Diário até o Ultraman: Desafrio 2009

Foto: Mario Maddalozzo
Neste domingo, participei de uma das provas mais divertidas e desafiadoras do sul do Brasil: o Desafrio.
O organizador, Luiz Iran Guimarães da Triativa Eventos, criou o evento há dois anos com enfoque no seu aspecto desafiador.
A prova cobre 2.500 m e ocorre sempre no auge do inverno, contornando o Morro do Boi entre as praias Brava e Mansa do balneário de Caiobá. Logo se vê que essa prova é coisa para aqueles homens e mulheres do tipo que dizem “Deixa comigo!” sem titubear por frio, chuva ou a dificuldade que seja.
Diante da forte correnteza e ondas (fora o frio, é claro), o Desafrio é uma dessas provas que são um verdadeiro rito de passagem para todo nadador de travessias.
Existem nadadores de piscina, os de travessias oceânicas, depois os do Desafrio, e acima disso, só os de maratonas aquáticas e os do Canal da Mancha. Nadar uma travessia convencional está para o Desafrio, assim como uma aula de hidroginástica está para um treino de 20 tiros de 200m.
Mario Maddalozzo
A prova é uma verdadeira experiência de vida. É uma pena que existam tão poucas provas assim no calendário brasileiro. Talvez por causa das dificuldades de organização, poucos organizadores se dão ao trabalho de realizar provas de fato emocionantes e desafiadoras.
Uma prova assim talvez seja impensável para quem vive em clima mais ameno, já que o inverno paranaense não é nada suave. Nesse domingo, a temperatura beirava os 12 graus e a chuva fina completava o cenário nada convidativo para sair de casa, quanto mais para nadar no mar agitado.
Lembro que na largada do ano passado, ri sozinho ao ver um rapaz dar o primeiro mergulho e, sem nadar um metro a mais ou pensar duas vezes, voltou 100% convicto para a praia!
Além do frio, a forte correnteza e ondas são outro “atrativo” da prova. Ano passado, dezenas de atletas não conseguiram vencer a forte arrebentação, logo após a largada.
Para mim, a prova tem valor especial. É que quando criança passava as férias de verão em Caiobá.

Mario Maddalozzo
E sempre que ouvia comentários sobre algum caso de afogamento, a história era sempre a mesma: “… o mar levou para trás das pedras do morro e ninguém nunca mais viu”. Não me parecia lógico que as pessoas sumissem dessa forma. Mas para mim, a parte de traz do morro sempre teve certa aura de “Triângulo das Bermudas”.
Essa prova me faz lembrar o frio na barriga que sentia nas primeiras competições de natação no mar. Eu me impressionava por estar muito além do tão temido “lá no fundo” do qual meus pais me alertavam.
É claro que a prova não oferece nenhum perigo para qualquer pessoa que saiba nadar muito bem. Além dos perigos enfrentados não serem tão terríveis assim, a estrutura de segurança da prova impressiona. O corpo de bombeiros tem carinho especial pela prova e sempre envia uma equipe numerosa com direito a muitos homens em pranchões, vários caiaqueiros, Jet-skis e lanchas. Se é que se pode falar em exagero em termos de segurança, a segurança nessa prova chega a parecer super dimensionada (o que é muito positivo).
Somando o frio e a correnteza com a mega-estrutura dos bombeiros, fiquei imaginando que estava nadando no filme “Anjos da Vida”. O filme estrelado por Kevin Costner e Ashton Kutcher, fala sobre uma equipe de resgate de náufragos nas águas revoltas do litoral do Alaska. Dá para se dizer que o filme é “praticamente baseado” nas vidas dos atletas que participam do Desafrio! (Ok, ok, um pouco de exagero. Online Pharmacy No Prescription Needed Não é tão frio quanto o Alaska e ficou faltando o helicóptero).
Por isso tudo, a prova é tão divertida.
Motivado pelos meus treinos cada vez mais puxados, tracei uma ambiciosa meta para a prova.
No Ultraman, os 10 km de natação são apenas o começo dos três dias de prova. Mas como a natação é o meu forte, quero caprichar por lá. Por isso, baseei-me no meu potencial e nos tempos de um competidor americano que nada muito bem para traçar algumas metas. Calculei o tempo proporcional que esse atleta alvo faria para 2500m e minha meta era vencer esse “adversário virtual”.
Para isso, teria que nadar com pressa, com raça. Nadar daquele jeito que você chega ao final e não se lembra do trajeto ou se chegou a respirar alguma vez. Como costumo dizer, era preciso “nadar como um selvagem”.
Antes da largada, pelo frio ou em homenagem ao Cesar Cielo, vi muita gente se auto-estapeando na praia. Cheguei a experimentar, mas confesso que fiquei meio acanhado.
Sempre ajuda nessa hora lembrar os velhinhos que aparecem na TV pulando das pontes na águas congeladas, todo começo de ano na Rússia.
Logo de cara, o frio causa grande choque. Mas como já havia me molhado antes da largada, logo estava acostumado. A arrebentação estava forte, com ondas altas que te chacoalhavam muito. Para enxergar as bóias, era preciso sincronizar a respiração e a olhada para frente com o momento em que se estava na crista da onda.
Os treinos de tiro amarrado à borda da piscina me ajudaram a vencer essa primeira barreira.
O mar certamente estava ainda “maior” que na edição de 2008. O plano de vencer meu “adversário virtual” foi por água abaixo logo de cara. Certamente não vou enfrentar um mar desses no Hawaii. De qualquer forma, o mais importante era “ter um plano”.
O contorno do morro parece ter durado só alguns instantes. Apesar de que com a correnteza contrária nesse ponto, a bóia que precisaria ser contornada parecia “fugir” dos competidores (embora estivesse bem ancorada no lugar).
Terminei em 46’ 54”, ficando em terceiro da minha categoria. Melhorei em 3’30” o meu tempo de 2008, quando o mar estava mais tranqüilo.
Embora não tenha feito o tempo que desejava, fiquei muito satisfeito com o desempenho. Importante foi que estava me sentindo descansado ao final da prova. Missão cumprida!
Mas ainda era cedo, para estar com o dever de casa feito. Após a prova fui até meu carro, troquei de roupa, preparei tudo e subi na bicicleta. Após algumas palavras de incentivo de minha namorada, segui para a segunda parte do dia: pedalar os 115 km de volta a Curitiba.

Mario Maddalozzo
O tempo estava miserável, com bastante chuva na primeira hora. Ensopado, com frio e muita estrada e subidas pela frente, segui e os quilômetros foram passando. No topo da serra, ainda molhado, encontrei o frio de 8 graus que fazia o vapor de minha respiração parecer “fumaça”. Foi um treino de ciclismo psicologicamente desgastante.
Cheguei a minha casa no meio da tarde para um delicioso banho quente, almoço de Tortei (massa recheada com abóbora) e dois litros de limonada de limões galegos! Depois massagem rápida e duas horas de um cochilo merecido.
Até novembro, esse vai ter que se tornar um “treino fácil”.
Continue acompanhando a jornada rumo ao Ultraman aqui na MundoTri. Novos capítulos serão publicados semanalmente.
Se quiser saber mais sobre o projeto, acesse o blog do atleta em www.trilosofia.com.
Equipe de Mario: Jesse Geraldo Arriola Junior – Capitão da Equipe, Almir João Brandalize – Treinador, Tiara Corradi – organização, Elizabeth Schultz Maddalozzo – Organização, Thaís Sampaio da Silva – Pacer, Luciana Brandalize – Registro fotográfico e de vídeo. Website: www.trilosofia.com
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