Diário dos ironmans: Wagner Araújo e Kleber Corrêa

14/06/2010 por Enviar por e-mail Imprimir
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Tritar Rio de Janeiro

Wagner Araújo – o grande dia

Passar a semana em Floripa foi ótimo. Cheguei na terça-feira e pude treinar com minha namorada nos dias que antecederam o Ironman Brasil 2010. Para mim, isso foi especialmente importante para sentir e me acostumar ao mar., que permaneceu bem calmo até sexta-feira. Também foi fundamental chegar antes para poder resolver as questões de negócios do MundoTRI até quinta-feira, quando comecei a hibernação para a prova, saindo do quarto só para pequenos treinos e para comer. De resto era deitar e dormir!

Nos dias em Floripa percebi o quanto nossa coluna inspirou as pessoas. Muitos gritaram meu nome quando passava correndo ou pedalando e vários outros vieram conversar comigo, inclusive um novo amigo argentino que estava acompanhando tudo em nosso site.

Esse planejamento me deixou muito tranquilo. No bike check-in, sábado, fui entrevista pelo pessoal que estava fazendo o vídeo da prova e a mulher até me disse: “nossa, nunca vi um estreante tão tranquilo!”. Deixei a bike lá e fui para o hotel. Às 18:00 já estava dormindo! Acordei às 20:00, jantei e às 21:00 estava dormindo de novo, nem lembrava da prova no dia seguinte!

No domingo acordei muito bem às 4:00 da matina, afinal dormi bem demais. Estava animado e bem disposto e nenhum um pouco nervoso. No fundo eu sabia que fizera tudo que podia para me preparar, tinha tudo sob controle e não havia feito nenhuma bobagem durante a semana. Comi bem, pão, geléia (adoro geléia), mais pão, um bolinho, suco de melancia e mais pão. Depois do café, uma pulo providencial ao banheiro (jamais larguem sem ir ao banheiro!) , peguei as coisas e às 05:00 fui para a transição.

O bom de chegar cedo é que você não pega fila e , caso haja algum imprevisto, há tempo de resolver. às 5:30 já estava com número pintado e fui arrumar as coisas restantes na bike, calibrar o pneu e verificar as sacolas. Eu e meus amigos Marcelo Penna e Bruno Goes fizemos praticamente tudo juntos, isso ajudou a não esquecer coisas importantes. Tudo certo, às 06:00 saímos da transição para a largada.

Após encontrar alguns amigo, de tirar algumas fotos, fizemos 10 minutos de aquecimento e ficamos mais alguns minutos na água. Quando voltei para largada, vi uma galera apressada, que acabou perdendo o horário de aquecimento (até às 06:40), outros que perderam o óculos e uns tantos sem saber o que fazer. Como é bom planejar as coisas! A largada foi um pouco confusa, com o pessoal tumultuando um pouco. Minha tranquilidade permanecia e quando tocou a buzina, pensei: vamos lá, o dia vai ser muito bom, pois tudo que podia fazer para estar aqui e terminar bem eu fiz!

A natação passou muito rápido, mas muito rápido mesmo. Cometi meu primeiro erro na prova ao parar nas bóias para me orientar, assim perdi bastante tempo. Deveria ter ido nadando e trombando mesmo, seguindo o fluxo. De mais a natação foi muito tranquila e eu nem achei entediante (costumo achar qualquer coisa acima de 1.000 metros entediante). Saí da água com 1h07, o que é bem razoável para mim, mas o principal era que eu estava inteiro.

Minha primeira transição demorou mais que o previsto, demorei a por as roupas e a meia de compressão e estava tudo muito cheio, pois saí bem no meio do bolo (em torno do nº 800). Peguei minha bike, tudo ok, nada de pneu furado, vamos para a arte divertida da prova.

