Fraturas por estresse – parte 1: causas
A fratura por estresse representa a inabilidade de um osso em suportar cargas repetitivas de sobrecarga mecânica, resultando em fadiga estrutural e consequente sinais e sintomas de dor localizada e inflamação. Representam hoje cerca de 53% das lesões em dançarinas, 43% das lesões em corredores, 21% de praticantes de track & field, 12% em praticantes de tênis e arremesso de peso.

O osso, estrutura base do corpo humano é um tecido maleável e adaptável e não uma estrutura rígida e dura como imaginamos.
O osso, estrutura base do corpo humano é um tecido maleável e adaptável e não uma estrutura rígida e dura como imaginamos. Quando sujeitamos o osso a uma sobrecarga, pequenos estiramentos vão acontecendo em seu interior. Quando estes estiramentos são contínuos, o osso se adapta e até mesmo muda de forma para se adaptar à aquela nova demanda.
O grau de deformação do osso é proporcional a quantidade de estresse que ele recebe, desta maneira, se sujeitamos o osso a uma alta carga de estresse mecânico, estas estruturas internas podem se romper, ocasionando as fraturas por estresse.
Tudo não passa de uma relação de capacidade X demanda !
As fraturas por estresse são específicas a locais que estão expostas a sobrecargas de repetição sendo a tíbia, metatarsos ( ossos dos pés ) e fíbula os mais acometidos. Esportes diferentes geram demandas diferentes. Por exemplo, atletas velocistas, sobrecarregam mais os pés que atletas de endurance.
CAUSAS
LESÃO É MULTIFATORIAL.
Existem fatores intrínsecos e extrínsecos envolvidos para que a fratura ocorra, sendo:
| EXTRÍNSECO | Tipo de Atividade / esporte
TREINAMENTO Equipamento Esportivo FATORES PSICOSSOCIAIS |
| INTRÍNSECA | Fatores ósseos
Fatores Musculares Fatores Articulares Fatores Biomecânicos Grau de atividade física Fatores Nutricionais Sexo |
Destaco os fatores TIPO DE ESPORTE, TREINAMENTO, FATORES PSICOSSOCIAIS E FATORES BIOMECÂNICOS como as principais causas de Fratura por Estresse.

O atleta muitas vezes confunde o condicionamento cárdio respiratório com o condicionamento músculo esquelético
“O atleta muitas vezes confunde o condicionamento cárdio respiratório com o condicionamento músculo esquelético, muitas vezes ele possui pulmão e coração para passar sua corrida diária de 8km para 14km, porém sua estrutura muscular e óssea não estão aptas a suportar este aumento, iniciando assim um processo de sobrecarga. Esta sobrecarga ocorre normalmente no início do treinamento ou no aumento do volume e intensidade do treinamento, pois são fases em que o atleta acaba subestimando a planilha, o conceito de “quanto mais melhor” é muito presente ainda nos dias de hoje”.
Fatores biomecânicos são muito importantes para predizer locais de maior sobrecarga. Uma pisada em pronação aumentada, excesso de rotações de joelho e quadril, desbalanceamentos musculares, alterações no ritmo escápulo umeral, são alguns dos fatores importantes que levam a sobrecarga de repetição, podendo levar as estruturas envolvidas no movimento à fratura por estresse.
O tipo de esporte também prediz o grau de estresse ósseo, esportes que possuem saltos chegam a possuir 4 vezes mais sobrecarga axial do que corredores de rua por exemplo, não podemos esquecer que não é apenas o impacto direto que causa a lesão e sim o estresse repetitivo, esportes como tênis e arremesso de peso por exemplo, levam estruturas como costelas e escápula a fratura por excesso de movimento repetitivo.
Na segunda parte do artigo, Gustavo Braga falará sobre o diagnóstico, tratamento e prevenção da fratura por estresse. Imperdível!
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Gustavo de Paula Braga é Fisioterapeuta da Clínica Moove, Antiga Dr.Fisio. Especialista em Treinamento Esportivo e Especialista em Fisioterapia Esportiva, é também Fisioterapeuta da Seleção Brasileira de Judô. Mais informações: www.clinicamoove.com.br





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