Métodos de treinamento no Triathlon
Sigam uma programação ou não, todos os atletas usam um sistema de treinamento de algum tipo; mesmo que pelo mero fato de melhorar seu desempenho nos treinos e competições. Os três sistemas de treinamentos mais comumente usados pelos atletas e treinadores são: sistema aleatório, misto e periodização por ciclos.
Os sistemas aleatório e misto, não são muito conhecidos ou estudados pela literatura, porém muitos atletas, principalmente iniciantes que não possuem um treinador usam este método. Já a periodização é um método que quase todos já ouviram falar, mas que alguns ainda desconhecem o que realmente é. Vou descrever brevemente os três métodos e na seqüência irei falar um pouco mais de periodização.
MÉTODO ALEATÓRIO
No treinamento aleatório o atleta faz o que quer, ou o que sente vontade de fazer e treinar a cada dia. Quase nenhum planejamento a médio e longo prazo entram na decisão diária de que se irá fazer; este método não muito indicado e geralmente usado por atletas sem treinadores, o tempo (clima) e os companheiros de treino é que ditam os exercÃcios de cada sessão de treinamento. Este método é basicamente recreacional e não tem nenhum relacionamento direto com desempenho além de treinar e participar de competições simplesmente para completá-las.
Além de alguns dias de descanso antes das provas, a preparação e o “pico” de performance para as competições praticamente não existe. Os treinos frequentemente são fortes em demasia, assim nÃveis mais elevados de performance raramente são alcançados. O treinamento aleatório é comum entre os principiantes, ele só é “apropriado” neste momento e algumas vezes traz algum resultado pois o novo atleta passa a ter conhecimento e vivencia do que é “treinar”. Mas se o objetivo é melhorar e atingir melhores marcas, fatalmente este método deve ser abandonado o quanto antes.
MÉTODO MISTO
O sistema misto de treinamento representa uma melhora sobre o treinamento aleatório quanto o atleta passa a se preocupar em criar uma rotina diária de treinamento. Treinar neste sistema significa fazer uma grande variedade de estÃmulos durantes os treinos, tais como resistência, intervalos, subidas e “stead state”; trabalhando desta forma todas as semanas durante um determinado perÃodo.
Dias para descanso podem ou não ser planejados e/ou programados. Porém ao não serem incluÃdos rotineiramente, o atleta que usa o sistema misto é um sério candidato ao overtraining. Mesmo se o dia de descanso for inserido no planejamento, depois de determinado tempo o ganho de performance virá, porem para isto o treino deverá ficar mais duro a cada semana progressivamente, o que fatalmente resultará também em overtraining. O cansaço, a desmotivação e a perda de performance são comuns neste sistema de treinamento; afinal cada semana pode se tornar consideravelmente similar à semana anterior porem com intensidades crescentes. Embora seja difÃcil atingir picos de performance com o sistema misto de treinamento, muitos atletas amadores e até mesmo alguns profissionais se sentem bem ao treinar desta maneira.
MÉTODO DE PERIODIZAÇÃO
Periodização é um conceito do treinamento em que o ano é dividido em perÃodos ou ciclos, como queiram; onde em cada perÃodo o atleta (e seu treinador) concentram-se e focam os treinos para melhorar e desenvolver um determinado aspecto de sua aptidão fÃsica e também em manter os ganhos feitos em perÃodos precedentes. A periodização tornou-se o padrão de estrutura de treinamento entre atletas profissionais em praticamente todos os esportes. Mesmo que seja muito eficiente e eficaz para se alcançar os picos de performance nos momentos adequados e programados, este não é o único caminho para excelência nos esportes. Treinar seguindo os conceitos da periodização é, entretanto, a maneira mais provável, conhecida e estudada hoje para se conseguir o sucesso atlético.
PERIODIZAÇÃO
Ao se falar de “periodização”, conclusões cientÃficas e conceitos de treinamento são a parte mais fácil de se entender, mas pô-los todos juntos em um planejamento eficaz que leve o atleta ao auge se sua forma fÃsica no momento correto e programado, não é tão simples como se parece.
O sucesso em esportes que envolvem mais de uma modalidade (neste caso o triathlon), ou a falta de êxito e/ou melhora, é determinado diretamente pela combinação da frequencia de esforço, duração (volume) e intensidade em um planejamento detalhado, sempre levando-se em consideração os princÃpios de treinamento e sobrecarga progressiva, especificidade, reversibilidade, e individualidade biológica. A fisiologia do exercÃcio por si só não pode determinar essa combinação ideal de fases ou fatores variáveis, porém deve ser o ponto inicial de trabalho para iniciarmos um programa de trabalho baseado na fisiologia, mas com uma boa dose de “feeling” do treinador.
Podemos definir “periodização” como a organização do treinamento de um atleta, no que diz respeito as fases de treinamento e o tempo despendido ao mesmo em cada fase. Como cada treinador programa esta “organização” é uma peculiaridade extremamente individual. Caso o treinamento não respeite uma seqüência organizada de treinos, fases e estÃmulos, podemos dizer que o treinamento não foi periodizado. (o que muitas vezes, é funcional e eficaz para triatletas principiantes)
Muitos pensam e trabalham com uma periodização de diretrizes rÃgidas, como por exemplo: sessões de treinamento de 6 a 7 dias por semana, mesociclos de 4 semanas, intensidade precedente ao volume, exercÃcios especÃficos em momentos pré definidos, etc.
Periodização não se resume somente a isto, uma boa periodização tem que ter certa dose de flexibilidade, criatividade e muito “feeling” do treinador. Sem deixar de lado é lógico, os objetivos propostos dentro de cada fase definida. Abaixo, o esboço de uma periodização básica dividida em blocos.
No próximo artigo falaremos sobre a Teoria da Periodização e Alternativas de Periodização.
SAN PALMA
http://www.sfctriathlonteam.com.br
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SAN PALMA, é técnico de triathlon e sócio fundador da SFC Triathlon Team / Assessoria Esportiva. Técnico responsável da pelos triathletas profissionais Carla Moreno, Fred Monteiro e Verônica Martins, além de outros 50 atletas amadores no Brasil, Estados Unidos e Portugal. Tem experiência e participação em provas do Circuito Mundial e Camp. Mundial (ITU), Jogos Panamericamos (Rio 2007), Campeonato Mundial de Ironman 70.3, etapas do Circuito Mundial de Ironman e Ironman 70.3, etapas do Circuito Europeu de Triathlon de Longa Distancia. Consultor esportivo no Brasil das marcas GIRO, FLETS e K-Swiss, consultor esportivo na América do Sul da marca Aqua Sphere.





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