Conheça Susana Festner, a promessa da Longa Distância brasileira
A gaúcha radicada em BrasÃlia, Susana Festner dos Santos, 27, está apenas há três anos no triathlon, mas já tem em seu currÃculo um belo histórico, especialmente em provas de meio Ironman. Em ótima forma fÃsica (1,68m e 52kg), Susana também tem os pés no chão, conciliando o esporte com sua carreira de funcionária pública, o que a permite competir sem pressão e sem dificuldades financeiras. Após sua vitória no Long Distance de Caiobá, conversamos com a atleta que desponta como uma das mais consistentes da nova geração.

Foto: divulgação
MundoTRI: Susana, como foi seu inÃcio do triathlon, veio de algum esporte em particular? Praticou outros esportes antes?
Susana Festner: Sempre me identifiquei com a corrida. Essa paixão me levou à equipe de atletismo do colégio, por convite de um professor de educação fÃsica, aos doze anos. Na época corria mais provas de meio-fundo (400m, 800m, 1500m), nas quais conquistei algumas medalhas em estaduais, mas fiz de tudo um pouco, inclusive os saltos – exceto os arremessos e lançamentos…
Fiz meu primeiro aquathlon em 2005, motivada por um folder na saÃda da aula de natação. Na época nadava e corria de vez em quando pela saúde e pela diversão, mas nunca abandonei a vontade de olhar para o cronômetro. Fui a última pessoa a sair da água, mas recuperei na corrida e adorei o espÃrito da prova. Nessa época comecei a receber as orientações do meu primeiro técnico de triathlon, Ricardo Nilson, professor de educação fÃsica e também triatleta, e fui me aproximando de pessoas ligadas ao esporte, fazendo amizades. Em 2006 voltei a correr na pista de vez em quando e conheci mais gente que me incentivou a treinar sério, especialmente o técnico de corrida Paulo Silva e dois grandes amigos, Odon e Leda. Em 2007 me formei e consegui encontrar mais tempo para pedalar e seguir uma rotina de treinos. No final daquele ano vim morar em BrasÃlia para assumir um cargo em virtude de concurso público e procurei o Leandro Macedo por indicação de amigos de Porto Alegre. Pensei que tudo se tornaria mais difÃcil ao ter que conciliar os treinos com a carga de trabalho, mas os horários, a estrutura, a equipe e a própria cidade me embalaram de vez nesse esporte…
MundoTRI: Em quem você se espelha no esporte, quais seus Ãdolos?

Foto: divulgação
Susana Festner: No triathlon, minha primeira referência foi a Fernanda Keller. Com o Leandro, hoje, tenho a oportunidade não só de me inspirar mas também de aprender.
Tenho um carinho especial pelo meu esporte de origem, que acompanho desde cedo. Sou grande fã do Vanderlei Cordeiro de Lima, das mãos de quem já tive a honra de receber um troféu. Também me emocionei muito com a medalha olÃmpica da Maurren Maggi e vibro bastante com atletas gaúchos que vêm conquistando espaço nas suas especialidades, como a Sabine Heitling e o Fabiano Peçanha.
MundoTRI: Em todas as distâncias, você tem se mostrado uma excelente triatleta. Muitos atletas reclamam que, ao longo de treinos para provas longas, eles perdem velocidade com o ganho de resistência. Parece que isso não aconteceu com você. Acredita que seja a estrutura de seu treinamento?
Susana Festner: Por enquanto minha maior distância é o meio ironman, que tem se tornado uma prova cada vez mais rápida. Neste ano devo competir no Mundial de Longa nas distâncias de 4km/130km/30km, então talvez comece a sentir mais a diferença nos treinos…
MundoTRI: Por falar nisso, como é sua semana tÃpica de treinos? Qual a filosofia de trabalho você segue?