Comecei o pedal muito bem, estava muito fácil pedalar. Meu objetivo era uma média de 33km/h para fechar o pedal com 5h30′. Minha estratégia foi passar a primeira volta a 34km/h e deixar para soltar um pouco na segunda para correr mais descansado. Foi exatamente o que eu fiz, terminando o pedal com 5h26′, e o principal, ainda inteiro. Passei mais 450 atletas no pedal, em certos pontos me empolgava, depois segurava a onda. Foi muito bom ver praticamente todos meus amigos e conhecer muita gente que via MundoTRI no meu uniforme e gritava: vai Wagner! Foi muito legal isso. Como passei muita gente, não posso deixar de comentar sobre os pelotões, realmente algo lamentável e injusto com quem é fiel às regras. No ironman 2011 teremos ainda mais atletas, e a fiscalização tem quer ser intensificada. As punições que vi foram todas para o último do pelotão, nunca para os primeiros. Tomei 11 gels no ciclismo, cápsula de sal a castanha. Meu único medo era furar um pneu, ficava o tempo inteiro olhando o asfalto para não vacilar, o que foi bom porque me deixou muito concentrado. Uma observação: meu Garmin e de várias pessoas que conheço marcaram 184km.

De repente, faltavam apenas 5km para terminar os 180k, como passa rápido! Quando cheguei na T2 vi poucas bikes e vi que estava bem, tudo dentro do previsto. Tive que ir no banheiro na transição e isso me tomou um tempinho, mas nada demais. Saí para correr tranquilo, mas estava muito fácil. Foi aí que cometi meu segundo erro na prova, já no km3 estava correndo a 5′/km, a previsão era chegar nesse ritmo somente no km 7. Mas eu não percebi, pois tudo parecia tranquilo. No km 10 começaram as subidas e eu cometi meu terceiro e maior erro: resolvi correr 100% das subidas, tanto da ida quanto na volta. As descidas da volta foram duras e me prejudicaram bastante depois. Passei a meia maratona para 1h44′, tudo certo e dentro do previsto, alimentação ok, gels na hora certa e cápsulas de sal. Continuei bem e andei um pouco só para pegar o special needs no km23. No km 25, contudo, alguma coisa aconteceu.

Não estava sentindo fadiga, não foi algo progressivo, do tipo: “parece que eu vou quebrar”, foi de repente! Parece que alguém desligou a chave de uma vez. Simplesmente desabei no posto de hidratação do km 25. Parei e andei devagar, comendo tudo que tinha lá: gel, água, Gatorade, Pepsi,laranja etc. Pelo menos a mente ainda estava bem e tive clareza para traçar uma nova estratégia. Lembrei-me do meu amigo Gustavo Moniz, que já foi a Kona duas vezes e que me disse uma vez que anda em vários postos de hidratação para poder se alimentar direito. Estava com 8h50′ de prova e ainda tinha chance de fazer um bom tempo.

A partir daí corria os 2km entre os postos a 6′/km e andava nos postos para me alimentar direito e dar uma aliviada no quadríceps, que doía muito, mesmo com o Advil que tomei. A cabeça foi tudo nessa hora, tive que me concentrar muito e não deixar nenhum pensamento de abandono ou de querer andar o tempo inteiro tomar conta de mim. Vi a Dede Griesbauer também quebrada e pensei: isso é normal. Consegui terminar a segunda volta assim, e agora só faltava 10,5km para terminar. Quando cheguei no posto do km 35 tudo mudou! A estratégia deu certo e eu voltei a correr sem ter que andar nos postos. Fiquei com medo de apertar e segurei a corria nos 5’30″ por mil. Quando eu vi já estava na Búzios e faltavam 3km. Será que ainda é possível quebrar?! Com, certeza, segurei até o km final quando tentei soltar mais um pouco e as perninhas já não respondiam mais, consegui reduzir para 5’15″/km só quando entrei no funil de chegada.

