Conheça Mirinda Carfrae, a melhor corredora em Ironmans do mundo
A australiana Mirinda Carfraesurpreendeu a todos no ano passado quando, em seu primeiro Ironman, quebrou o recorde da maratona no mundial de Ironman em Kona, com impressionantes 2h56’51″. Apenas oito homens correram melhor do que a atleta, ficou com a segunda colocação entre as mulheres no HavaÃ. Mirinda já havia sido campeã mundial de Ironman 70.3 em 2007, correndo a meia maratona em 1h18’40″, além de ter vencido 6 provas de meio ironman no ano passado. Se há alguém que pode bater a lendária Chrissie Wellington, tricampeã em Kona, esse alguém é Carfrae. Sua corrida é reflexo de sua ótima forma fÃsica. Aos 29 anos, a atleta de 1,61m está com 53kg, um excelente peso para correr. Muito divertida e receptiva, Mirinda nos concedeu uma entrevista exclusiva sobre sua carreira, seus reinos e o futuro no HavaÃ.

Mirinda Carfrae acredita ser possÃvel vencer Chrissie Wellington em Kona
MundoTRI: Como foi seu começo no triathlon. Praticava algum outro esporte antes? Como foi sua transição das provas olÃmpicas da ITU (International Triathlon Union) para as provas de longa distância?
Mirinda Carfrae: Eu descobri o triathlon em 1999. Nessa época eu jogava basquete, quando eu e algumas amigas decidimos fazer treinos de fortalecimento e condicionamento fora de temporada. O fisioterapeuta do time, Miles Browing, foi gentil o suficiente para nos convidar para entrar no seu grupo de fortalecimento muscular. Nós mal sabÃamos que Miles era um dos melhores técnicos de triathlon disponÃveis e treinava um grupo pequeno de excelentes triatletas. Lá eu pude aprender muito sobre como se tornar um atleta de resistência. Eu não sei exatamente porquê, mas eu fui simplesmente levada para o triathlon. Eu nuca tinha nadado ou pedalado como atleta e realmente não gostava de correr, a não ser se fosse atrás de uma bola em uma quadra de basquete. Claro que toda essa mudança não fazia muito sentido.
Porém, as coisas meio que aceleraram a partir daÃ. No final daquele ano, Miles perguntou se eu gostaria de me juntar à sua equipe e iniciar o treinamento para o triathlon. Eu fiquei extasiada, treinando mais e mais. Só consegui minha primeira bike, contudo, em 2000. Essa bike foi muito especial, pois me foi dada pelo grande amigo e técnico de basquete, Steve Lennon, que se sentia um pouco chateado por eu ter deixado o seu esporte.

Mirinda Carfrae
Em 2001 eu me qualifiquei para a seleção australiana na categoria elite júnior (16-19 anos), o que me deu uma vaga no Instituto Australiano de Esporte (Australian Institute of Sport – AIS). NO AIS eu tive uma ajuda tremenda em relação a nutrição psicologia esportiva, treinamento e, especialmente, financeira. Os anos foram gastos com muito treinamento pesado e viagens no inverno para o centro do AIS na França, visando as disputas do circuito do verão europeu. Isso me permitiu ganhar experiência competindo nas etapas internacionais da ITU. Em 2005 eu percebi que não me encaixava bem nas provas da ITU, mas sim em competições de longa distância, então decidi competir mais nos Estados Unidos.
MundoTRI: Como você vê o triathlon olÃmpico hoje na Austrália e em todo mundo?
Mirinda Carfrae: Eu respeito muito os atletas da ITU. Nos últimos 10 anos, após ter se tornado esporte olÃmpico, o triathlon realmente explodiu em todo mundo. As competições são ferozes e os atletas parecem estar cada vez mais velozes.
MundoTRI: Você é da “terra do triathlon” – Austrália. Aqui no Brasil, os atletas profissionais passam por grande desafios para poder viver de treinos e competições. Quais são as oportunidades para um triatleta na Austrália?
Mirinda Carfrae: Eu acredito que a grande vantagem de viver na Austrália é o nosso estilo de vida. Os australianos são naturalmente competitivos e nós amamos o esporte. Nosso clima também ajuda muito a treinar durante todo o ano sem muitas interrupções. Nós também temos instituições esportivas governamentais que identificam jovens talentos e investem no desenvolvimento desses atletas.
MundoTRI: Vamos falar do seu treinamento. Como é sua semana tÃpica de treinos e alimentação? Quanto você nada, pedala e corre? Que é seu técnico e qual filosofia de trabalho que seguem?
Mirinda Carfrae: Minha técnica é a Siri Lindley. Nós já trabalhamos juntas há quase cinco anos e ela já conhece meu corpo bem o suficiente para me ajudar a mapear meu treinamento e as competições para maximizar meu potencial. Em uma semana tÃpica, eu costumo treinar entre 30-33 horas. Pedalo 5 dias por semana, corro e nado 6 dias na semana, normalmente sem dias de folga, a não ser que eu esteja me preparando para uma competição. Eu não sou muito restritiva em minha dieta. No entanto, eu acho que tenho hábitos alimentares bem saudáveis e balanceados. Meu lema é tudo permitido, desde que com moderação.
MundoTRI: E os seus hobbies? Como você gasta seu tempo livre quando não está treinando?
Mirinda Carfrae: Nós passamos tanto tempo treinando que o tempo livre é normalmente gasto em atividades que gastam pouca energia. Eu adoro passar o tempo na praia com meus amigos ou sair com eles para jantar… Infelizmente, nada muito excitante ou maluco (risos).
MundoTRI: Você tem uma corrida excepcional.Que tipo de treino tem lhe deixado tão rápida?
Mirinda Carfrae: Eu não acredito que seja possÃvel elencar um tipo de treino especÃfico que ajudou a me tornar uma boa corredora. Na minha opinião, a chave é a consistência. Eu tenho treinado por mais de 10 anos e cada ano ajuda a sedimentar o que foi construÃdo no ano anterior. Também ajuda o fato de eu ter a sorte de nunca sofrer uma lesão grave que me tirasse dos treinos e competições.
MundoTRI: No ano passado você correu a melhor maratona de todos os tempos em Kona e terminou em segundo lugar, apenas 20 minutos atrás de Chrissie Wellington. Você a considera invencÃvel? O que você precisa melhorar para vencê-la este ano em Kona?
Mirinda Carfrae: Com certeza ela não é invencÃvel. Ela é uma atleta incrÃvel, mas será batida nos próximos anos. Todas as atletas estão continuamente ficando mais fortes e, em algum ponto, alguém vai alcançá-la. No meu caso, é necessário melhorar o meu ciclismo. Eu acredito que seu eu melhorar minha bike então eu tenho condições de me aproximar na corrida e vencer a prova.

