexandre e Marquinhos. Revezando de 3 em 3 minutos chegamos no retorno com uma média de 35Km/h. Na volta o pelote já estava menor e o ritmo ficou mais forte. Marquinhos e Germano voltaram mais cedo e nossa média da volta foi de 37Km/h. O bom do treino foi que todos estão começando a pegar o feeling de se pedalar em pelotão e nosso treino está cada vez mais organizado e seguro. A noite furei a natação, pois na sexta já teríamos uma natação logo cedo. Além disso, tinha levar a minha amada para um jantarzinho. Afinal, tem que cuidar certo?
Sexta-feira (18/02) – Nadar ou não nadar?
Para variar, mais um dia de muita chuva matinal aqui em Fortaleza. Nossa equipe está se comunicando muito via Twitter e, quando amanhece chovendo, logo corro para o Twitter para saber como farei com o treino. Nesse dia com uma chuva forte e uma natação de 3000 metros programada para o mar, nosso treinador, por motivo de segurança, resolveu cancelar o treino. Só que a minha vontade de nadar estava grande e resolvi sair de casa e ir ver no que dava. Chegando lá encontrei alguns amigos e depois de uns 20 minutos de chuva o céu inesperadamente abriu e trouxe até o sol. Assim, os sobreviventes que ainda foram nadar resolveram entrar no mar e fazer 2200 metros. Gostei muito da natação desse dia, pois nos 1100 metros da volta consegui nadar ao lado de meu amigo Pedro Mau, o que mostra que tenho evoluído na natação no mar.
Sábado (19/02) – Susto e explosão.
Treino saindo do Shopping Iguatemi aqui em Fortaleza é significado de muita subida no trajeto. O negócio era o seguinte: 15Km de corrida começando em ritmo de longo e aumentando o ritmo a cada 3Km. Combinamos eu, Pablo, Rommel e Rinaldo de começarmos para 05:30 de pace, depois 05:10, depois 04:50, depois 04:30 e nos 3 últimos tentar fazer para 04:10. No começo veio a parte do susto, com 700m da saída não estava atento e acabei pisando numa tartaruga dessas de asfalto e virei o pé bem forte. A dor era grande, mas depois de mais 1 km de corrida o sangue esquentou e fui até o fim do treino… Fomos seguindo o planejado até que quando foi para baixar de 04:30 no Km 12 para 04:10 no Km 13 o bicho pegou. Na verdade, até manter os 04:30 foi difícil. Surpreendentemente conseguimos correr o km 14 para 04:16 e o último numa explosão de vontade e força fizemos para 04:00, terminando na média que queríamos alcançar. No final estava bem satisfeito com o treino, mas com o pé doendo muito e ficando roxo. À tarde ele já estava inchado e bem roxo (bem na região do mindinho, quinto metatarso, eu acho). Rommel e Pedro Mau que são médicos avaliaram que não seria uma fratura, mas indicaram um raio-x só para saber se não tinha nenhuma fissura.
Domingo (20/02) – Bora competir!
Mesmo com alguma dor e preocupado com o pé, resolvi ir treinar no domingo. Era um simulado de Triathlon sprint realizado pela nossa assessoria na praia do Cumbuco, local da prova que acontecerá no sábado que vem pelo campeonato cearense. As distâncias foram um pouco diminuídas por questões de segurança e nosso simulado teve 600m swim / 17Km bike / 4Km run. Alinhados para largada nosso treinador explicou que seria um simulado e que não era preciso forçar demais. Larguei para nadar no meu ritmo de sempre e sem forçar nada, o problema é que minha cabeça de competidor não me deixa e do meio para o fim da natação já estava fazendo força. No geral gostei muito do meu tempo: 01 hora e 01 minuto, pois nadei só e sem esteira, pedalei só e sem vácuo e mesmo com o pé doendo bastante ainda corri bem. Fiquei em sétimo, atrás de Rafael Tobinha, Vitor Girão, Dr.Rommel Reno, Bruno, Alexandre 101 e Rinaldo. Após o treino fomos para um café da manhã com os amigos e nossas respectivas e de lá direto para o hospital, para ver o que estava acontecendo com meu pé. Graças a Deus, o raio-x não mostrou nenhuma fratura ou fissura e realmente foi só uma forte contusão. O médico de plantão receitou anti-inflamatório, gelo e de 1 a 2 semanas sem atividade física… (rs) Essa terceira parte é SEM CHANCE!
Para finalizar quero citar aqui uma frase que meu amigo Nestor Teixeira postou em seu Facebook essa semana e acho que serve para nossa equipe aqui em Fortaleza e para muitas outras pelo Brasil, nas quais, às vezes, as disputas internas acabam por atrapalhar o convívio:
“Existem quatro elementos necessários para que exista a confiança em uma equipe: credibilidade, coerência, receptividade/aceitação, clareza/sinceridade. Juntamente com a confiança nasce a interdependência, onde cada pessoa, além de se interessar pelo seu resultado, passa a se preocupar com o resultado de todos, do qual o propósito final é único, ou seja, o da Equipe”.
Boa semana a todos,
Rodrigo Cantal














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