Entrevista com Luiz Renato Topan, 1º amador no IM Brasil 2007

24/04/2009 por Enviar por e-mail Imprimir
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Tritar Rio de Janeiro

imagem 211 200x300 Entrevista com Luiz Renato Topan, 1º amador no IM Brasil 2007Com 41 anos ele foi 1º lugar geral amador no IronMan Barsil 2007. Agora, com 43 anos, 71kg e 1,83m, Luiz Renato Topan busca o título da categoria 40-44 este ano em Kona. No seu currículo estão títulos nacionais e mundiais de triathlon e aquathlon, incluindo sua última performance arrasadora no IronMan Arizona, em 2008, que lhe garantiu a vaga para o mundial. O MundoTRI, em sua série de em entrevistas exclusivas, mostra um pouco desse “monstro” do triathlon nacional.

1) MundoTRI – Topan, como foi seu início do triathlon? Você veio de algum esporte em particular?

Topan: Eu me dedicava a escalada de alta montanha e gelo e tinha feito 9 cumes de mais de 6.000m.s.n.m., mas em 2003 tive uma expedição cancelada e fiquei sem objetivo no 1º semestre. Um montanhista amigo meu me sugeriu que eu experimentasse o short triathon . Fiz minha 1ª. prova em 2 de maio de 2003 no Troféu Brasil de Niterói. Foi amor à primeira vista, pois tinha prometido para minha esposa e filhas parar de escalar com 40 anos e estava meio sem saber o que fazer depois.

2) MundoTRI -Você tem um desempenho muito próximo dos atletas profissionais, mesmo tendo outras atividades profissionais. Quais são os itens nos quais você mais se assemelha a um profissional?

Topan: Todas as conquistas de minha vida, sejam profissionais, esportivas, familiares e até meus relacionamentos, eu devo em muito à disciplina e ao senso de sacrifício que adquiri em minha infância quando participava da natação competitiva. Quando você treina 6 horas por dia durante todo ano para “mostrar” resultado em 1 ou 2 minutos, fortalece sua mente para enfrentar todo tipo de pressão.

3) MundoTRI – Em quem você se espelha no esporte, quais seus ídolos?

Topan: Na natação tenho profunda admiração pelo nadador Rogério Romero, que participou de 5 olimpíadas, até os 36 anos, fazendo 2 finais. No triathlon a “eterna” Fernanda Kelher, que é um ídolo mundial do IronMan.

4) MundoTRI – Quais suas provas principais neste ano? Espera vencer sua categoria no Mundial de Ironman em Kona?

Topan: Fiz a 1ª. Etapa do Campeonato Brasileiro de Triathlon Olímpico e vou fazer o Meio IM de Ubatuba em junho, ambos como preparação para o Mundial de IM em Kona ( 10 de outubro ).

Quanto à disputa na BIG ISLAND, tenho a consciência que tenho reais chances de ser TOP10 na 4044, muita vontade de fazer um pódio e um sonho de ser campeão mundial; porém KONA É KONA e para se ter um bom resultado lá tem de se estar naqueles dias em que tudo dá certo, pois, lá está a nata da categoria. Para se ter uma noção, em 2007 o Ken Gla (top 10 da pro em Kona várias vezes nos anos 90) competiu na minha categoria, liderando a natação e o ciclismo, mas no km 25 da corrida passei por ele andando. Ou seja, o menor erro é fatal. Historicamente, as categorias geralmente são vencidas pelos mais novos; com isto, creio que minhas melhores chances serão em 2011 quando entro na 4549.

5) MundoTRI – Você foi o primeiro lugar amador no Ironman Brasil 2007, como foi a sensação e sua percepção durante a prova?

