Quem não aguenta, pede para sair? Não é isso o que pensa Sandra Soldan
Na matéria veiculada no website da CBTri (Confederação Brasileira de Triathlon) sobre o lamentável Campeonato Pan-americano de Triathlon de Longa Distância, um trecho dizia:
“Houve participante que desistiu logo durante a primeira prova. O mar de Porto estava um pouco revolto e exigiu bastante dos atletas. Quem não suportou pediu para sair. Mas teve gente que não reclamou. Sandra Soldan, por exemplo, rasgou elogios à competição, que aconteceu pela primeira vez no estado. ‘ A estrutura está muito boa. E triathlon é isso mesmo. Superação.”
Primeiro, é notória a falta de respeito com os atletas que não completaram a prova. Trata-se de vidas humanas, de pessoas que tem famÃlia, filhos, trabalho e não vão se arriscar por incompetência da organização. No manual de regras da ITU fica claro que os eventos só podem acontecer com segurança, o que não houve no domingo, como também relatou o triatleta profissional e terceiro lugar na prova, Guilherme Manocchio em seu site.
Segundo, Sandra Soldan, por e-mail, foi categórica ao desmentir o que foi citado na matéria:
“É com muito pesar que escuto a notÃcia de que puseram em meios de comunicação a notÃcia do evento com elogios meus em relação à organização do evento. Muito pelo contrário. Foi uma desorganização só, desde o inÃcio. Mas, como eu disse para a pessoa com quem conversei após a prova, o triatleta é movido a desafios, e as adversidades fazem parte da rotina do atleta. O local é lindÃssimo e, pensando nisso, fazemos o que mais gostamos. Isto está longe de ser um elogio a organização do evento. As pessoas entendem como querem, e escrevem aquilo para qual foram designadas. Coloquei-me como uma atleta que mora no Rio e tem condições precárias de treinamento, a realidade da nossa rotina aqui com estrutura de treino quase inexistente oferecida pela cidade, mais especificamente Niterói, onde moro. Foram estas palavras que usei ao relatar o que eu achei da prova. Qualquer coisa, menos elogio.”
A CBTri retirou a matéria do ar, mas nós mostramos para você uma cópia (clique para ampliar):
Vários atletas e assessorias esportivas tem manifestado repúdio à s atitudes da CBTri diante do ocorrido. Algumas assessorias esportivas, como a 5Ways (uma das maiores de São Paulo envolvidas no Triathlon), anunciou em seu Twitter: “A 5ways está fora das competições da CBTri, até que haja uma retratação e que possam tratar o esporte com seriedade. Nossa programação será modificada. Não podemos fazer propaganda de uma competição que coloca nossos atletas em risco.”
Já enviamos e-mails para a CBTri cedendo espaço para resposta e para que pudessem se desculpar com os atletas, mas até agora nenhuma resposta. Talvez isso aconteça porque alguns dos responsáveis pela prova estão lecionando um curso de Técnico de Triathlon em Cuiabá, até sexta-feira. Uma dúvida que o MundoTRI questionou a entidade é se a disputa valeria como seletiva para o Mundial de Longa Distância, já que, pela ITU, a distância deve variar de 2O (dois olÃmpicos) até 4O (quatro olÃmpicos), que não foi oi caso em Porto de Galinhas.
















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