Mirinda Carfrae bateu o recorde da maratona em Kona em 2009, 2h56'51"
MundoTRI: Você começou 2010 com uma vitória impressionante no Rotho Ironman 70.3 Califórnia, correndo a meia maratona em 1h17′. O que mais está em sua programação de provas para 2010?
Mirinda Carfrae: Vou competir no St Anthony’s Triathlon na próxima semana, depois o Ironman St. Croix 70.3 na semana seguinte. Depois disso tenho o Revolution 3 e o TriGrandPrix na Espanha, em junho. Em julho, devo disputar o Ironman Vineman 70.3 ou o Ironman Calgary 70.3. Então vou para o Muskoka 70.3 em setembro antes de viajar para o Mundial de Ironman em Kona em outubro.
MundoTRI: Muitas pessoas prevêem uma grande batalha entre você e Julie Dibens no Mundial de Ironman 70.3 em Clearwater este ano. O que podemos esperar dessa prova?
Mirinda Carfrae: Não acho que vou correr o mundial de 70.3 este ano, pois não é um percurso bom para mim. Ainda bem que este é o ultimo ano em Clearwater e eles encontrarão um local para 2011. Eu vou correr com a Julie no Revolution 3 em junho e eu acho que esta prova será o verdadeiro campeonato mundial de meio ironman, sem vácuo!
MundoTRI: Qual material você utiliza? Bike, tênis, wetsuits…
Mirinda Carfrae: Eu adoro minha Cannondale Slice. Na verdade, tenho andado de Cannondale por mais de 6 anos. Nado com wetsuits e speedsuits da TYR, corro com tênis e vestuário da KSwiss. Também utilizo rodas Zipp, aerobars da profile design, componentes SRAM e selim da fi’zi:k. Meu patrocinador de alimentação é a GU, aliás, adoro GU Chomps! Meu patrocinador de óculos é a Oakley, mas eu pagaria para usar os produtos da marca. Minha loja de triathlon é a all3sports.com, que fornece tudo mais que preciso para as competições.
MundoTRI: Você já correu no Brasil? Algum plano?
Mirinda Carfrae: Não, eu nunca estive no Brasil, mas eu adoraria ir aÃ, seja para competir ou para tirar férias. Todos que conheço que foram ao Brasil tiveram dias maravilhosos.
MundoTRI: Por fim, você poderia deixar um recado para os triatletas brasileiros, especialmente aqueles que vão competir no Ironman Brasil no próximo dia 30 de maio?
Mirinda Carfrae: Tudo que eu posso dizer é boa sorte no Ironman no mês que vem. Tenho certeza que vão torcer para meus amigos Dede Griesbauer e Luke Mckenzie! Espero encontrar alguns de vocês em Kona este ano!













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