Topan: Este foi um desses dias em que tudo dá certo. Fiz tudo que meu treinador ( Vinicius Santana ) mandou: Nadei no 2º pelote, saindo da água para 51′, inteiro e bem, em 1º na 40-44, aproximadamente 2′ na dianteira. Na bike pedalei sozinho até os 90km em ritmo de +- 36,7km/h, quando um pelotão me pegou e, apesar de meus pedidos e protestos com os fiscais, se manteve até o fim dos 180km. Fechei o pedal em 4h57′, ainda liderando a categoria. Comecei a correr já visando o resultado, pois, como estava em 1º no age group, sabia que a vaga para Kona estava praticamente garantida e teria de administrar a frente na corrida, pois, no meu encalço estavam o Butenas (ex profissional, veterano de Kona) e o Gabriel (Sueco que tinha vencido a categoria em 2006). Quando virei os 21km vi que já estava + de 10′ na frente do Butenas e mantendo mais de 20′ do Sueco. Fiz os 10km seguintes mantendo o ritmo e quando retornei para os últimos 10km notei que tinha aumentado a diferença… pensei…”beleza vou poder tirar um pouco o pé e curtir a prova”. Porém, aí me disseram que eu estava em 1º no amador e em 13º geral e com o Catta Preta da pró em 14º no meu pé…. “agora ferrou e vou ter fazer força até o final”. Quando entrei na “baia” de chegada ( +- os últimos 500m ) olhei pela 1ª. vez para trás nas últimas 9 horas e, quando vi que estava sozinho relaxei, peguei a bandeira do Brasil que estava na bermuda e comecei a fazer aviãozinho até a chegada. Ou seja: um sonho realizado… em 4 anos de triathlon e no meu 2º. IronMan tinha sido campeão, com o bônus de ser 1º. Amador e 13º. Overall. 


6) MundoTRI – Você já esteve em Kona e neste ano estará lá novamente, como é competir na Big Island?

Topan: Foi muito legal, principalmente porque viajei com dois “irmãos”, o Léo Camarão e o Vinnie. O 1º uma enciclopédia viva do IRONMAN ( o cara tem foto com David Scott com 17 anos ) e o 2º O responsável pela minha performance.

É um grande impacto, pois, como é um vilarejo pequeno (lembra Búzios dos anos 80), só tem triatleta e, só os “cascudos”. No primeiro trote que se dá a gente se sente gordo e fraco, pois, você só cruza com “monstro” treinando. Além, disso, a todo o momento se tropeça com os grandes nomes que a gente vê nas revistas do esporte.

Particularmente pra mim foi muito legal, pois, estava sem pressão nenhuma de resultado, pois, competia me recuperando de uma lesão recente (perda dos ligamentos do ombro esquerdo, competindo com bandagem etc. )

7) MundoTRI – Como é sua rotina de treinamentos? Treina de manhã e a tarde? Quem é seu técnico? E quais são as pessoas que fazem parte da equipe? Pedala quanto por semana? Corre quanto e nada quanto?

Topan: Treino deste 2007 com o Vinicius Santana do IronGuides. Prefiro treinar pela manhã (na verdade de madrugada), mas com o trabalho de Promotor de Justiça e 3 filhas ( 10, 13 e 15 ) para cuidar eu treino a hora que dá, mas não deixo de treinar nunca.

Também treinam com o Vinnie, o Léo Camarão, Cristiano “Morini” e o Gustavo Moniz. Todos estarão em Floripa e creio que tocarão o terror na prova.

Quanto ao volume depende do ciclo e do objetivo, mas variam de 20 a 28 horas semanais.

8) MundoTRI – Nas horas vagas costuma fazer o quê?

Topan: Estou sempre com a família (minhas 4 mulheres). Curto muito cinema (vejo no mínimo 2 filmes por semana) e sair para comer bem, pois gosto muito da gastronomia elaborada.

9) MundoTRI – Para os atletas que estão começando o que você diria? Ou para aqueles que queiram ser profissionais?

Topan: Para os atletas em geral, digo que o segredo é fazer tudo na vida para você, porque você gosta e enquanto você gosta. Hoje amo fazer triathlon… amanha não sei… se não estiver mais curtindo paro e vou fazer algo que me dê prazer… sei lá… tocar gaita… observar pássaros… não importa.. desde que eu goste de fazer.

Para os que querem ser pros, apenas lembro para não descuidarem de sua formação acadêmica, pois, no Brasil, provavelmente esta será fundamental no futuro.

10 ) MundoTRI – Nessa trajetória do triathlon qual momento foi inesquecível? Seja ele bom ou ruim.

Topan: O primeiro mergulho no píer de Kona.

11) MundoTRI – Alguém que você queira agradecer?

Topan:  A minha família, pela paciência e apoio, aos amigos ( sem nomes, pois eles sabem quem são ) pelo companheirismo e ao meu treinador por ter a sabedoria necessária para potencializar minhas habilidades.

MundoTRI: Obrigado, Topan e boa prova em Kona!

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