Foto: divulgação
Susana Festner: Treino sete vezes na semana, geralmente com o dia mais leve na segunda-feira, em que nado no lago. De terça a sexta meus treinos, de ciclismo e corrida – em dias alternados ou incluindo transições – iniciam à s 6 horas e duram entre 1 e 2 horas. Trabalho durante sete horas corridas e saio no meio da tarde para os treinos de natação, que duram entre 1 hora e meia e duas horas. Duas vezes por semana faço musculação. Nos finais de semana acontecem os treinos mais longos.
Tenho menos tempo para descansar do que gostaria e relativamente pouco tempo de triathlon, então tento concentrar na qualidade dos treinos. O Leandro sempre procura passar muito sobre as especificidades do triathlon e a atenção a cada detalhe.
MundoTRI: Como você encara a questão da disciplina alimentar frente aos seus treinos?
Susana Festner: Cada vez com mais atenção! A alimentação é um dos aspectos que nos mostra que ser atleta é uma condição em tempo integral, principalmente quando tudo o que fazemos é capaz de influenciar tanto o rendimento e a recuperação. Procuro aprender sempre e buscar orientações de um nutricionista.
MundoTRI: A alimentação e a hidratação fazem muita diferença em provas de longa distância. O que aconteceu com você na prova do Campeonato Brasileiro de Longa Distância em Fortaleza? Se você pudesse mudar alguma coisa na prova, o que mudaria?
Susana Festner: Provavelmente mudaria minha reação no momento em que senti o maior mal estar, faltando menos de 3 km para a chegada. O clima estava castigando, mas até então havia feito tudo conforme o planejado para a alimentação, com géis, sal, água, hidrotônico, e me sentia no controle do ritmo. No último retorno comecei a sentir muito calor e não conseguia mais resfriar o corpo, tentei encaixar a corrida para chegar, mas só piorei. Só lembro de ter acordado na maca já tomando soro… Talvez com um pouco mais de calma conseguisse concluir a prova, mesmo exausta, mas fica a experiência para novas situações. E acho que todos que completaram aquela prova estão de parabéns por terem encontrado essa medida do esforço.
Fora isso, avaliei o que aconteceu quando voltei e fiz alguns ajustes pequenos e tomei ainda mais cuidado com a alimentação e o descanso antes da prova.
MundoTRI: Quais foram seus principais resultados no triathlon e qual o restante do calendário para 2010?
Susana Festner: Em 2008 conquistei o 5º lugar na categoria 25 a 29 anos em Clearwater, no mundial de 70.3, depois de conseguir a vaga com um quarto lugar geral e primeiro amador no Ironman 70.3 Brasil. No ano passado repeti o quarto lugar nessa prova, competindo já na elite. Fui campeã brasileira de longa distância após terminar a primeira etapa em segundo e vencer a segunda etapa.
Minha principal prova este ano vai ser o mundial de longa, na Alemanha. Pretendo disputar as principais provas de longa distância no Brasil (circuito Long Distance, 70.3, segunda etapa do brasileiro), mas também fazer provas curtas no meio do caminho, como algumas etapas do Troféu Brasil.
MundoTRI: Você e a Ariane Monticeli tem protagonizado belos duelos em provas de longa distância. Como você vê essa disputa? Quais outras atletas poderiam entrar nessa saudável competição?
Susana Festner: Provas disputadas sempre ajudam a gente a evoluir, a corrigir os erros, melhorar os pontos fracos e trabalhar mais os fortes. Todos ganham. A Ariane, com pouco tempo na distância, já vem conquistando resultados muito expressivos em Ironmans, o que valoriza o pódio.
Acho que todas as meninas que tenho encontrado na elite nessas últimas provas longas vêm treinando cada vez melhor e cada uma tem uma caracterÃstica diferente que pode levar à frente. No ano passado quem praticamente dominou a distância foi a Vanessa Gianinni. A Ana LÃdia tem os grandes resultados de Ironman e mundial de longa e vontade para voltar à s provas ainda mais competitiva.
MundoTRI: Como foi a disputa com Ariane no Long Distance de Caiobá? Em que hora decidiu atacar para levar a vitória?
Susana Festner: Além da qualidade da corrida, sei que a Ariane tem muita garra, então sabia que, se quisesse tentar chegar à frente, a disputa não acabaria logo. O ritmo do ciclismo foi forte, e, por duas vezes, fiquei um pouco para trás na primeira volta de corrida. Consegui recuperar, me senti melhor na terceira volta e tentei apertar o passo. Mas fomos juntas até o último retorno, quando percebi que abrira um pouco. Estava no meu dia, então encaixei a corrida até o fim para cruzar na frente!
MundoTRI: Quando veremos você disputando um Ironman? Pretende ir para Kona algum dia?
Susana Festner: Pretendo disputar uma vaga para Kona, sim, mas ainda não tenho tanta pressa. Meu objetivo agora é ganhar uma base bem boa e melhorar cada uma das modalidades, aprender bastante sobre o triathlon para então partir para o desafio do Ironman.
MundoTRI: Onde pretende estar daqui cinco anos?

Susana na chegada do Mundial de Ironman 70.3
Susana Festner: Treinando e competindo, quem sabe conseguindo dedicar mais tempo ao triathlon, e representando bem o meu paÃs.
MundoTRI: Nessa trajetória do triathlon qual momento foi inesquecÃvel? Seja ele boa ou ruim.
Susana Festner: A conquista da vaga para o mundial na Austrália, no ano passado. Mas gosto muito de momentos que lembram que há algo além da performance no esporte e que ele faz parte de uma vida que vale a pena ser vivida, como quando alguém vem me contar que começou a correr, que vai disputar uma prova ou iniciar um outro projeto, motivado pelo exemplo de dedicação aos treinos.
MundoTRI: Como você vê o apoio ao atleta profissional no Brasil? O que poderia ser melhorado para termos mais nomes no circuito mundial?
Susana Festner: No triathlon este apoio é muito pequeno e incerto. Acho que há muito o que se poderia falar, mas não temos uma cultura desse esporte no Brasil, embora tenhamos bons atletas, e estamos todos juntos nisso. O esporte precisa crescer, em número, em seriedade, em organização, em planejamento.
MundoTRI: Nas horas vagas você tem algum hobby? Algum outro esporte que pratica fora da temporada de competições?
Susana Festner: Procuro descansar bastante no tempo que sobra! Mas gosto muito de ler, ir ao cinema e estar com minha famÃlia e sobrinhos – apesar de estarem longe agora.
MundoTRI: Alguém que você queira agradecer? Algum recado para nossos leitores?
Susana Festner: Meus pais pelo exemplo, minha famÃlia toda pelo apoio, meus amigos e companheiros de treinos em BrasÃlia e no Rio Grande do Sul, meu técnico de natação, que ainda não citei na entrevista, Leofredo Lula. Parabéns ao MundoTRI pelo excelente trabalho e bons treinos a todos!





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