Nesse momento percebi o fato que havia realizado, tudo que passei, todas as pessoas que me apoiaram e como era maravilhoso estar ali. Mais alguns metros e vi o pórtico, agora posso sprintar (sei que não fazia diferença, mas era maior do que eu a vontade). Quando a Ana Lídia Borba, que estava narrando a chegada, gritou meu nome eu soube que era um Ironman. Comemorei muito, muito mesmo. Não sei descrever o que senti, só sei que estava muito feliz com as 10h32′, um estréia excelente. Abracei minha namorada, Rita, que foi a maior incentivadora de tudo e dediquei a prova a ela.

DSCF1082 600x400 Diário dos ironmans: Wagner Araújo e Kleber Corrêa

Chegada!

Gostei muito de ter ficado consciente a prova inteira, para o ano que vem só pequenos ajuste de estratégia e mais treino. Acho que posso pedalar um pouco mais forte sem prejudicar a corrida e segurar a onda nas subidas para Canasvieiras, além de poder tirar vários minutos na água.

Na volta para o hotel encontrei vários amigos ainda correndo e foi ótimo poder dar uma força para eles, inclusive para o grande Vilela, 10 vezes Ironman! Dever cumprido, era hora de curtir duas semanas off, com direito a cerveja e baladas (o que só ocorreu quatro dias depois da prova, pois as pernas doíam demais).

Aproveito para agradecer a todos que nos apoiaram nessa coluna e para parabenizar o Ciro, o Kleber e a Yana por terem atingindo seus objetivos. Trabalho sério, duro e honesto sempre gera grandes resultados! Parabéns a todos os Ironmans! Meu número em 2011 é #979!

Twitter: @wagnerfedtri

Kleber Corrêa

E após meses de treinamento e uma expectativa muito grande, lá estava eu para a largada do Ironman Brasil 2010.

Como nos outros anos que participei da prova, o dia começou às 4:30hs da madrugada com o despertador me chamando para a diversão, tudo bem que pouco dormi, afinal a tensão e expectativa pré-prova eram grandes…

Bom, ao lado de alguns amigos da 5ways parti para a marcação do corpo e acerto dos últimos detalhes do equipamento, aliás, só consegui definir totalmente a alimentação que faria durante o ciclismo faltando cerca de 1:30h para a largada, mas isso já é normal, embora errado.

Após fazer a pintura da numeração no corpo e sair da área de transição, retornei para a casa onde ainda tinha que tomar um bom café da manhã, além de pegar o equipamento para a natação… Nesse momento a tensão já estava estampada no rosto de cada um dos meus amigos, e lógico, na meu também.

Parti para a largada por volta das 6:30hs, e quando cheguei ao ponto os organizadores já estavam pedindo para que os atletas saíssem da água. A hora estava chegando!!!

Ao contrário da grande maioria dos atletas, me posicionei largando pelo lado esquerdo, afinal não sou um bom nadador e queria manter distância do tumulto, e isso foi sem dúvida uma das melhores coisas que fiz na prova.

Ao soar da buzina estava eu partindo para a prova que tanto visualizei nos últimos meses.

A natação fluiu bem até a primeira bóia, quando para fazer o contorno e seguir rumo a segundo uma grande aglomeração se formou impedindo que eu pudesse nadar, mas com esse problema superado segui nadando e completei a primeira perna da natação me sentindo muito bem, e com o grito dos meus amigos parti rapidamente para a segunda perna da natação…

Quando saí da água, olhei para o meu relógio e tive a nítida impressão que ele tivesse parado, afinal nem nos meus melhores sonhos passou pela minha cabeça em sair da água para 1:02h, mas o tempo estava certo, e isso foi mais uma injeção de motivação para seguir firme em busca de uma prova sub 10…

A minha primeira transição acabou sendo lenta, demorei pouco mais de 7 minutos para começar o ciclismo, mas tudo bem, o dia estava apenas começando.

Iniciei a etapa do ciclismo procurando colocar um ritmo firme, sem pensar que após os 180km de pedal eu teria pela frente 42km de corrida, mas acho que foi uma decisão acertada, o meu corpo precisa aprender a trabalhar sempre no limite.

