Novas regras de uniformes da CBTri podem prejudicar atletas da elite brasileira

23/01/2011 por Enviar por e-mail Imprimir
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Tritar Rio de Janeiro

Foram publicadas no site da CBTri (Confederação Brasileira de Triathlon) as novas regras de uniformes para os atletas da elite brasileira, que passam a valer para o ano de 2011. As principais mudanças foram a redução para um único espaço de patrocínio e a obrigatoriedade do uniforme cedido pela CBTri nos Projetos de Alto Rendimento (Seleção Brasileira, Projeto Rio 2016 e Projeto Rio Maior 2016.

Analisando a norma (clique aqui para baixá-la), pode-se identificar alguns pontos que criarão polêmica e, provavelmente, prejudicarão atletas que estão nos Projetos de Alto Rendimento e já possuem patrocínio.

A primeira questão está na seção 1 do Capítulo II: “A imagem e exploração de todos os espaços nos equipamentos das Equipes de Alto Rendimento, sejam eles de passeio, treino ou competição, é da inteira e única responsabilidade da CBTri.” Embora padronização dos uniformes de competição seja importante, entendemos que a alçada de trajes de passeio e treino seja exclusivamente do atleta, a não ser que a CBTri forneça todo o material para passeio e treino, o que atualmente não acontece. Mesmo sem citar exemplos, para preservar os atletas, basta percorrer as galeria de fotos do MundoTRI e reparar os uniformes dos atletas brasileiros e perceber que isso será inevitável.

unif220111g 520x347 Novas regras de uniformes da CBTri podem prejudicar atletas da elite brasileira

Novo modelo de uniforme possui um belo visual, mas as regras de seu uso devem gerar controvérsias

Depois, vemos que os atletas tem um único espaço publicitário de 20cmx15m no macaquinho, porém, o texto diz: “O referido espaço poderá ser utilizado, inscrevendo um logotipo, para publicitar marcas, empresas ou produtos, desde que o mesmo não colida com os acordos comerciais da CBTri, decorrentes de contratos de patrocínios, firmados ou em negociação.” Ora, é sabido que a maioria dos atletas que possuem alguma forma de patrocínio tenham contratos com marcas relacionadas ao esporte. Assim, é provável que o conflito acabe acontecendo. Diante desta situação, o atleta se vê em um dilema: ou segue as regras da CBTri e usufruiu dos benefícios dos projetos de alto rendimento (como passagens, hospedagem etc.) e abrem mão, eventualmente, de patrocínios e apoios; ou mantém seus acordos comerciais e abdicam do apoio fornecido pela Confederação.

Essa situação fica ainda pior quando o texto menciona a Grande Final do circuito mundial, que acontece com o Campeonato Mundial, e Pequim- China (Capítulo III): “Todos atletas brasileiros Elite, Sub 23 e Junior devem usar o uniforme oficial da CBTri “sem qualquer modificação” na ITU WCS Grand Final em Beijing, China.” Pouco depois, a norma mostra uma contradição: “Atletas que tenham apoiadores/patrocinadores que produzam uniformes de competição, podem produzir seu próprio uniforme de competição desde que sigam as regras de layout e cores da CBTri aprovados pela ITU. Idem para os itens acima sobre apoiadores da CBTri aos atletas e WCS Grand Final. Estes uniformes devem ser aprovados antes do uso em competição pela Diretoria de Material e Tecnologia do Esporte (sanderson.palma@cbtri.org.br)”

Supondo um atleta que não recebeu nenhum apoio da CBTri ao longo do ano, treinou o ano todo e financiou suas viagens e conseguiu pontos para largar na Grande Final, o mesmo terá que utilizar os apoiadores da CBTri, o que não faz sentido algum. Assim, foi retirada a opção de escolha do atleta,que poderia simplesmente não querer o apoio, o que aconteceria com diversos atletas de classe internacional que possuem diversos apoiadores e patrocinadores. Imagine a posição de um dono de empresa que patrocina um atleta: você o financia o ano todo e na prova mais importante do ano sua marca não aparece?

Claro que os apoios são importantes para a CBTri, que se inspirou em modelos de outras Confederações para definir o uniforme. Por exemplo, o time britânico tem um patrocínio único para 50 atletas, inclusive para o Paratriathlon e amadores, mas fornece o apoio financeiro e material a todos eles. No caso brasileiro, seria mais prudente seguir o modelo francês, onde há mais espaços para patrocínios dos atletas.

Entendemos que CBTri acabou criando mais dificuldades para os atletas, que já lutam para conseguir apoios e patrocínios. Contudo, no último item do regulamento, há uma luz: ” Atletas que já possuem contratos em vigor com patrocinadores/apoiadores e que tenham interesses conflitantes com a presente Norma, deverão entrar em contato com a Diretoria de Material e Tecnologia do Esporte (sanderson.palma@cbtri.org.br) que verificará caso a caso e definirá os procedimentos a serem adotados.”

O MundoTRI entrou  em contato com San Palma, que nos disse que cada caso será analisado pelo Presidente da CBTri, Sr. Carlos Fróes. Como a CBTri não consultou atletas, técnicos, patrocinadores e a imprensa antes de elaborar a norma, cabe a nós somente torcer que essa análise seja feita com isenção e que todos sejam tratados da mesma forma.

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