Triatleta Ciro Violin fala sobre o Mundial de Ironman

19/10/2009 por Enviar por e-mail Imprimir
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Tritar Rio de Janeiro

O paulista de Leme, Ciro Violin (29 anos – 1,74m – 65kg) foi o melhor amador brasileiro no Ford Ironman World Championship, disputado no último dia 10 de outubro no Havaí. Ciro, que acumula vitórias em sua carreira de 16 anos de triathlon, contou com exclusividade como foi sua preparação para o Mundial e como foi sua prova na grande ilha.

MundoTRI: Ciro, como foi sua preparação para o Ironman em Kona? Como era uma semana típica de treinos?

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Triatleta Ciro Violin - Foto: divulgação

Ciro Violin: Minha preparação para o campeonato mundial foi relativamente boa, apesar de ter iniciado tarde meus treinos específicos, até que me preparei bem, e cumpri todos os treinos programados. Uma semana típica de treinos foi na média nadar 20km, pedalar 300km e correr 100km.

MundoTRI: Você é famoso por seus treinos insanos relatados em seu blog. Qual foi o treino mais difícil que você fez na preparação para o Havaí?

Ciro Violin: Bom, eu acho um prova de IronMan muito longa, difícil, e muito desgastante, por isso gosto de tentar ao máximo chegar próximo do sofrimento nos treinos, pois quanto mais sofremos nos treino, menos sofremos nas provas. Faço esses treinos meio loucos para condicionar meu corpo para aguentar o dia duro de um IronMan.

Tive vários treinos difíceis para o Hawaí, mas o mais complicado deles foi uma semana que tive entre os dias 23/08 á 30/08 – semana que competi um Meio-IronMan no Rio de Janeiro no domingo, no sábado seguinte competi mais um Meio IronMan em Penha, dirigi 1000km de volta, competi um Short triathlon em Brotas no interior de São Paulo, fui embora para minha cidade (Leme) e a tarde ainda pedalei mais 50km. No final do dia me dei de prêmio um copo grande de Milk-shake.

MundoTRI: Em todas as distâncias, você tem se mostrado um excelente triatleta. Muitos amadores reclamam que, ao longo de treinos para provas longas, eles perdem velocidade com o ganho de resistência. Parece que isso não aconteceu com você. Acredita que seja a estrutura de seu treinamento?

Ciro Violin: Sim, eu tenho me dedicado às provas longas agora, mas adoro as provas mais curtas como shorts e olímpicos. Eu gosto de correr rápido, então em meus treinos sempre encaixo tiros na corrida de 500m a 1km, algumas corridas fortes de 10km pra tempo, ou um pedal contra-relógio de 15km, fora as séries na natação. Tento condicionar meu corpo para fazer todas as distâncias, mas sempre focado na distância da prova mais próxima que irei competir.

MundoTRI: O que você estava pensando antes e durante a prova em Kona?

Ciro Violin: Antes da prova pensei em como era bom estar ali. Eu sempre vi as provas do Hawaí nos DVD´s, e era um sonho estar classificado para Kona. A semana anterior ao evento foi muito boa, pois conhecemos os lugares e vimos todos os profissionais que sempre me espelhei.

Durante a competição não consegui pensar em nada muito complicado a não ser, me controlar para não “quebrar´´ e fazer contas de que momentos deveria tomar os gels. . .

MundoTRI: Os treinos em Kona costumam ser fantásticos. Você sai para um pedal e acaba andando na roda de Normann Stadler, ou sai para nadar e pega a esteira da Chrissie Wellington. Algum momento especial aconteceu com você nos dias anteriores à prova.

Ciro Violin: Sim, os dias anteriores ao evento são incríveis… parece que todos nadam, pedalam, e correm. A cidade respira triathlon, e todos os dias encotravamos os feras na rua, ou no supermercado. Mas teve um dia em especial, que saí para correr até a piscina publica que podemos nadar, e lá encontrei o Chris MacCormack, e o Terenzo Bozzone. Eles estavam com mais 2 caras e uma garota, e começaram a fazer umas séries nadando. Como um deles estava na mesma raia que eu, acabei fazendo a série junto. Foi bem legal, pois eu sou fã do Macca.

MundoTRI: E a prova em si, como foi? Algum momento de grande sofrimento e de felicidade?

Ciro Violin: A prova em si já é um grande sofrimento, mas tem os momentos de felicidade sim. Tive muitos maus momentos na natação, no ciclismo e na corrida, como todos. O interessante das provas de IronMan, é que você tem períodos bons e períodos ruins. Uma hora você esta bem, e a outra você esta mal. Não sou muito experiente em Irons, por isso minha tática foi: A hora que eu estiver me sentindo bem vou diminuir o ritmo. E deu certo!

