Grandes atletas, grandes idéias: como fazer a diferença
É verdade, o Brasil não prioriza o esporte. O triathlon muito menos. E faz tempo, muito tempo. Vamos continuar reclamando?
Caso continuemos não abusando de nossa própria criatividade, que temos de sobra, ao menos, atentemos para as honrosas (e talvez, mercadologicamente falando, rentáveis) iniciativas que existem por aí. Tudo isso para ampliarmos as nossas discussões e nos tornarmos mais responsáveis por nossa própria “sorte”. Quem sabe, mudando o ponto de vista, mudemos também os resultados que encontramos.

Andy Potts e Matt Reed
Então, Andy Potts (campeão mundial de 70.3) e Matty Reed (triatleta olímpico em Pequim) participarão de um revezamento no Memorial Hermann Gateway to the Bay Triathlon Festival em Kemah, no Texas, EUA. Nada de mais? Atletas desse porte participam de revezamentos?
Tem mais, a participação deles promoverá arrecadação de dinheiro para uma instituição de caridade. A Jenny’s Light cuida de mulheres que sofrem de transtornos de humor pré-natal e depressão pós-parto. A instituição é capitaneada pela também atleta Becky Lavelle (triatleta do ano de 2008 nas provas sem vácuo nos EUA) que perdeu sua irmã em 2007 por conta desse tipo de complicação que, em tempo, pode ser diagnosticada e tratada. E o que o triathlon brasileiro tem a ver com isso? O esporte que orgulhosamente fazemos parte é do nível de seus praticantes. Ou não é assim que justificamos a escolha de governantes e “autoridades”?
Continuando, as equipes de revezamento de Andy Potts e Matty Reed serão definidas por leilão no EBay (site de comércio e leilão eletrônico). O montante arrecadado será revertido à instituição. Se até agora você nada pode concluir, não reclame do seu esporte. Ou da dificuldade de encontrar saídas aparentemente impossíveis.
Os felizardos que ganharem os leilões no EBay poderão, na equipe de Andy Potts, pedalar e correr, por motivos óbvios. Na equipe de Matty Reed, nadar e pedalar.
Nada de mais para os estrelados atletas? Não fosse a dignificante iniciativa de tomarem seu precioso tempo, seja de descanso ou treino, para enobrecer uma causa mais do que justa e ajudar uma companheira de esporte e as inúmeras vidas que da instituição dependem. Já para os felizardos ganhadores do leilão, um pouco mais do que a memorável experiência de fazer parte do estrelado revezamento, de ajudar uma instituição de caridade com seu lance e:
- Uma vaga para o Escape from Alcatraz Triathlon;
- Direito de competir na distância sprint no dia antes da prova;
- Convite para o jantar da Jenny’s Light;
- Acesso irrestrito às clínicas de natação com Andy Potts e de corrida com Matty Reed no Sábado anterior à prova;
- Um jantar com a equipe de revezamento e seus renomados capitães;
- Brindes dos patrocinadores de Andy Potts e Matty Reed.
E nós com isso?
Bom, é um exemplo. E como tal pode ser seguido! E deve, no caso do Brasil, e muito mais do triathlon que anda por aí reclamando da falta de apoio, incentivo e respeito. Como? Penso, para ficar apenas no reforço positivo, em uma união maior entre os atletas (como provavelmente cobramos dos nossos técnicos), em ações sustentáveis permeadas por trabalho duro (como nós, ao menos, deveríamos treinar), na influência relevante que grandes estrelas do esporte podem dar a quaisquer iniciativas (como provavelmente tivemos ao escolher um ídolo a seguir), na capacidade que muitos dos atletas tem, como empresários ou profissionais de diversas áreas, de propor soluções e criar mecanismos que tornem planos, realidade de sucesso (como acontece ao sobrevivermos no país dos impostos), dentre outras mais.
Achou pouco? Vai continuar reclamando ou, como bom triatleta, vai sair pra treinar, quero dizer, fazer alguma coisa?
Não faltam belas iniciativas por aí, de patrocínios recém conquistados às grandes provas mas, duvido que você esteja satisfeito e não possa fazer mais. Como, novamente, qualquer comprometido atleta em busca de maiores desafios deve se sentir sempre.
Se a polêmica puder tomar corpo e na prática trouxer bons resultados, contem com esse veículo de comunicação para, através do fórum e dos comentários, nos unirmos, fazermos alguma coisa para os que precisam, influenciar outros a praticarem nosso esporte e tirar os planos do papel. Quem ganha com isso? Nós que reclamamos e o esporte que tanto não nos orgulhamos.
Mexam-se.
Marcos Apene do Amaral.





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