Diário até o Ultraman: testes fisiológicos

03/09/2009 por Enviar por e-mail Imprimir
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Tritar Rio de Janeiro

Cópia de DSC04787 Large 253x300 Diário até o Ultraman: testes fisiológicosEssa semana, realizei uma série de testes fisiológicos para avaliar meu condicionamento atual e possivelmente reajustar o planejamento do meu treinamento. Acompanhado de meu técnico Almir João Brandalize, estivemos na Limiar Fisiologia do Exercício, do professor Pedro Ivan Mantovani.

O professor Mantovani, além de especialista em fisiologia do exercício, é também triatleta, Ironman, um motor V8 no ciclismo e um atleta de extrema resistência.

Aliás, o professor Mantovani tem um papel especial nessa jornada ao Ultraman. Um episódio marcante ocorreu em 2006, quando eu fazia o Triathlon Long Distance em Caiobá (1900 m de natação, 87 km de ciclismo e 21 km de corrida). Após cerca de quatro horas de prova, ao fazer o retorno para a segunda das três voltas de 7 km da corrida, sob um sol de rachar, vi o “Pedrão” que assistia a prova e brinquei:

“Beleza! Agora estou começando a sentir que a musculatura aqueceu!”.

O Pedro riu da minha piadinha infame e depois escreveu no meu Orkut o seguinte recado:

“Grande Marião,

acredite no que vou te dizer, eu estava perto de duas pessoas que disseram que com o seu otimismo e descontração você tem cabeça para fazer o Ultraman. Nós que somos um pouco grandinhos nos superamos pelo psicológico… Fiquei muito feliz com suas conquistas… Ainda te espero atrás da faixa em 2007, em Floripa.”

 Diário até o Ultraman: testes fisiológicos

Nunca esqueci daquilo.

Esse é um dos motivos pelos quais é tão importante cercar-se, sempre que possível, de pessoas otimistas e com atitude positiva. Uma das maiores contribuições que os pais dão ao filho é simplesmente demonstrar que acreditam nele e em seus sonhos. Ver que pessoas que você admira acreditam em você, é uma força muito grande para ajudá-lo a seguir atrás de seus sonhos.

Fizemos em três dias diferentes, quatro baterias de testes. Não fizemos testes específicos para a natação porque meu treinador Almir já nos avalia por diversos métodos durante os treinos de natação e já conhece precisamente meu potencial nesse quesito.

DSC04796 Large 300x225 Diário até o Ultraman: testes fisiológicos1º. Dia: Antropometria e Ergoespirometria (Composição corporal e Teste de Vo2 Máximo com corrida em esteira).

A Ergoespirometria é um teste de corrida em esteira com medição simultânea do desempenho cardíaco e medição do consumo de oxigênio. Com isso, é possível determinar em que faixas de freqüência cardíaca e em qual velocidade eu devo treinar e competir. Mas principalmente, estávamos buscando saber quais limiares máximos devo evitar para não “quebrar” (ir além do seu limite fisiológico e por isso sofrer queda significativa de rendimento, da qual não podemos nos recuperar em curto período de tempo).

2º. Dia: Limiar de Lactato para a Corrida.

Antes de falar sobre o método e sobre a precisão dos resultados, preciso dizer que esse foi o teste mais empolgante que já fiz!

DSC04824 Large1 150x112 Diário até o Ultraman: testes fisiológicosConforme a velocidade habitual do atleta, estipulam-se faixas de velocidade crescentes, em que o atleta deve correr durante três minutos. Após cada tiro de corrida, é coletada uma gota de sangue para determinar os níveis de concentração de Lactato. A cada tiro a velocidade aumenta até que o chamado “Limiar de Lactato” seja encontrado ou o atleta chegue à exaustão, o que em geral ocorre simultaneamente.

O “Limiar de Lactato” é o “Cabo da Boa Esperança”. Depois dele, o desempenho cai muito. É o ponto onde não devemos chegar.

A parte da emoção vem conforme a velocidade vai aumentando. Para que o teste seja perfeito, é preciso que o atleta não se deixar abater e se esforce para realmente chegar ao seu limite. O avaliador incentiva o tempo todo, conforme as faixas de velocidade vão subindo. Gradativamente, a adrenalina toma conta e contagia as outras pessoas presentes na sala e até o próprio avaliador! Ao final, gritos de força que vêm do fundo da alma fazem a cachorrada da vizinhança se alvoroçar. Sensacional!

