Entrevista: Luiza Tobar, pódio no mundial de Ironman 2010
MundoTRI: Como foi a preparação para o Ironman em Kona? Alguma rotina ou mudança específica para a prova?
Luiza Tobar: Eu estava montando minha periodização e me treinando sozinha há mais de um ano. Após um bom resultado no Ironman Brasil deste ano, resolvi pedir ajuda para o Ricardo Dantas para treinamento total, pois ele havia me ajudado por dois meses na natação e, em pouco tempo, tive grandes evoluções. Ele topou me ajudar, e assim caí em um treinamento um pouco diferente do que estava habituada. Comecei a fazer treinos frequentes (uma vez por semana) no laboratório de esforço físico (Laef) da UFSC. Além disso, após a conquista da vaga, resolvi sair da academia que estava trabalhando, pois estava com uma rotina muito puxada, trabalhando, estudando, treinando, cuidando de tudo sozinha e dormindo muito pouco. Assim, tive mais tempo pra treinar tranquila, terminar a faculdade bem e descansar mais. Fora isso, nada demais. Continuei fazendo o que sempre faço e com o mesmo estilo de vida que sempre tive.
MundoTRI: Muitos atletas sofrem com o calor e a umidade do Havaí. De que forma você desenvolveu sua ambientação na grande ilha? Fez algum trabalho aqui no Brasil também?
Luiza Tobar: Moro em Florianópolis e, apesar de ser úmido, a temperatura média nessa época do ano é bem mais baixa. Assim, com o patrocínio da Fundesporte, Secretaria do Esporte do Governo de Santa Catarina, tive a oportunidade de ir duas semanas antes da prova para me adaptar ao clima, fazer uns treinos mais específicos no próprio percurso, me concentrar sozinha e, lógico, descansar de verdade, saindo da rotina e das obrigações do dia-a-dia. No Brasil, não fiz nada referente a isso.
MundoTRI: Conte-nos um pouco sobre a prova, quais eram suas programações para o ritmo na natação, bike e corrida?
Luiza Tobar: A programação de tempo máximo, caso desse muita coisa errada ou eu não estivesse correspondendo bem naquele dia, era: natação 1hr10’; bike 6hrs e a corrida tinha que ser de qualquer maneira o mais rápido possível. Estava muito bem treinada para nadar tranquilamente em até 1hr10’ e pedalar para 5hrs45’. Na corrida fechei alguns treinos longos em ritmo forte, com a maratona próxima de 3hr10’, mas sabia que após toda a prova, o forte que conseguisse encaixar seria acima desse tempo. A programação era fechar a prova em no máximo 10hr50, já que no Brasil havia fechado em 10hr 23’, mesmo estando muito menos treinada e preparada.

Foto: Wagner Araújo
MundoTRI: Outro ponto muito sensível em Kona é a alimentação, ponto no qual parece não ter tido problema algum. Como foi sua alimentação durante a prova? Havia treinado antes?
Luiza Tobar: Minha alimentação na prova foi o básico de todo Ironman. Tenho problemas em comer qualquer mordida de qualquer sólido durante a prova. Tento, tento e não consigo, cuspo fora. A prova toda é baseada em gel, goles de água, Gatorade e Coca. A única comida que consigo levar é batata cozinha bem mole com sal, que levo alguns pedacinhos para engolir quando estou pedalando. Só que, dessa vez, nem a batata desceu. Levei uma garrafinha de Endurox na bike. Sempre levo soro em pó para misturar em água, o que SEMPRE me salva nos momentos necessários. No entanto, é preciso cuidado no excesso do Gatorade, Coca (que possui gás) e do soro. Se você beber muito pode chegar a ater diarréia e muita dor de barriga. Quanto ao gel, não tem jeito, mesmo que o ph ácido acumule no estômago, tomo durante a prova toda.
MundoTRI: E você Luiza, já esperava o pódio em sua categoria?
Luiza Tobar: Sim. O objetivo principal de ter ido a Kona esse ano era chegar em top 5 na categoria e ir ao pódio. Entretanto, esperava ficar mais próxima da primeira do que da quinta colocação! (risos) E eu sei que era possível, mas dessa vez não deu.
MundoTRI: Algum momento de dificuldade durante o Ironman que a fez pensar que não seria possível estar no pódio? Como lidou com ele?
Luiza Tobar: Sim, com certeza. Saí pra nadar e fiz metade da bike sem estar me sentindo bem. Estava concentrada, fazendo o que fazia há duas semanas lá, e não conseguia impor o ritmo que estava colocando tranquilamente nos treinos. Não conseguia entender o porquê de estar como estava. Tive muita paciência, aguentei ver muita gente me ultrapassar na bike, sem ter forças para ir junto. Foi duro, mas me concentrei e fui embora, pois sabia que na hora era aquilo que tinha. Tudo mudou quando fiz o retorno da bike em Hawi, bebi uns goles do meu soro “salvador”, e aí um UP me fez sair atrás do prejuízo ou literalmente correr atrás do pódio. Comecei a me sentir muito bem e daí para frente fiz uma prova excelente.
MundoTRI: E se você pudesse mudar alguma coisa na prova ou na preparação, o que mudaria?
Luiza Tobar: Na preparação, nada. Antes da prova, descansei bastante, mas poderia ter descansado mais ainda. Na prova, mudaria minha tática da natação e já tentaria beber alguns goles de soro para tentar ficar bem desde o início do pedal. E, COM CERTEZA, arrumaria alguém de apoio fora da prova, para me indicar quantos minutos ou distâncias as meninas estavam à minha frente. Isso, certamente, mudaria muito a prova, pois todas as meninas do pódio, com exceção da primeira, chegaram muito próximas umas das outras.
MundoTRI: Você assistiu a prova dos profissionais de um lugar privilegiado, algum ponto que lhe chamou atenção e queira comentar?
Luiza Tobar: Em um momento, na perna final da bike, passei pelos homens profissionais correndo. Ali se foram alguns minutos perdidos de concentração. Todos ao meu lado, inclusive eu, fomos tomados e hipnotizados pela prova deles. Fazendo a nossa e assistindo ao mesmo tempo, Online Pharmacy No Prescription Needed até que alguém comentou algo, eu acordei e falei “vai Lu, vai pra frente; não dá para fazer os dois ao mesmo tempo”. Fora isso, nem é preciso comentar como é incrível encontrar com todos os profissionais pedalando, lógico que eles voltando e eu indo. (risos). Estar em Kona é estar rodeado dos melhores triatletas do mundo, e a presença deles, por mais incrível que seja, acaba se tornando algo normal.
MundoTRI: Por fim, o que você tem a dizer para os nossos leitores que sonham com uma vaga em Kona?
Luiza Tobar: Se sonham, corram, literalmente, atrás da vaga. Treinem muito, se dediquem todos os dias e façam sacrifícios. Chegar a Kona é uma escolha diária de muitos meses seguidos. É se dividir entre treinos, trabalho, estudo, obrigações e família. São abdicações, sacrifícios e sofrimento. Cada minuto de esforço em todos esses dias vale a pena. Estar em Kona é inexplicável, é mágico. Estar na largada do Campeonato Mundial de Ironman é algo extremamente grandioso e que não tem preço. Terminar a prova e subir ao pódio mais ainda. Quem vai uma vez quer voltar sempre!














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