Opinião: a maturidade do mercado de triathlon no Brasil

20/03/2010 por Enviar por e-mail Imprimir
1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (5 votos, média: 4,20 em 5)
Loading ... Loading ...
Tritar Rio de Janeiro

Esta semana tivemos uma grande discussão em nosso Twitter sobre a compra de bikes aqui e fora do país. Basicamente, temos três opções:

1. Compramos aqui, com toda a carga tributária nacional sobre as importações mais a carga sobre os lojistas (comprei minha bike nessa opção, uma Specialized Transition Comp);

2. Importamos direto de uma loja fora do país e pagar algo como 80% de impostos;

3. Vamos lá e buscamos e pagamos 50% de impostos sobre o que exceder 500 dólares.

Todas as três são opções 100% legais, sem sonegação de nenhum imposto. Alguns seguidores postaram que, mesmo pagando a viagem para ir buscar a bike, ela sairia mais barata do que se fosse comprada aqui (o que de fato ocorre algumas vezes). Outros relataram que preferiram importar direto e quase ninguém relatou ter comprado a bike em lojas regularizadas aqui no Brasil.

Diante disso, fiquei me perguntando se há, de fato, um mercado de triathlon no Brasil. Mas o que realmente percebi é a imaturidade do nosso mercado. Essa imaturidade vem de um ciclo vicioso de longos anos: o governo cobra impostos altos demais, as lojas tem que subir os preços para manter suas margens, os consumidores acham os produtos caros e compram fora do país… De quem é a culpa? De todos nós.

Claro que o governo tem o papel central, mas vocês já viram algum governo no mundo mudar seus atos sem pressão popular? (Tudo bem, a Suécia não conta) Assim, cabe a nós, os interessados e amantes do esporte, mostrar o que acontece e tentar mudar alguma coisa. Não podemos acusar as pessoas de comprar suas bikes fora, esse é um comportamento racional! Mas não podemos deixar que a situação permaneça como está. Se o papel da imprensa é dar voz às pessoas, então que o façamos. Esse é um papel social que sempre vamos cumprir, pois queremos que TODOS tenham acesso a bons materiais a um preço justo.

Quantos atletas da elite você conhece que recebem patrocínio (digo dinheiro, grana, bufunfa, tutu…) de empresas de artigos esportivos? Quase nenhum, a grande maioria tem, quando muito, apoio. Mas pensem bem, você patrocinaria alguém em um país onde as pessoas são estimuladas a comprar os produtos no exterior?

Para piorar ainda temos as bikes que entram ilegalmente, sem pagar impostos, o que acaba de corromper o mercado. Recentemente, obtive uma informação muito relevante de um amigo que trabalha na Receita Federal e é ciclista: ainda não está certo a data, mas já há um projeto que obrigará às pessoas apresentarem a Nota Fiscal de compra no Brasil ou a invoice e o DARF pago na hora de sair do país com a bicicleta. Hoje em dia, se uma bike ilegal sai do país, a partir do momento que você registra na Receita ela está legalizada, o que é mais um absurdo de nosso sistema de incentivos negativos. Se a medida for de fato implementada, teremos uma redução enorme ainda nas fraudes onde o indivíduo compra a bike fora antes da viagem, registra o número de série aqui e depois entra com a bike nova.

Felizmente, temos lojistas que tentam reduzir sua margem, fazem um sacrifício aqui e ali e conseguem oferecer preços atraentes para o consumidor brasileiro. A pergunta que não se cala é: até quando eles aguentarão? Se isso for mudar algum dia, o momento é agora. Nunca o esporte foi tão relevante no país e nunca houve tanto espaço na mídia em geral. Se perdermos a oportunidade até 2016, vai demorar muito, mas muito mesmo para chegarmos em algum lugar.

Por Wagner Araújo,Diretor Executivo do MundoTRI

Gostou dessa matéria? Então curta nossa fan page no Facebook para saber tudo o que acontece no triathlon: facebook.com/mundotri

ou Compartilhar:

Para evitar fraudes, comentários somente para usuários logados no Facebook. Se você quer discutir este artigo, visite nosso Fórum.

x
Loading...
Content Protected Using Blog Protector By: PcDrome.