Existe uma cadência ideal no ciclismo do triathlon?

13/08/2010 por Enviar por e-mail Imprimir
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MundoTRI Live
Santaconstancia

Em mais uma série de reportagens e artigos, vamos discutir um tema muito polêmico desde que alguém decidiu correr depois de pedalar: existe uma cadência ideal no ciclismo do triathlon? Ela é baixa, alta, moderada? Como isso afeta o desempenho na bike e na corrida? Começamos com o artigo de um dos maiores ciclistas do triathlon brasileiro, Luiz Otávio Duarte, o LODD. Seu currículo esportivo é extenso. Já completou 6 Ironmans, sendo a melhor marca 10h30min, em 2003. Em em 2008 foi  3º colocado (35-39) no Long Distance de Pirassununga, e conquistou mais alguns pódios no circuito Long Distance e no Troféu Brasil de Triathlon. Já no ciclismo, LODD foi Campeão Paulista geral amador de Contra-relógio individual em 2007, bronze no Campeonato Brasileiro de Pista Elite – Perseguição Individual neste ano, além de ser integrante da equipe Lidra/Americana de ciclismo de pista.

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Por LODD

Tudo nessa vida é uma questão de adaptação. Se você escolhe por algum motivo (e um bom propósito) alterar sua cadência de prova de maneira pensada, a prática é tudo. “Train the way you race” já dizia o grande Andrew Coggan.

Agora aos fatos:

Primeiro e mais importante, cadência em provas de triathlon é geralmente uma relação de custo x benefício. Uma vez que o trecho de pedal da prova é sempre feito bem abaixo do limite para a duração (salvo alguns kamikazes) o que o atleta tem que pesar é a relação entre aumentar ou diminuir a rotação do “motor” para tentar guardar alguma coisa para o resto da prova.

Isso posto, o que sempre vai nos interessar é a POTÊNCIA gerada (veja bem que não é a usada, pois tem gente que usa muito mais potência do que gera). Como potência é o resultado da força pela velocidade, no caso do ciclismo o torque aplicado nos pedais pela cadência com que giramos eles, qualquer modificação em uma das partes vai afetar o resto.

A minha experiência com o meu treino, e de ouvir e ler relatos de outros atletas é a seguinte: para se obter uma mesma potência, quando usamos uma cadência mais alta é exigido mais do nosso sistema cardiovascular. Simples, a parte “muscular” da equação (força nos pedais) diminui e por isso tem que ser compensada no “coração”. Aí entra a grande e maravilhosa diferença entre os seres humanos, a diferença genética que é ampla em nosso esporte. Atletas com mais massa muscular (na verdade é com maior quantidade de determinado tipo de fibra muscular) compensam na força (aqui eu sempre usava o exemplo de atletas fortes, como Sturla, Collucci e companhia limitada até o aparecimento das meninas do Brett). Enquanto atletas mais leves, com biotipo mais de corredores e Endurance pura fora dos padrões de um ser humano normal (aqui eu sempre vejo os corredores, não aqueles que correm bem no triathlon porque isso é um outro esporte, mas aqueles que correm bem provas de rua, que vieram da corrida ou que dão trabalho nesse tipo de prova – Ezequiel, Santiago, Ciro…) compensam no coração e usam menos força pra gerar a mesma potência.

stadler Existe uma cadência ideal no ciclismo do triathlon?

A cadência no triathlon sempre gerou grandes discussões

Lógico, que aí vem os pontos fora da curva como Oscar Galindez, Lieto, Normann… que são aqueles que juntam o melhor dos dois mundos.

Vocês devem conhecer o monstro sueco Bjorn Andersson? Eu já tive o prazer (não sei onde foi prazer, mas…) de pedalar com esse cara e ele é uma aberração do primeiro tipo – Escala montanhas duríssimas com relações absurdas e cadências que a maioria dos ciclocomputadores antigos não conseguem nem mesmo medir.

Esse tema pode envolver uma grande discussão técnica, o que não muda em nada a grande verdade, que é: não existe uma verdade.

Como eu disse antes, cada atleta deve se conhecer (de preferência com a ajuda e guia de um bom técnico) e fazer uso das suas qualidades genéticas, literalmente daquilo que Deus lhe deu.

lance armstrong Existe uma cadência ideal no ciclismo do triathlon?

A cadência no ciclismo é trabalhada de forma bem diferente do triathlon

O que me revolta é de ver gente ouvindo ou lendo qualquer uma dessas informações e colocando em uso sem ao menos pensar…. aí você vai para o percurso de um triathlon e vê aquele “fã” do Armsntrong girando acima de 120RPM e andando mais pra cima e pra baixo no selim do que pra frente com a bike. Ou então aquele atleta de 50kilos que leu os escritos de Brett Sutton uma semana antes da prova, comprou um volantão 56 e soldou a corrente na catraquinha, mal conseguindo girar os pedais.

Geralmente um atleta migra pra uma cadência “natural” devido a alguns fatores:

Tipo de prova: Se você é um contra-relogista ou triatleta, naturalmente vai preferir cadências mais baixas que as permitidas pela convenção de Genebra. Pelo simples fato que por mais curta que seja sua prova ela vai ser longa o bastante pra ser 99,9% aeróbia e onde variação brusca de potência é, no mínimo um erro. Com os treinos você vai perceber que consegue ser mais forte com uma cadência na casa dos 70-80RPM e que consegue cobrir um mesmo percurso em menos tempo usando a mesma energia – extra-oficialmente eu acho que isso acaba se dando mais pelo fato de que em cadências baixas fica mais difícil de torrar potência sem querer (visto que pra você dar aquela queimada nas pernas vai precisar de giro alto), do que por análise de arquivos de freqüência cardíaca e potência.

Já se você vai partir pra provas de pelotão ou triathlon ITU, vai acabar migrando para as cadências convencionais, uma vez que elas economizam pernas pra caso aquela arrancada seja necessária e faz as retomadas de velocidade muito mais fáceis.

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O tipo de prova pode determinar a cadência do atleta

Tipo de treino: Bom, você pode se propor a bater o Cancellara em um Contra-relógio Individual ou o Galindez em um triathlon. Se você só treinar em pelotão, a não ser que você seja uma aberração da natureza, vai ficar longe dos seu objetivos. É treinando sozinho e com o vento lhe empurrando contra que você vai acabar encontrando sua cadência de conforto.

Local de treino: o mesmo se dá se você só treina em um tipo de terreno. Vento contra exige uma cadência mais baixa, vento a favor uma cadência muito alta, subidas uma cadência intermediária e por aí vai. O tipo do terreno que você treina vai ditar a tua zona de conforto em relação à cadência – por isso que eu acredito que se deva treinar um pouco em cada tipo de terreno.

E falando em treino, eu recomendo MUITO que, pelo menos uma vez a cada duas semanas, o atleta faça treino de força BIG GEAR, com cadências ridiculamente baixas e torque estupidamente alto. Eu faço pelo menos umas 40 por ano e acho que é ganho pra qualquer tipo de atleta use ele a cadência que for em provas. Já coloquei um post no meu blog uma vez sobre isso. E treinar cadência alta? boa pergunta… vale a pena? Vale também. Embora em 3º plano na minha opinião. O uso de treino de cadência alta ajuda biomecânica, neuromuscular (fazer força com alta rotação) e principalmente economia de energia, fazendo com que o atleta aprenda a gastar menos no ciclo. Pra isso, motopace é “O” treino.

No geral, é bom saber como você opera melhor em prova, mas é bom também ter uma carta extra na manga pros dias “ruins” nem sempre aquilo que a gente tem certeza que funciona, vai funcionar.

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