Profissional X Elite X Amador no Triathlon
Na última edição da MundoTRI Magazine, publicamos um artigo sobre a diferença entre o atleta profissional x elite x amador (clique aqui e  leia os artigos na página 46). Continuando a discussão, o triatleta e blogueiro Cleiton AbÃlio coloca alguns pingos nos “is” do debate.
Há muito tempo, eu tenho visto o debate a respeito do tema: Profissional ou Amador. Sempre me abstive de menções, porque eu não tinha opinião a respeito. E vou confessar que o meu desinteresse, era o resultado da espera de um discurso de que melhor me servisse. E é bom que todos saibam que as minhas reflexões e crÃticas, são para o crescimento do todo e em momento algum, fujo da responsabilidade dos meus atos. Eu sou um indivÃduo que luto para mudar a mim mesmo e a sociedade que me rodeia, sabendo das minhas limitações e inconformado com a realidade que criamos a cada dia. Dessa forma, vamos começar esse post que deveria ter sido publicado na Revista MundoTRI Edição 2 de Outubro de 2010, mas não o foi por falhas de comunicações.
Profissional, Elite, Amador 15/16, 17/19, 20/24, 25/29, e assim por diante. São muitas categorias, não são?! E, é incrÃvel como o ser humano ama classificar as coisas. É a classificação que ordena as coisas e sem ela não somos nada, porque é nela que acreditamos. E diante da subjetividade da classificação, pura perda de tempo é discuti-la, pois cada um vê o mundo de um jeito. Mas precisamos erguer nossas crenças, mesmo que sobre pilares de areia, de que há o certo e o errado. Mas eu quero ir além disso, para que você possa construir a sua própria classificação, pois a limitação da nossa visão é o que nos faz seres tão pequenos, desconhecedores das realidades sociais, jurÃdicas e esportivas.

O que difere a elite dos profissionais?
Dois temas que eu ainda não aprofundei aqui serão mencionados: A Não-Vinculação do Esporte às Instituições de Ensino e O Custo de Provas para Clientes ao Invés de Atletas. Espero, no futuro, poder esclarecer um pouco mais essas concepções.
Existem várias coisas que movem o ser humano. Fome é uma delas! Mas eu vou mencionar duas, que vão resolver o problema de fundamentação dos argumentos: Dinheiro e o Ego. Aonde tem dinheiro, as coisas acontecem e se houvesse premiação em dinheiro para os amadores, aconteceria a mesma tragédia tupiniquim que foi a Claro 100K Campinas. Mas como essa não é a realidade dos triathlon brasileiro atual, a maior motivação vêm do ego. E infelizmente, não há como não o ser, pois se assim não o for, desse mundo livre estarás. E o que o ego quer é subir num palanque de madeira enumerado de 1 a 5, receber um pedaço de acrÃlico ou madeira e um aperto de mão ou um beijo no rosto de uma bela garota!
É tão engraçado que têm gente que bate no peito e diz: “Eu sou Campeão Brasileiro!”. É… é exatamente assim! Quem não conhece, até acha que é de verdade! Aà você pergunta: – Tá! E você ganhou quanto com isso?! (Porque há uma necessidade social de quantificar as coisas através do valor monetário). E a pessoa responde: – Nada! Eu ganhei na minha categoria. E não fala pra ninguém que só tinha eu, viu?! Porque esse negócio de triathlon é tão caro que o pessoal da minha categoria não teve dinheiro para ir nessa prova!
Pronto! Estão vendo? De Campeão Brasileiro, o indivÃduo passou a trouxa e falido, na visão do outro. O dialogo acima é hipotético e representa muito bem como o ego funciona.
Por que as pessoas não se preocupam consigo mesmas? Quantas vezes eu já não critiquei a própria crÃtica e a maneira como ela é feita? A complexidade humana está aumentando num nÃvel tão exorbitante, que nem o esporte amador é saudável mais. Se preocupe com o que você faz, para que você faça bem feito. Se você for bom, então sempre olhe para os melhores e tende ser melhor ainda. Exemplo: Se eu fiquei em sexto (e não pude levar para casa meu peso-de-papel e a minha foto no pódio) porque o Andy Potts resolveu alugar um jatinho e competir na minha categoria como forma de preparação, que se dane! Eu vou para casa, e vou treinar mais e da próxima vez eu vou “dar na cabeça” dele. Essa deve ser a mentalidade. De melhorar a si mesmo e não aumentar o grau de complexidade das coisas; e eu até entendo, pois é difÃcil sermos simples. E sempre que eu menciono simplicidade no triathlon, me lembro do passado e dos idos anos de Triathlon Cup, em Minas Gerais.

dos idos anos de Triathlon Cup, em Minas Gerais. Se você conseguiu compreender que o importante é você fazer a sua parte, então agora é hora de aceitar e deixar o outro ser feliz!
Se você conseguiu compreender que o importante é você fazer a sua parte, então agora é hora de aceitar e deixar o outro ser feliz! Se o triatleta quer, gosta e lhe é permitido se inscrever como Profissional e ele é o último colocado, com um resultado bem inferior ao de centenas de amadores, eu lhe pergunto: – Em algum momento isso lhe causou transtorno? Se a resposta é não, então deixe o atleta ser feliz, pô! O ego dele fica feliz com o último lugar, desde que, ele largue no Profissional. Então, quem somos nós para julgar?!
O Brasil é repleto de provas de triathlon, sim. Mas poucas são financeiramente acessÃveis para a maioria dos atletas. E a elitização do esporte é notória. O atleta que paga U$ 400,00 de inscrição e vai lá para ganhar U$ 4.000,00, com certeza está tendo retorno apenas de parte do investimento. E não de todo o investimento.
O preço que se paga para ser atleta no Brasil é imensurável, e muito me impressiona como as pessoas não vêem isso. O que são U$ 4.000,00? Se um par de rodas de competição, custa U$ 2.500,00. Se um quadro custa U$ 4.000,00. Sendo que: ninguém se preocupa com o fato de não haver fabricantes nacionais, de não existir polÃticas públicas para o surgimento desse empresariado e a sociedade não reconhece e, principalmente, não valoriza o atleta.
Concluindo e resumindo: a fatia do bolo que sobra para nós é muito pequena para essa discussão, e o mais importante é fazer o que deve ser feito e, principalmente, fazer bem feito!
Abração! E bons treinos!
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Cleiton AbÃlio é triatleta há mais de dez anos, e possui um blog sobre o esporte: cleitonabilio.wordpress.com














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