O último intervalo de três minutos, corri à velocidade de 15,4 km/h. Eu até agüentaria correr mais 3 minutos na velocidade seguinte, de 16,4 km/h. Mas o Limiar de Lactato apareceu aos 15,4 km/h mesmo.

DSC04869 Large 300x225 Diário até o Ultraman: testes fisiológicosMinha namorada, que assistia o teste ficou um pouco assustada. Disse que eu estava um pouco pálido a 15,4 km/h (o sangue devia estar todo nas pernas nessa hora). Porém, mesmo fazendo bastante esforço, eu me sentia bem e seguia correndo com o olhar fixo no horizonte (com a minha melhor “cara de mau”). Confesso que no último tiro, estava pensando no “sprint” final, do último km do Ultraman (no dia, tanto faz a velocidade, o que importa é chegar).

3º. Dia: Limiar de Lactato para o Ciclismo.

Os procedimentos do teste de Limiar de Lactato para ciclismo são semelhantes aos do teste equivalente para a corrida.

Mas é preciso controlar a marcha engatada na bicicleta e a velocidade. Para maior precisão em termos de relevo, o teste foi realizado no velódromo de Curitiba.

Novamente, a velocidade aumenta gradativamente, mas o mais divertido é quando soa o apito ao final de cada intervalo. Como não estamos na esteira, cada parada ocorre com pouco tempo entre frear a bicicleta e a coleta de sangue. Com isso, meu treinador Almir e o avaliador Mantovani precisam ser muito ágeis.

Resultados

Como diria o professor Mantovani: “O sangue não mente”. Os resultados são muito detalhados e precisos, com faixas de treinamento e um diagnóstico prático do que estou fazendo certo ou errado. Além disso, o avaliador explicou-me todos os dados detalhadamente e com a maior paciência.

Dentre muitas conclusões, a que mais me marcou foi ver que tenho condicionamento de corrida para ir bem mais forte do que corro atualmente.

Andava meio negligente ao seguir o “como treinar” escrito nas orientações que meu treinador me passa. Confesso que normalmente apenas seguia a distância e o tempo a serem completados em cada treino.



No ciclismo, o caminho está melhor. Isso porque sempre treino com vários amigos. Assim a atmosfera garante sempre um ritmo adequadamente acelerado.

Após um período de auto-análise, localizei três principais causas para essa velocidade cadenciada demais na corrida:

1) Acostumado a treinos longos e em trajetos com muitas subidas, ando correndo ao estilo “devagar e sempre”. Uma questão de costume mesmo e não de condicionamento. Para isso, um amigo me emprestou um relógio de corrida com GPS, para saber a velocidade exata em que estou correndo.

2) Com o ganho de resistência, minha velocidade de corrida está “confortável” demais. Por isso, para aprimorar de modo eficiente meu condicionamento, preciso correr com mais “esforço”.

3) A seleção musical que levo em meu tocador de mp3 precisa mudar já. Nada mais de Norah Jones, Edith Piaf e Diana Krall. Do Lionel Ritchie só ficará o hit “All Night Long”(mais agitado). A única exceção romântica ficou por conta do essencial “Mandy”, do Barry Manilow, pois sempre fico tocado quando o ouço contar como a Mandy “o abraçou e o fez parar de tremer de tanto chorar” (que momento lindo!).

Brincadeiras à parte, meu comprometimento que parecia não poder crescer mais, aumentou ainda mais após essas avaliações.

Os testes foram muito importantes para que o meu técnico possa reajustar meus treinos. O resultado geral foi muito positivo e repetiremos a série em Outubro para verificar o progresso.

Lembrei aqui de uma frase propícia para o momento:

“TODAS AS VEZES QUE EU ME DESAFIO, ME ESFORÇO PARA IR UM POUCO MAIS RÁPIDO COM O OBJETIVO DE SUPERAR OS MEUS LIMITES. NESTE MOMENTO, EU REALMENTE ME SINTO UM CORREDOR E NÃO SÓ ALGUÉM QUE CORRE.”

Peguim Wisdow”

De agora em diante, toda vez que for ligar o cronômetro ao início de um treino, vou dizer para mim mesmo: “Corra como um animal!”.

Capítulo anteiores:

2. Diário até o Ultraman: Desafrio 2009

1. A saga ao ultraman de Mario Maddalozzo: estréia

Equipe de Mario: Jesse Geraldo Arriola Junior – Capitão da Equipe, Almir João Brandalize – Treinador, Tiara Corradi – organização, Elizabeth Schultz Maddalozzo – Organização, Thaís Sampaio da Silva – Pacer, Luciana Brandalize – Registro fotográfico e de vídeo. Website: www.trilosofia.com

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