Opinião: a maturidade do mercado de triathlon no Brasil
Esta semana tivemos uma grande discussão em nosso Twitter sobre a compra de bikes aqui e fora do paÃs. Basicamente, temos três opções:
1. Compramos aqui, com toda a carga tributária nacional sobre as importações mais a carga sobre os lojistas (comprei minha bike nessa opção, uma Specialized Transition Comp);
2. Importamos direto de uma loja fora do paÃs e pagar algo como 80% de impostos;
3. Vamos lá e buscamos e pagamos 50% de impostos sobre o que exceder 500 dólares.
Todas as três são opções 100% legais, sem sonegação de nenhum imposto. Alguns seguidores postaram que, mesmo pagando a viagem para ir buscar a bike, ela sairia mais barata do que se fosse comprada aqui (o que de fato ocorre algumas vezes). Outros relataram que preferiram importar direto e quase ninguém relatou ter comprado a bike em lojas regularizadas aqui no Brasil.
Diante disso, fiquei me perguntando se há, de fato, um mercado de triathlon no Brasil. Mas o que realmente percebi é a imaturidade do nosso mercado. Essa imaturidade vem de um ciclo vicioso de longos anos: o governo cobra impostos altos demais, as lojas tem que subir os preços para manter suas margens, os consumidores acham os produtos caros e compram fora do paÃs… De quem é a culpa? De todos nós.
Claro que o governo tem o papel central, mas vocês já viram algum governo no mundo mudar seus atos sem pressão popular? (Tudo bem, a Suécia não conta) Assim, cabe a nós, os interessados e amantes do esporte, mostrar o que acontece e tentar mudar alguma coisa. Não podemos acusar as pessoas de comprar suas bikes fora, esse é um comportamento racional! Mas não podemos deixar que a situação permaneça como está. Se o papel da imprensa é dar voz às pessoas, então que o façamos. Esse é um papel social que sempre vamos cumprir, pois queremos que TODOS tenham acesso a bons materiais a um preço justo.
Quantos atletas da elite você conhece que recebem patrocÃnio (digo dinheiro, grana, bufunfa, tutu…) de empresas de artigos esportivos? Quase nenhum, a grande maioria tem, quando muito, apoio. Mas pensem bem, você patrocinaria alguém em um paÃs onde as pessoas são estimuladas a comprar os produtos no exterior?
Para piorar ainda temos as bikes que entram ilegalmente, sem pagar impostos, o que acaba de corromper o mercado. Recentemente, obtive uma informação muito relevante de um amigo que trabalha na Receita Federal e é ciclista: ainda não está certo a data, mas já há um projeto que obrigará à s pessoas apresentarem a Nota Fiscal de compra no Brasil ou a invoice e o DARF pago na hora de sair do paÃs com a bicicleta. Hoje em dia, se uma bike ilegal sai do paÃs, a partir do momento que você registra na Receita ela está legalizada, o que é mais um absurdo de nosso sistema de incentivos negativos. Se a medida for de fato implementada, teremos uma redução enorme ainda nas fraudes onde o indivÃduo compra a bike fora antes da viagem, registra o número de série aqui e depois entra com a bike nova.
Felizmente, temos lojistas que tentam reduzir sua margem, fazem um sacrifÃcio aqui e ali e conseguem oferecer preços atraentes para o consumidor brasileiro. A pergunta que não se cala é: até quando eles aguentarão? Se isso for mudar algum dia, o momento é agora. Nunca o esporte foi tão relevante no paÃs e nunca houve tanto espaço na mÃdia em geral. Se perdermos a oportunidade até 2016, vai demorar muito, mas muito mesmo para chegarmos em algum lugar.
Por Wagner Araújo,Diretor Executivo do MundoTRI





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