A distribuição geográfica de provas oficiais de Triathlon e atletas federados no Brasil
A Confederação Brasileira de Triathlon divulgou recentemente seu calendário paras as provas oficiais em 2011. Serão, a princípio, dez competições, distribuídas da seguinte forma:
> 26/03/2011 – BRASILEIRO DE LONGA – FORTALEZA
> 17/04/2011 – 1ª ETAPA – COPA BRASIL SPRINT – CUIABÁ
> 08/05/2011 – BRASILEIRO DE DUATHLON – CURITIBA
> 14/05/2011 – BRASILEIRO DE AQUATHLON – JOÃO PESSOA
> 22/05/2011 – 2ª ETAPA COPA BRASIL SPRINT – MANAUS
> 04/06/2011 – 1ª ETAPA BRASILEIRO OLÍMPICO – ILHÉUS
> 07/08/2011 – 3ª ETAPA COPA BRASIL SPRINT – TOCANTINS
> 22/10/2011 – BRASILEIRO INFANTIL E INFANTO JUVENIL – FLORIANÓPOLIS
> 30/10/2011 – 4ª ETAPA COPA BRASIL SPRINT – SALVADOR
> 06/11/2010 – 2ª ETAPA BRASILEIRO OLÍMPICO – VITÓRIA
Notamos que 7 das provas serão realizadas nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Uma prova será realizada no Sul (mesmo assim infantil e infanto-juvenil) e uma no Sudeste, fora do eixo Rio-São Paulo. A princípio, isso não significa nada, pois precisamos saber a distribuição geográfica dos atletas:
Nota-se que 36% dos atletas estão na região sudeste e 53,5% nas regiões Sul-Sudeste, sendo que o estado com mais atletas federados é o Rio de Janeiro, que não terá nenhuma prova este ano. A primeira questão que se coloca é que a maioria dos atletas terá que fazer grandes deslocamentos em todas as provas oficiais.
Claro que é importante promover o Triathlon em regiões com menos praticantes, como o Norte e o Centro-Oeste, o que justifica a prova em Manaus/AM. Além disso, há provas tradicionais, como o Longa Distância em Fortaleza, de organização impecável.
Por outro lado, a prova em Vitória faz pouco sentido, já que há poucos atletas no Espírito Santo e as provas nessa cidade já se tornaram Duathlon diversas vezes. Ademais, em 2010, tivemos sérios problemas de organização, com problemas até mesmo de contagem de voltas.
Outro ponto que evidencia que a distribuição de provas está incoerente com a distribuição do esporte no país é a origem dos líderes dos rankings de Faixas Etárias em 2010:
> SP 4 Não terá competição em 2011
> BA 3 Terá competição em 2011
> CE 3 Terá competição em 2011
> SC 3 Não terá competição em 2011 (somente infantil)
> ES 2 Terá competição em 2011
> MG 2 Não terá competição em 2011
> PR 2 Terá competição em 2011
> RJ 2 Não terá competição em 2011
> DF 1 Não terá competição em 2011
> GO 1 Não terá competição em 2011
Para piorar a situação, a CBTri reduziu o número de etapas de 2010 para 2011, caindo de 16 provas para apenas 10. Mas como promover o Triathlon em regiões menos desenvolvidas e mantê-lo ativo nos estados onde há grande número de praticantes, como BA, DF, PA, PR, RJ, RS e SP? Antes de propormos uma solução para esta pergunta, vamos esclarecer como são definidas as etapas dos eventos da CBTri.
A escolha das etapas
Há 3 anos atrás, as etapas eram definidas em Assembléia, com os presidentes das Federações, com critérios e sorteios, de forma aberta e democrática. Desde então, por decisão da própria Assembléia, foi delegada à CBTri a decisão sobre a localização dos eventos.Até 2010, a CBTri definia os locais e transferia os recursos (R$15 mil para Triathlon e R$5 mil para Aquathlon e Duathlon) para a Federação que organizaria a competição.
Em 2011, a CBTri anunciou que cortaria esse apoio e ainda cobraria 50% do valor das inscrições (clique para ver o comunicado oficial da CBTri). Nesse mesmo comunicado, a CBTri convoca as Federações para enviarem propostas de eventos. Obviamente, a maioria não mandou, já que, sem recursos da CBTri e ainda tendo que dividir os valores das inscrições com a instituição, a organização se torna inviável.
Porém, tivemos acesso a um e-mail da empresa contrata pela CBTri para auxiliar a organização dos eventos desta, onde fica claro que a CBTri dará apoio financeiro ao evento em Curitiba (última prova confirmada do ano). A Federação Paranaense está renascendo após alguns problemas, e essa ajuda é importante, mas por que não oferecê-la a todos?
Coincidência ou não, as Federações que fazem oposição aberta à CBTri (SP, RJ, AL, GO e DF) não terão eventos este ano, seja porque não mandaram propostas (pois foram informadas que não havia apoio financeiro), seja porque tiveram suas propostas negadas.
Uma proposta de solução
Voltando à nossa questão, como promover o Triathlon em regiões menos desenvolvidas e mantê-lo ativo nos estados onde há grande número de praticantes, como BA, DF, PA, PR, RJ, RS e SP? De um lado, se não promovemos o esporte em regiões com poucos atletas, o esporte não crescerá. Por outro lado, realizar muitos eventos em locais onde há um número de atletas reduzido, distantes dos principais centros de concentração de atletas, acarretará aumento de custos, o que refletirá em uma menor participação. Além disso, temos que evitar provas como a ocorrida em Porto de Galinhas, no ano passado.

A prova de Porto de Galinhas teve vários problemas, devido a falta de experiência na organização no local.
Nossa sugestão é a regionalização das competições, com os melhores atletas de cada estado/região, disputando os campeonatos brasileiros. Pode-se dividir o calendário em três etapas. A primeira, seria a estadual, onde seriam selecionados os atletas para as disputas regionais. Já das disputas regionais, sairiam os atletas para disputar as etapas dos brasileiros.
Essa estrutura poderia ser realizada para o Aquathlon, Duathlon e Triathlon. Imagine quantos eventos divulgando o esporte teríamos no país, todos com apoio e chancela da CBTri. Aí sim, poderíamos colocar as etapas dos brasileiros em regiões distintas ou, até mesmo, realizar revezamentos ou rodízios.
Essa proposta poderia resolver os dois lados da equação, promovendo o esporte em regiões com menos praticantes e mantendo seu crescimento nos grandes centros. Além disso, isso evitaria que assistíssemos novamente campeonatos “brasileiros” com menos de 100 pessoas, como ocorreu em 2010.Outro ponto positivo seria a fomentação de organizadores em todos os estados e o fortalecimento do trabalho de base das Federações.
Há ainda outras propostas interessantes, como endossar algumas provas como oficiais. Temos diversos percursos de qualidade no país: SESC Triathlon, Troféu Brasil (mais restrito a São Paulo), Long Distance, GP Internacional etc. Uma alternativa complementar seria a homologação dessas provas pela CBTri, o que evitaria a concorrência com as provas da Confederação.
Se quisermos fazer o Triathlon crescer no Brasil, é fundamental repensar a forma como distribuímos os eventos. Talvez nossa proposta não seja a melhor, mas já está na hora da CBTri se tornar permeável ao que a imprensa, os organizadores e os atletas estão dizendo.















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