Esse ano o vento no ciclismo estava muito forte, e em muitos momentos isso impediu que eu desenvolvesse uma boa velocidade, mas ainda assim segui em um bom ritmo passando pelo special needs, no km 90, com 2:30hs, o que me dava uma média de 36km/h. Nesse ponto peguei minha sacola com duas caramanholas, uma delas com um repositor de carboidratos e proteínas, e a outra com Coca-Cola…

O vento na segunda volta do ciclismo diminuiu, mas ainda assim atrapalhava muito. Até o km 173 a prova caminhou bem, quando em um ponto de pista estreita e mão dupla no ciclismo dei uma bobeada e acabei tomando um cartão amarelo, e o resultado disso foi eu ter que parar a bicicleta, colocar os pés no chão, ter meu número de peito e capacete riscados e ainda ter que esperar o fiscal marcar meu número em uma lista, e em uma prova tão longa esses foram os minutos mais longos que passei, bom, ainda teria mais 5 minutos na área de penalização quando chegasse na transição…

Fechei o ciclismo em pouco mais de 5:05hs, e isso me deixou muito feliz, mesmo com a penalização.

Chegando na área de transição tive que parar em uma área reservada e ali ficar esperando por 5 minutos, mas enquanto os outros atletas reclamavam eu procurei descansar e colocar a cabeça no lugar para enfrentar a maratona que ainda teria pela frente. A segunda transição, por conta do tempo de penalização demorou pouco mais de 7’40”min.

Comecei a corrida em um ritmo forte, em muitos momentos o pace entrava na casa de 4’05” por km, mas isso não durou muito tempo, já no km 8 veio a primeira subida, e com isso senti que teria longas horas pela frente.

Apesar do desgaste natural, passei pelo km 21 com 1:38h de corrida, e essa era a metade mais difícil da maratona.

Chegada Vinícius Diário dos ironmans: Wagner Araújo e Kleber Corrêa

Chegada!

Segui procurando me hidratar bem e sempre cuidando da alimentação, e apesar disso a primeira volta de 10km foi sofrida, pois além das grandes bolhas que tinhas se formado nos meus pés, a minha cabeça novamente fraquejava e pedia para o meu corpo parar, mas com a força que os meus amigos me passavam consegui seguir em frente, fechei a segunda metade da maratona para 1:46h e a corrida do Ironman em 3:24hs.

Me emocionei muito ao ver que estava conseguindo alcançar o objetivo que tracei em meses de treinos e dedicação… Ao entrar no funil que me levava para a chegada um filme se passaou pela minha cabeça, me emocionei, chorei e agradeci muito a todas àquelas pessoas que estiveram ao meu lado durante esse batalha que travei com o relógio.

Confesso que muitas vezes pensei que tinha sonhado muito alto ao achar que eu tinha condições de fazer um Ironman abaixo de 10 horas, mas espero que isso sirva de lição para a minha vida… Quando queremos muito algo, quando nos dedicamos para isso, nos tornamos capazes de ir muito além do que imaginamos…

Fechei a prova em 9:46:31…

Aos grandes amigos da 5ways que durante toda a prova estiveram lá gritando e me incentivando, meu muitíssimo obrigado, tenho certeza que sem esse incentivo as coisas teriam sido bem diferentes.

Deixo aqui também um super agradecimento para a minha namorada, Renata… Mais uma vez fomos juntos em busca de um sonho e o alcançamos.

Ao MundoTRI, agradeço pela oportunidade de poder dividir um pouco daquilo que passei para ir em busca de um sonho, e se com esses relatos eu tiver conseguido fazer com que uma pessoa acredite nos seus sonhos, isso terá maior valor do que o meu resultado na prova.

Ah, anotem aí… 367… Esse é o meu número no Ironman Brasil 2011!!!!

Twitter: @klebercorrea

Equipe: www.5ways.com.br

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