Fiz uma prova cadenciada, consistente e progressiva. Tive a companhia do brasileiro Luis Renato Topan durante 80% da prova, e não poderia ter tido compahia melhor, já que ele é um excelente triatleta e já esteve 3 x no Havaí. Tenho que agradecer apenas, pois ele me ajudou muito me incentivando durante a corrida.

MundoTRI: A alimentação e a hidratação fazem muita diferença em provas de longa distância. O que você costuma beber e comer em provas de Ironman?

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Ciro Violin - Foto: divulgação

Ciro Violin: A alimentação no dia da prova é na minha opinião 70% do IronMan. Se o atleta não se alimentar, ele não irá muito longe. Por isso ele precisará ter testado nos treinos todos os tipos de alimentos para o dia da competição, e nunca usar algum alimento no dia, que ele nunca tinha ingerido.

Minha alimentação na prova, foi exatamente igual a dos treinos: gels, água, isotônico e coca-cola. Testei isso nos treinos, pois sabia que era isso que a organização dava com certeza na prova.

Deu certo, não tive nenhum problema e fui até o final me sentindo bem alimentado.

MundoTRI: Se você pudesse mudar alguma coisa na prova de sábado, o que mudaria?

Ciro Violin: Com certeza teria largado em outro local.

Larguei em um local muito ruim, não sabia onde largar, pois era a primeira vez que largava em Kona. Deveria ter ido até uma das pontas, que é o que sempre faço, mas acabei indo para o meio. Demorei muito para conseguir nadar, pois tinha muita gente e tomei muita pancada. Foi bem difícil aquela largada.

MundoTRI: Outra marca registrada do Havaí é a procura das grandes marcas para oferecer produtos gratuitos aos atletas amadores, algo raríssimo aqui no Brasil. Além disso, é muito comum ver atletas amadores de outros países com diversos apoios e patrocínios. Como você vê a situação dos atletas brasileiros diante desses fatos?

Ciro Violin: Essa é uma pergunta muito importante… É uma pena que isso aconteça em um país com tantos atletas amadores bons como o nosso. Para mim é a falta de cultura voltada para apoios à atletas amadores dedicados o problema.

Não consigo entender como os dirigentes do triathlon brasileiro imaginam que vão surgir novos atletas profissionais nesse esporte. Por acaso existe outro caminho a não ser ele ser amador por um determinado período?

Claro que não, e para um amador virar profissional, além de se dedicar muito, ele precisa começar a ter apoio. Um bom começo é fazer como o Célio Balieiro, que esta dando as inscrições para os atletas até 19 anos.

Acho também se deve ter seletivas para se obter os patrocínios.

Por exemplo: O atleta que ganhar tal campeonato recebe o patrocínio por um ano. Se ele voltar a ganhar aquele campeonato, ele continua com o patrocínio, se ele não ganhar o patrocínio passa para outro atleta e assim por diante.

É claro que é possível apoiarem o esporte amador. Se nos USA isso acontece, aqui também pode acontecer. Não falta dinheiro, o que falta é cultura e administração.

Mas sinceramente falando… acho que seria querer muito ter um patrocínio em um país que não se preocupa com coisas básicas como escolas, hospitais e saneamento. Se não temos nem isso, como poderemos pedir apoio para o esporte.

Falta cultura, é total falta de cultura.

MundoTRI: Para os atletas que sonham algum dia ir ao Mundial de Ironman, o que você diria?

Ciro Violin: Acho que este é um sonho de quase 100% dos triatletas, e cada vez esta ficando mais complicado ir até Kona, pois muita gente esta fazendo provas de IronMan.

Mas, digo que se você realmente deseja muito ir para o mundial no Hawaí, com certeza você vai trabalhar duro para atingir seu objetivo, e a classificação vira naturalmente e será apenas uma conseqüência.

Como dizia Einsten: “O sucesso só vem antes do trabalho no dicionário.”

Eu não sou nada a mais do que ninguém. Se eu consegui, você também pode conseguir, é só trabalhar duro.

MundoTRI: Nessa trajetória do triathlon qual momento foi inesquecível? Seja ele bom ou ruim.

Ciro Violin: Tudo o que eu sempre quis dentro do triathlon, era estar classificado para o Hawaí. Por isso depois que cruzei a linha de chegada em Florianópolis já sabendo que minha vaga estava garantida, tinha sido até então uma experiência inesquecível.

Hoje depois que cruzei a linha de chegada em Kona com 9h21 e atingi meu objetivo de estar entre os 10 melhores da categoria… esta é agora com certeza minha experiência inesquecível

MundoTRI: Alguém que você queira agradecer?

Ciro Violin: Gostaria de agradecer primeiramente minha família, que me apoiou muito em todas as partes, sendo com amor, respeito, e financeiramente. Queria agradecer também todas as pessoas que postaram mensagens de incentivo, e de boa sorte no meu Blog. Agradeço muito, pois foi muito bom receber toda aquela energia positiva de pessoas que eu não conheço pessoalmente, mas que hoje sinto vontade de dar um abraço de agradecimento.

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